A história do gaúcho Vinicius Camargo com a segurança eletrônica começou em um momento de recomeço profissional. Depois de uma sociedade que não deu certo, o empreendedor passou cerca de 8 meses trabalhando como motorista de Uber para pagar as contas e foi ali, no banco do carro, que encontrou o primeiro canal de vendas do que viria a ser a VRC Tecnologia.
Durante as corridas, passou a carregar cartões e panfletos e aproveitava os deslocamentos para apresentar os serviços a potenciais clientes. Aos poucos, os primeiros chamados começaram a surgir. Em alguns dias, fazia uma instalação e passava o restante do tempo dirigindo. Conforme a carteira de clientes cresceu, o Uber deixou de ser a principal atividade.
“Às vezes tinha um cliente por dia e o restante do dia eu fazia Uber”, conta.
A empresa ganhou ferramentas, uniformes e materiais de divulgação até chegar à abertura de uma loja física, em 2018. A operação, entretanto, enfrentou um dos maiores desafios de sua história pouco depois, com a pandemia: o custo de manter o espaço levou Camargo a fechar o ponto após cerca de um ano e meio, e a sociedade também chegou ao fim.
A VRC passou a funcionar de forma mais enxuta, com estoque e ferramentas guardados em casa. Hoje a empresa vive uma nova fase. Ele está estruturando novamente uma loja, desta vez maior, e pretende ampliar a equipe.
Do trabalho técnico à produção de conteúdo
O setor de segurança eletrônica movimentou mais de R$ 16 bilhões em 2025 e deve crescer 18,8% em 2026, ultrapassando a marca de R$ 19 bilhões, segundo levantamento da Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança (ABESE). É nesse mercado em expansão que a VRC Tecnologia tenta ampliar sua atuação.
O segmento no Brasil é pulverizado entre pequenos prestadores locais, e a maior parte da concorrência ainda depende de indicação boca a boca. Foi nesse cenário que Camargo enxergou uma abertura: usar as redes sociais não para vender diretamente, mas para educar.
No perfil da VRC, que reúne mais de 10 mil seguidores, ele publica vídeos sobre fechaduras, motores, instalações e outros equipamentos, traduzindo conceitos técnicos para quem não trabalha no setor, mostrando diferenças entre equipamentos, situações do dia a dia das instalações e problemas que passam despercebidos pelo consumidor comum. A produção de conteúdo passou a ser referência para explicar a tecnologia por trás dele.
Foi um desses vídeos, sobre fechaduras eletrônicas, que mudou o rumo do negócio: alcançou quase 600 mil visualizações e chamou a atenção da AGL, fabricante mineira de equipamentos para segurança e controle de acesso, que entrou em contato propondo uma parceria.
Do alcance orgânico à parceria com fabricante
A aproximação aconteceu quando a VRC ainda estava em fase de crescimento. Desde então, ele passou a integrar um grupo de parceiros da AGL, com acesso a outros profissionais e representantes da empresa e a um canal direto de troca de informações sobre os produtos.
A história da AGL também é marcada por um pequeno empreendedor. Em 1984, Antônio Lúcio da Silva começou a instalar fechaduras manualmente em Divinópolis (MG), percorrendo a cidade de porta em porta para vender seus produtos. Décadas depois, a oficina se transformou em uma indústria com mais de 450 colaboradores e uma fábrica de mais de 40 mil metros quadrados.
Atualmente, a empresa é administrada pelos filhos do fundador, Ana Cecília Nogueira da Silva, Gabriel Nogueira da Silva e Luis Guilherme Nogueira da Silva, e exporta para países da América Latina e da África.
A relação com a fabricante ajudou a ampliar a visibilidade da VRC e diversificar os conteúdos para as redes sociais com produtos de última geração.
A próxima etapa é transformar em operação maior o que começou com uma maleta de ferramentas dentro de um carro de Uber.
Com a nova loja em estruturação e a equipe prestes a dobrar de tamanho, a expectativa é ampliar a presença da VRC no mercado gaúcho e aprofundar a parceria com a AGL com novos conteúdos, mais eventos e mais troca de experiências com profissionais do setor.