A dificuldade para encontrar profissionais com as habilidades exigidas pelo mercado está acelerando o uso de inteligência artificial nos processos de recrutamento.
No Brasil, 84% dos profissionais de Recursos Humanos afirmam que a falta de candidatos qualificados tornou as contratações mais desafiadoras nos últimos 12 meses.
O dado faz parte de uma pesquisa realizada pela Censuswide e divulgada pelo LinkedIn. Entre os profissionais brasileiros de RH, 43% apontam a oferta limitada de habilidades em alta demanda como um dos fatores que aumentam a complexidade das contratações.
Nesse cenário, a maior rede profissional do mundo está ampliando sua aposta em agentes de IA. O LinkedIn anunciou a chegada ao Brasil, em português, do Hiring Assistant, ferramenta desenvolvida para automatizar parte das atividades de recrutamento e auxiliar na identificação de profissionais.
80% dos profissionais de RH pretendem ampliar uso de IA
A adoção da tecnologia já começa a mudar a rotina dos recrutadores. Segundo o levantamento, 87% dos profissionais de RH brasileiros afirmam que a inteligência artificial ajuda a agilizar as triagens iniciais, enquanto 65% consideram que a tecnologia permite encontrar talentos que poderiam não ser identificados pelos métodos tradicionais de busca.
A tendência é de crescimento: 80% pretendem aumentar o uso de IA para identificação de talentos nos próximos 12 meses.
Ele foi desenvolvido a partir da base profissional do LinkedIn, que reúne informações de mais de 1 bilhão de usuários.
A ferramenta consegue buscar profissionais com base em habilidades e requisitos das vagas, analisar candidatos e auxiliar na elaboração de mensagens personalizadas. O sistema também aprende preferências a partir do uso e dos feedbacks dos recrutadores.
“Encontrar profissionais com as habilidades certas está mais complexo, ao mesmo tempo em que os recrutadores precisam tomar decisões com mais agilidade. A inteligência artificial pode ajudar a reduzir o tempo dedicado às etapas mais operacionais, mas o olhar, o contexto e o julgamento humano continuam essenciais para uma boa contratação”, afirma Milton Beck, diretor-geral do LinkedIn para a América Latina.
Segundo dados divulgados pela própria LinkedIn, recrutadores que utilizam o Hiring Assistant economizam, em média, 1,5 hora por vaga na identificação dos candidatos considerados mais qualificados e registram taxas de aceitação de InMail 66% maiores.
Nos testes com a versão em português, a empresa afirma ainda que recrutadores conseguiram encontrar candidatos qualificados analisando até 90% menos perfis.
Busca por emprego também ficou mais difícil
A pressão não está apenas do lado das empresas. Entre os profissionais entrevistados, 63% afirmam que procurar emprego ficou mais difícil no último ano.
O aumento da concorrência foi citado por 55% dos respondentes, enquanto 50% consideram que os processos seletivos se tornaram mais exigentes.
Nesse ambiente, candidatos também demonstram abertura para o uso da tecnologia: 60% acreditam que a IA pode ajudar a padronizar entrevistas e reduzir vieses humanos nas contratações. Entre os profissionais de RH, o percentual chega a 78%.
A discussão sobre automação no recrutamento, no entanto, também coloca em evidência o papel da supervisão humana. A estratégia apresentada pelo LinkedIn é utilizar os agentes para reduzir atividades operacionais, mantendo as decisões sob responsabilidade dos recrutadores.
Na CI&T, uma das empresas que utilizam a solução, a tecnologia é aplicada justamente nessa etapa.
“Na CI&T, o Hiring Assistant é utilizado para reduzir o trabalho operacional e ampliar a capacidade do time de recrutamento, permitindo que os profissionais dediquem mais tempo àquilo que exige contexto, relacionamento e julgamento humano”, afirma Rodrigo Gaião, head global de Talent Attraction & Employer Branding da CI&T.
A chegada da ferramenta em português reforça um movimento mais amplo no mercado de trabalho: depois de entrar em áreas como atendimento, desenvolvimento de software, marketing e análise de dados, os agentes de inteligência artificial começam a assumir também tarefas específicas dentro dos processos de recrutamento.
A pesquisa utilizada pelo LinkedIn foi conduzida pela Censuswide com 19.113 consumidores e 6.554 profissionais de RH em diferentes mercados, incluindo o Brasil, em novembro de 2025.