Reduzir desperdícios, acompanhar o consumo de energia, melhorar a segurança dos funcionários, criar políticas anticorrupção e estabelecer critérios para fornecedores são exemplos de iniciativas que podem fazer parte de uma estratégia ESG.
A sigla, formada pelas palavras Environmental, Social and Governance — ambiental, social e governança — ganhou espaço na agenda empresarial nos últimos anos. Mas existe uma diferença importante entre falar sobre ESG e incorporar seus princípios à gestão do negócio.
Na prática, ESG envolve identificar impactos, riscos e oportunidades relacionados às atividades da empresa, estabelecer prioridades, criar ações e acompanhar resultados. Isso significa que não existe uma lista única de iniciativas que todas as organizações precisam executar.
Uma indústria possui impactos diferentes de uma empresa de tecnologia. Um banco enfrenta riscos diferentes de um restaurante. Uma empresa com 20 funcionários possui estrutura diferente de uma multinacional. Por isso, a estratégia precisa considerar a realidade de cada negócio.
O que é ESG nas empresas?
ESG é uma abordagem utilizada para analisar aspectos ambientais, sociais e de governança relacionados à atuação de uma organização.
Os três pilares são:
E — Environmental (Ambiental): impactos da empresa sobre o meio ambiente.
S — Social: relação da organização com funcionários, clientes, fornecedores, comunidades e outros públicos.
G — Governance (Governança): estruturas, regras e processos utilizados para administrar e supervisionar a empresa.
O Economia SC já explicou em uma matéria específica o que é ESG e por que o conceito passou a fazer parte das discussões de diferentes tipos de empresas. O próximo passo é entender como esses conceitos podem aparecer na prática.
Quais são exemplos de práticas ambientais de ESG?
O pilar ambiental está relacionado à maneira como as atividades da empresa interagem com o meio ambiente. As prioridades dependem principalmente do setor e dos impactos da operação.
Entre as práticas possíveis estão:
1. Redução do consumo de energia
Empresas podem acompanhar quanto consomem e identificar oportunidades de eficiência. Isso pode envolver:
- equipamentos mais eficientes;
- iluminação de menor consumo;
- automação;
- manutenção preventiva;
- otimização de processos;
- gestão de horários de operação.
Além do impacto ambiental, eficiência energética pode reduzir custos.
2. Uso de energia renovável
Dependendo da operação, empresas podem avaliar fontes renováveis ou modelos de contratação de energia compatíveis com sua estratégia. O objetivo precisa ser analisado considerando viabilidade econômica, características da operação e impactos efetivos.
3. Gestão de resíduos
Uma empresa pode mapear:
- quanto resíduo produz;
- quais materiais são descartados;
- o que pode ser reduzido;
- o que pode ser reutilizado;
- o que pode ser reciclado;
- qual é a destinação adequada.
O primeiro passo não é necessariamente reciclar mais. Pode ser simplesmente gerar menos resíduos.
4. Redução do uso de matérias-primas
Empresas industriais podem redesenhar processos para utilizar menos material por unidade produzida. Isso pode reduzir custos e impactos ambientais simultaneamente.
5. Gestão do consumo de água
Empresas podem monitorar consumo, identificar vazamentos, reutilizar água quando tecnicamente possível e melhorar processos produtivos. Essa iniciativa ganha relevância especialmente em setores com uso intensivo de recursos hídricos.
6. Redução de emissões
Organizações podem mapear fontes de emissão e desenvolver estratégias de redução. Dependendo da empresa, isso pode envolver:
- eficiência energética;
- logística;
- frota;
- processos industriais;
- fornecedores;
- viagens;
- fontes de energia.
Antes de estabelecer metas, é importante compreender onde estão as principais emissões.
7. Logística mais eficiente
Otimização de rotas, consolidação de cargas e melhor planejamento de entregas podem reduzir consumo de combustível, custos e emissões.
8. Desenvolvimento de produtos mais sustentáveis
Empresas também podem analisar o impacto ambiental desde o desenvolvimento do produto.
Perguntas possíveis incluem:
- É possível utilizar menos matéria-prima?
- O produto pode durar mais?
- A embalagem pode ser reduzida?
- Os materiais podem ser reutilizados?
- O produto pode ser reparado?
- O que acontece no final da vida útil?
Essas perguntas aproximam ESG de inovação e economia circular.
O que são práticas sociais de ESG?
O pilar social analisa como a empresa se relaciona com pessoas. Isso inclui funcionários, clientes, fornecedores e comunidades. Muitas iniciativas sociais começam dentro da própria organização.
Quais são exemplos de práticas sociais?
9. Saúde e segurança no trabalho
Criar ambientes seguros é uma das práticas mais fundamentais. Empresas podem acompanhar:
- acidentes;
- afastamentos;
- riscos ocupacionais;
- treinamentos;
- utilização de equipamentos;
- condições de trabalho.
Em determinados setores, esse tema possui impacto direto na operação.
10. Desenvolvimento dos funcionários
Programas de capacitação podem preparar profissionais para mudanças tecnológicas e novas funções. Isso se torna especialmente importante diante da inteligência artificial, automação e transformação digital.
Treinamentos podem envolver:
- competências técnicas;
- liderança;
- tecnologia;
- segurança;
- gestão;
- comunicação.
11. Diversidade e inclusão
Empresas podem analisar se existem barreiras em recrutamento, desenvolvimento e progressão profissional. Mas diversidade não deveria ser tratada apenas como uma ação de comunicação. Indicadores e processos ajudam a entender se existem diferenças relevantes dentro da organização.
12. Remuneração e benefícios
Políticas claras de remuneração, benefícios e desenvolvimento profissional fazem parte da relação entre empresa e funcionários. Transparência sobre critérios de crescimento também pode reduzir percepções de tratamento desigual.
13. Combate ao assédio e discriminação
Empresas podem criar políticas, treinamentos e canais adequados para relatos. Mais importante do que possuir documentos é garantir que as regras sejam conhecidas e aplicadas.
14. Relação responsável com clientes
O pilar social também envolve consumidores.
Isso pode incluir:
- proteção de dados;
- segurança de produtos;
- comunicação transparente;
- acessibilidade;
- atendimento;
- respeito aos direitos do consumidor.
15. Desenvolvimento de fornecedores
Empresas podem trabalhar com fornecedores para melhorar padrões de qualidade, segurança, sustentabilidade e gestão.
Em alguns setores, grande parte dos impactos sociais e ambientais está fora da operação direta da empresa. Por isso, olhar apenas para dentro da organização pode ser insuficiente.
16. Relacionamento com comunidades
Empresas que possuem impacto significativo sobre determinadas regiões podem estruturar canais de diálogo com comunidades.
Projetos sociais podem fazer parte dessa estratégia, mas precisam estar conectados às necessidades reais e ao impacto da organização.
O que é governança no ESG?
Governança representa a estrutura utilizada para administrar, supervisionar e tomar decisões dentro da empresa. É o pilar que ajuda a transformar compromissos ambientais e sociais em processos de gestão. Sem governança, ESG pode permanecer apenas como um conjunto de intenções.
Quais são exemplos de práticas de governança?
17. Código de ética e conduta
O documento estabelece princípios e comportamentos esperados de funcionários, gestores e, dependendo da estrutura, parceiros. Pode abordar temas como:
- conflitos de interesse;
- relacionamento com fornecedores;
- presentes e benefícios;
- assédio;
- corrupção;
- uso de informações;
- proteção de dados.
O código precisa ser conhecido e aplicado para produzir efeito.
18. Políticas anticorrupção
Empresas podem estabelecer regras para prevenir pagamentos indevidos, fraudes e conflitos de interesse. Treinamento e controles internos ajudam a colocar as políticas em prática.
19. Canal de denúncias
Um canal permite que funcionários e outros públicos comuniquem possíveis irregularidades. Para funcionar, precisa oferecer segurança, confidencialidade e tratamento adequado das informações recebidas.
20. Gestão de riscos
Empresas podem mapear riscos financeiros, operacionais, ambientais, sociais, tecnológicos e reputacionais. A gestão ajuda a organização a definir:
- qual é o risco;
- qual a probabilidade;
- qual o impacto;
- quem é responsável;
- como será mitigado;
- como será monitorado.
21. Proteção de dados e cibersegurança
Governança também envolve a maneira como a organização protege informações. Com a digitalização dos negócios, dados passaram a representar um ativo estratégico e uma fonte de risco.
Empresas precisam estabelecer controles de acesso, políticas de segurança e responsabilidades. O tema ganha uma camada adicional com a inteligência artificial. O uso não autorizado de ferramentas, por exemplo, já aparece no debate sobre Shadow AI e o uso invisível de inteligência artificial dentro das empresas.
22. Transparência
Organizações podem estabelecer processos para comunicar informações relevantes aos seus públicos. Isso não significa divulgar todas as informações da empresa. Significa definir critérios claros para prestação de contas e comunicação de dados relevantes.
23. Estrutura de decisão
Conselhos, comitês, diretorias e regras de aprovação ajudam a definir responsabilidades. Mesmo pequenas empresas podem estabelecer:
- quem aprova pagamentos;
- quem contrata fornecedores;
- quem pode acessar contas;
- quem toma determinadas decisões;
- como conflitos de interesse são tratados.
Governança não começa apenas quando a empresa se torna grande.
ESG é só para grandes empresas?
Não. O nível de complexidade precisa ser proporcional ao tamanho e aos riscos da organização. Uma empresa com 20 funcionários provavelmente não precisa criar a mesma estrutura ESG de uma companhia com milhares de funcionários e operações internacionais.
Mas pode adotar práticas simples. Por exemplo:
- acompanhar consumo de energia;
- separar resíduos;
- formalizar regras de contratação;
- criar um código de conduta;
- controlar acessos financeiros;
- acompanhar acidentes;
- avaliar fornecedores;
- proteger dados de clientes.
O objetivo não é reproduzir a estrutura de uma multinacional. É identificar quais temas realmente importam para aquele negócio.
Como uma pequena empresa pode começar no ESG?
Um caminho simples pode ser dividido em etapas.
1. Mapear impactos
Onde a empresa gera maior impacto ambiental, social ou de governança?
2. Identificar riscos
Quais problemas podem gerar perdas financeiras, legais, operacionais ou reputacionais?
3. Escolher prioridades
Não tente resolver tudo ao mesmo tempo.
4. Criar indicadores
Defina como os resultados serão medidos.
5. Estabelecer responsáveis
Toda iniciativa precisa de alguém responsável pelo acompanhamento.
6. Criar metas
Metas ajudam a transformar intenção em gestão.
7. Acompanhar resultados
O desempenho precisa ser revisado periodicamente. No Paraná, o tema já vem sendo tratado também pelo ponto de vista competitivo. O Economia PR mostrou como ESG deixou de ser apenas discurso e passou a ser discutido como vantagem competitiva para empresas.
O que é materialidade no ESG?
Materialidade ajuda a identificar quais temas ESG são mais relevantes para determinada organização. Uma empresa de software pode ter impactos ambientais relativamente menores em determinadas áreas do que uma indústria química.
Ao mesmo tempo, pode enfrentar questões importantes relacionadas a:
- proteção de dados;
- cibersegurança;
- uso responsável de inteligência artificial;
- diversidade;
- retenção de talentos;
- governança tecnológica.
- Já uma indústria pode precisar priorizar:
- energia;
- água;
- resíduos;
- emissões;
- segurança do trabalho;
- cadeia de fornecedores.
A estratégia ESG precisa refletir essas diferenças.
O que é dupla materialidade?
A ideia de dupla materialidade amplia a análise. Ela observa o tema em duas direções: Como questões ambientais e sociais podem afetar financeiramente a empresa? e Como as atividades da empresa afetam pessoas e o meio ambiente?
Imagine uma empresa dependente de grande volume de água. Escassez hídrica pode representar um risco financeiro para o negócio. Ao mesmo tempo, o consumo de água da própria empresa pode gerar impactos sobre a região. As duas perspectivas são relevantes.
Como definir metas ESG?
Metas precisam ser específicas e mensuráveis. “Ser uma empresa mais sustentável” é uma intenção.
“Reduzir o consumo de energia por unidade produzida em determinado percentual dentro de determinado prazo” é uma meta mensurável.
A mesma lógica pode ser utilizada em diferentes pilares. Por exemplo:
- reduzir acidentes;
- aumentar horas de treinamento;
- reduzir geração de resíduos;
- melhorar eficiência energética;
- ampliar avaliação de fornecedores;
- reduzir ocorrências de segurança.
As metas devem fazer sentido para a realidade da organização.
Quais indicadores ESG uma empresa pode acompanhar?
Os indicadores dependem do negócio.
Ambientais
- consumo de energia;
- consumo de água;
- emissões;
- resíduos gerados;
- percentual de resíduos reciclados;
- utilização de matérias-primas.
Sociais
- acidentes;
- turnover;
- absenteísmo;
- treinamento;
- indicadores de diversidade;
- satisfação de funcionários;
- reclamações de clientes.
Governança
- denúncias recebidas;
- casos investigados;
- treinamentos de compliance;
- incidentes de segurança;
- fornecedores avaliados;
- conflitos de interesse identificados.
Mais indicadores não significam necessariamente melhor gestão. O importante é acompanhar aquilo que realmente ajuda a empresa a tomar decisões.
ESG pode reduzir custos?
Em alguns casos, sim.
Eficiência energética pode reduzir a conta de energia. Redução de desperdícios pode diminuir consumo de matéria-prima. Melhor planejamento logístico pode reduzir combustível. Prevenção de acidentes pode diminuir interrupções e custos. Gestão de riscos pode evitar perdas.
Por isso, determinadas iniciativas ESG podem produzir benefícios ambientais ou sociais e, ao mesmo tempo, melhorar eficiência operacional.
ESG pode aumentar receita?
Também pode acontecer. Clientes empresariais podem estabelecer requisitos ESG para fornecedores. Produtos com determinados atributos podem conquistar novos mercados.
Boas práticas podem facilitar participação em cadeias globais ou processos de contratação. Mas não existe garantia de que qualquer ação ESG aumentará vendas. O impacto depende do setor, cliente, mercado e estratégia.
Como ESG afeta fornecedores?
Grandes empresas podem estabelecer critérios mínimos para suas cadeias. Isso faz com que requisitos cheguem também às pequenas e médias empresas. Um fornecedor pode ser questionado sobre:
- práticas trabalhistas;
- emissões;
- origem de matérias-primas;
- proteção de dados;
- ética;
- segurança;
- licenciamento;
- gestão ambiental.
Por isso, uma PME pode precisar desenvolver práticas ESG mesmo que não tenha investidores cobrando diretamente o tema. A exigência pode vir do próprio cliente.
Qual é a relação entre ESG e inovação?
Muitos desafios ESG exigem novas soluções. Reduzir consumo de energia pode exigir tecnologia. Rastrear fornecedores pode exigir sistemas de dados.
Diminuir desperdício pode exigir novos processos. Criar produtos circulares pode exigir novos modelos de negócio. Isso aproxima ESG de inovação.
No Paraná, essa conexão aparece em iniciativas como o Parque Tecnológico da Indústria, que reúne projetos e recursos voltados à inovação.
Qual é a relação entre ESG e economia circular?
Economia circular busca reduzir a lógica linear de: extrair → produzir → usar → descartar.
Empresas podem tentar manter produtos e materiais em circulação por mais tempo por meio de:
- reutilização;
- reparo;
- remanufatura;
- reciclagem;
- compartilhamento;
- novos modelos de serviço.
Essa abordagem pode fazer parte do pilar ambiental de uma estratégia ESG. Mas economia circular é um conceito próprio e não deve ser tratada simplesmente como sinônimo de ESG.
Qual é a relação entre ESG e inteligência artificial?
A inteligência artificial pode ajudar empresas a monitorar indicadores, analisar grandes volumes de dados e identificar oportunidades de eficiência.
Pode ser utilizada, por exemplo, para:
- otimizar consumo energético;
- prever manutenção;
- analisar cadeias de fornecedores;
- identificar anomalias;
- automatizar relatórios.
Ao mesmo tempo, a própria utilização de IA cria novas questões de governança.
Empresas precisam discutir:
- privacidade;
- segurança;
- qualidade dos dados;
- vieses;
- responsabilidade;
- permissões;
- supervisão humana.
Ou seja, inteligência artificial pode ajudar a estratégia ESG e, simultaneamente, criar novos riscos que precisam ser administrados.
O que é greenwashing?
Greenwashing ocorre quando uma organização comunica uma imagem ambientalmente responsável sem que suas práticas sustentem adequadamente essa percepção.
Pode acontecer por meio de:
- afirmações vagas;
- informações sem evidências;
- exagero de benefícios;
- omissão de impactos relevantes;
- uso de termos ambientais sem critérios claros.
O risco aumenta quando a comunicação corre mais rápido do que a gestão. Uma empresa deveria primeiro estruturar práticas, indicadores e evidências. Depois, comunicar.
Como evitar greenwashing?
Algumas práticas ajudam:
- Utilizar dados verificáveis.
- Evitar afirmações genéricas.
- Explicar critérios e metodologia.
- Apresentar avanços e limitações.
- Não transformar uma pequena iniciativa em representação de toda a empresa.
- Manter documentação.
- Revisar alegações antes da publicação.
Transparência também significa reconhecer o que ainda precisa melhorar.
ESG precisa gerar relatório?
Nem toda empresa precisa produzir um relatório complexo. A necessidade depende de porte, regulamentação, investidores, clientes e estratégia. Mas registrar informações é importante.
Uma pequena empresa pode começar com um painel interno de indicadores. Organizações maiores podem utilizar estruturas de reporte mais sofisticadas. O relatório não deveria ser o objetivo final. Ele é uma forma de organizar e comunicar uma gestão que precisa existir antes da publicação.
Quem deve ser responsável pelo ESG?
ESG não deveria ficar isolado em uma única área. O ambiental pode envolver operações. O social pode envolver RH, segurança e relacionamento com clientes.
A governança envolve liderança, jurídico, compliance, tecnologia e finanças. Por isso, diferentes áreas precisam participar. A alta liderança possui papel importante porque muitas decisões ESG envolvem investimentos, riscos e prioridades estratégicas.
Quais são os erros mais comuns na estratégia ESG?
Entre os erros estão:
- copiar práticas de outras empresas sem avaliar materialidade;
- criar metas impossíveis de medir;
- tratar ESG apenas como marketing;
- acompanhar indicadores demais;
- não definir responsáveis;
- ignorar fornecedores;
- comunicar resultados sem evidências;
- criar políticas que não são aplicadas;
- iniciar muitos projetos simultaneamente;
- separar ESG da estratégia do negócio.
A quantidade de iniciativas não define a qualidade da estratégia.
Como transformar ESG em gestão?
Uma maneira simples é utilizar uma sequência: Impacto → prioridade → meta → ação → indicador → resultado.
Por exemplo:
- Impacto: alto consumo de energia.
- Prioridade: eficiência energética.
- Meta: reduzir consumo por unidade produzida.
- Ação: modernizar equipamentos e monitorar consumo.
- Indicador: kWh por unidade.
- Resultado: comparação periódica do desempenho.
Essa lógica transforma um conceito amplo em gestão empresarial.
ESG pode ser uma vantagem competitiva?
Pode, dependendo do setor e da maneira como é aplicado. Uma boa gestão ESG pode ajudar a empresa a:
- reduzir desperdícios;
- administrar riscos;
- atender exigências de clientes;
- melhorar processos;
- atrair determinados profissionais;
- desenvolver novos produtos;
- fortalecer governança;
- acessar determinados mercados.
Mas ESG não deveria ser tratado como uma fórmula automática para obter vantagem competitiva. O valor aparece quando as iniciativas resolvem problemas relevantes do negócio e de seus públicos.
ESG é custo ou investimento?
Pode ser os dois. Instalar equipamentos mais eficientes exige investimento. Criar controles e auditorias gera custos. Treinar funcionários consome recursos.
Mas essas iniciativas também podem reduzir perdas, melhorar eficiência ou diminuir riscos. Por isso, cada projeto precisa ser analisado individualmente. A pergunta mais útil não é simplesmente “quanto ESG custa?”. É: Qual problema estamos tentando resolver, quanto custa resolvê-lo e qual é o impacto esperado?
Como saber se uma estratégia ESG está funcionando?
A resposta precisa aparecer nos indicadores. A empresa pode perguntar:
- O consumo de energia diminuiu?
- Os acidentes foram reduzidos?
- O turnover mudou?
- A quantidade de resíduos caiu?
- Os fornecedores estão sendo avaliados?
- Os riscos estão sendo tratados?
- Os incidentes de segurança diminuíram?
- As metas estão sendo cumpridas?
Se não existe uma forma de medir resultado, fica difícil saber se a iniciativa está funcionando.
ESG na prática: por onde começar?
Uma empresa que ainda não possui uma estratégia estruturada não precisa começar criando dezenas de projetos. Pode começar respondendo a cinco perguntas:
1. Quais são nossos principais impactos ambientais, sociais e de governança?
2. Quais deles representam maior risco ou oportunidade para o negócio?
3. O que já fazemos hoje?
4. O que precisa melhorar primeiro?
5. Como vamos medir o resultado?
A partir daí, ESG deixa de ser apenas uma sigla e começa a fazer parte da gestão. O objetivo não é acumular iniciativas para comunicar. É construir empresas capazes de compreender melhor seus impactos, administrar riscos e tomar decisões de longo prazo.
Perguntas frequentes sobre ESG nas empresas
O que é ESG?
ESG significa Environmental, Social and Governance, ou ambiental, social e governança. O conceito reúne aspectos relacionados aos impactos, riscos e práticas empresariais nesses três pilares.
Quais são exemplos de práticas ambientais?
Eficiência energética, gestão de resíduos, redução do consumo de água, redução de emissões, melhoria logística e uso mais eficiente de matérias-primas são alguns exemplos.
Quais são exemplos de práticas sociais?
Saúde e segurança, capacitação, diversidade e inclusão, combate ao assédio, relacionamento responsável com clientes e desenvolvimento de fornecedores.
Quais são exemplos de governança?
Código de conduta, políticas anticorrupção, gestão de riscos, proteção de dados, controles internos, canais de denúncia e estruturas claras de decisão.
Pequenas empresas podem aplicar ESG?
Sim. As práticas devem ser proporcionais ao tamanho, aos impactos e aos riscos de cada negócio.
O que é materialidade ESG?
É o processo de identificar quais temas ambientais, sociais e de governança são mais relevantes para determinada organização.
O que é greenwashing?
É a comunicação de uma imagem ambientalmente responsável que não é adequadamente sustentada pelas práticas ou evidências da organização.
ESG pode reduzir custos?
Algumas iniciativas podem reduzir consumo de energia, matérias-primas, desperdícios, acidentes ou outros custos operacionais.
ESG e sustentabilidade são a mesma coisa?
Os conceitos estão relacionados, mas não são exatamente sinônimos. ESG funciona como uma abordagem para incorporar fatores ambientais, sociais e de governança à gestão e à análise das empresas.
Como começar uma estratégia ESG?
O primeiro passo é mapear impactos e riscos, identificar prioridades, estabelecer indicadores e responsáveis e definir ações e metas compatíveis com a realidade da empresa.