O que começou como uma forma de gerar renda durante a faculdade se transformou, dez anos depois, em uma empresa que atende algumas das maiores marcas do país e aposta em inteligência artificial e tecnologia para construir novos modelos de comunicação. Fundada em 2016, dentro da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a Monking multiplicou seu tamanho por cinco desde 2022, reúne mais de 30 profissionais e atendeu, somente nos últimos dois anos, mais de 80 grandes empresas, entre elas Ambev, iFood, Natura, LinkedIn, Visa e Petrobras.
Com estúdios em Florianópolis, São Paulo e Rio de Janeiro e atuação também com clientes nos Estados Unidos e na Europa, a empresa chega aos 10 anos em um novo momento. Depois de se especializar na comunicação de projetos de inovação, a Monking passou a fazer o movimento inverso: usar inovação para transformar a própria indústria da comunicação.
Hoje, a operação está estruturada em quatro frentes: Agência, Conteúdo, Tech e Play. Entre as apostas para a próxima fase está o Monking Play, modelo de estúdio autônomo que permite produzir conteúdos sem a presença permanente de uma equipe técnica e que tem como meta alcançar 100 unidades em 2027.
Nesta entrevista, Eduardo Vieira, CEO da empresa, conta como uma agência criada ainda na universidade encontrou espaço no ecossistema de inovação, os aprendizados de uma década de crescimento e por que acredita que o futuro da empresa está em se posicionar não apenas como uma agência de comunicação, mas como uma agência de inovação a serviço da comunicação.
1 – Como surgiu a empresa?
A Monking nasceu em 2016, dentro da Universidade Federal de Santa Catarina. Fundamos a empresa quando estávamos na quinta fase de Administração e alguns amigos começaram a nos procurar para criar artes e materiais de comunicação. A ideia inicial era bastante simples: abrir uma empresa para gerar renda durante a faculdade. Não existia um grande plano de longo prazo e, naquele momento, a gente certamente não imaginava que chegaria aos dez anos. Começamos atendendo negócios locais de Florianópolis, como restaurantes, mercados e autoescolas. Ao mesmo tempo, estávamos muito próximos do ecossistema de inovação da cidade, que vivia o crescimento das startups e começava a consolidar Florianópolis como um dos principais polos de tecnologia do Brasil. Um ponto de virada aconteceu durante o Startup Summit 2019, quando conhecemos o Bruno Stefani, que na época era diretor global de inovação da Ambev e hoje é sócio da Monking. Ele buscava uma agência com um olhar novo, sem os vícios tradicionais do mercado e que realmente entendesse de inovação. A Monking estava no lugar certo e no momento certo. A gente acompanhava de perto tudo o que estava acontecendo naquele ecossistema e começou a atender a área de inovação da Ambev. Foi a partir desse trabalho que entendemos que existia um mercado ainda pouco atendido: as áreas de inovação das grandes empresas precisavam comunicar projetos complexos, engajar públicos internos e transformar inovação em histórias que as pessoas conseguissem compreender. Ao longo dos anos, fomos nos especializando nesse espaço. Hoje, a Monking é uma agência de comunicação para inovação, com forte atuação em estratégia, conteúdo, audiovisual, eventos e tecnologia. Também usamos aquilo que aprendemos trabalhando com inovação para desenvolver novas formas de fazer comunicação dentro da própria Monking e do marketing. Tenho muita gratidão ao ecossistema de inovação de Florianópolis e de Santa Catarina. Foi nesse ambiente que a Monking nasceu, encontrou suas primeiras oportunidades e construiu boa parte do que é hoje. Atualmente moro em São Paulo, mas volto sempre e continuo muito próximo desse ecossistema. Florianópolis segue sendo uma parte importante da nossa história e também do nosso futuro.
2 – O que resolve no mercado?
A Monking resolve principalmente dois desafios. O primeiro é ajudar empresas a comunicar inovação. Muitas companhias desenvolvem projetos relevantes, mas têm dificuldade para traduzir assuntos complexos em mensagens que engajem funcionários, clientes e o mercado. A gente entra justamente para transformar essas iniciativas em estratégias, campanhas, eventos e conteúdos mais claros e interessantes. O segundo desafio é levar inovação para dentro do marketing. Ao longo dos anos, desenvolvemos tecnologias, produtos e metodologias que ajudam os times a produzir conteúdo com mais agilidade, eficiência e escala. Para entregar isso, a Monking atua em quatro frentes: Agência, Conteúdo, Tech e Play. Elas integram estratégia, criação, produção audiovisual, tecnologia e novos modelos de produção. Em resumo, a Monking atua nos dois sentidos: faz comunicação para o mercado de inovação e aplica inovação para transformar a maneira como as empresas fazem comunicação, seja por meio de tecnologia, inteligência artificial ou novas metodologias.
3 – Quais os principais produtos/serviços e diferenciais?
Hoje, a Monking está organizada em quatro frentes que se complementam: Agência, Conteúdo, Tech e Play. Todas elas são conectadas por uma camada de inteligência artificial. A primeira frente é a Agência, que atua com estratégia de comunicação, branding e campanhas. Trabalhamos principalmente em relações contínuas com os clientes, por meio de contratos mensais, o que nos permite acompanhar o negócio e pensar a comunicação no médio e no longo prazo. A segunda é Conteúdo, com produção audiovisual completa. Produzimos podcasts, vídeos, séries e projetos de conteúdo em escala, contando com equipe especializada e estúdios próprios. A terceira é Tech, que desenvolve produtos digitais e tecnologias proprietárias. São soluções que nasceram de problemas reais encontrados no trabalho com os clientes, como galerias de fotos com reconhecimento facial, portais de marca, plataformas de conexão entre fornecedores, recrutamento por atitude e hubs de gestão e operação. A quarta frente é o Monking Play, nosso modelo de estúdio autônomo. A pessoa chega, grava e sai com o conteúdo pronto, sem depender de uma equipe técnica presente durante toda a produção. A primeira unidade está no Cubo Itaú e nosso objetivo é chegar a dez unidades até o final do ano. Voltamos de lá com a decisão de incorporar a inteligência artificial à operação da Monking e também às soluções oferecidas aos clientes. Hoje, a IA está presente em diferentes áreas da empresa, apoiando processos comerciais, financeiros, criativos, de projetos e de produção. Nosso principal diferencial é aplicar a IA de forma concreta na operação e na conexão entre as quatro frentes do negócio. Ela já faz parte da nossa operação e também conecta as quatro frentes do negócio. Combinamos estratégia, produção, estrutura própria e tecnologia para entregar comunicação com mais agilidade, eficiência e capacidade de escala.
4 – Quais as principais conquistas/números nesses 10 anos?
Nos últimos anos, a Monking viveu um crescimento expressivo. De 2022 para cá, multiplicamos o tamanho da empresa por cinco. Hoje, temos uma equipe com mais de 30 pessoas e, somente nos últimos dois anos, atendemos mais de 80 grandes empresas, entre elas Ambev, iFood, Natura, LinkedIn, Visa e Petrobras. Também recebemos o selo dourado do Cubo Itaú e, por três anos consecutivos, ficamos entre as dez principais martechs do Brasil no ranking 100 Open Startups. Atualmente, temos estúdios em Florianópolis, São Paulo e Rio de Janeiro, atuação com clientes nos Estados Unidos e na Europa e presença em alguns dos principais eventos de inovação do Brasil e do mundo.
5 – O que significa na prática passar de uma agência de comunicação para também uma agência de inovação a serviço da comunicação?
Essa mudança representa uma evolução natural da própria Monking. Hoje, trabalhamos ao lado dos times de marketing de grandes marcas para entender como inteligência artificial e tecnologia podem transformar a comunicação na prática. Isso envolve repensar processos, aumentar a capacidade de produção, criar novos formatos e desenvolver produtos para problemas reais. O Monking Play é um bom exemplo: percebemos que as empresas precisavam produzir conteúdo com mais frequência e agilidade e criamos um modelo de estúdio autônomo e replicável. Ser uma agência de inovação a serviço da comunicação é combinar nossa experiência em estratégia, conteúdo e produção com IA, tecnologia e novos modelos de negócio para ajudar a construir o futuro do marketing.
6 – O que projetam para 2027? E em 5 anos?
Todo ano, eu e meus sócios, puxados pelo Rodrigo Terra, nosso VP de Negócios, fazemos uma reunião para responder a uma pergunta: “O que pode matar a Monking nos próximos anos?”. No início, tentávamos olhar cinco anos à frente. Depois, esse horizonte caiu para dois anos. Hoje, muitas mudanças importantes acontecem em menos de um ano. Cinco anos atrás, por exemplo, o ChatGPT nem existia como produto aberto ao público, e agora a inteligência artificial já está transformando toda a indústria da comunicação. Para 2027, temos uma meta concreta: chegar a 100 unidades do Monking Play. Também queremos consolidar as quatro frentes da Monking e avançar no uso de inteligência artificial dentro da nossa operação e das soluções para os clientes. Para daqui a cinco anos, mais do que apresentar um plano fechado, projetamos uma direção: queremos que a Monking continue se antecipando às mudanças, desenvolvendo novos produtos e ajudando grandes marcas a entender e construir o futuro da comunicação.