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38% dos brasileiros já usam IA para pesquisar produtos antes da compra

kaboompics/pexels

A ida ao supermercado continua concentrada nas lojas físicas, mas a decisão sobre o que colocar no carrinho começa cada vez mais no ambiente digital. Pesquisa da Neogrid, em parceria com o Opinion Box, mostra que 77,7% dos brasileiros combinam canais físicos e digitais na rotina de abastecimento do lar, enquanto 38,4% já utilizam inteligência artificial em alguma etapa da jornada de compra.

Entre os consumidores que recorrem à IA, ferramentas como ChatGPT, Gemini e similares são utilizadas principalmente para buscar recomendações, comparar produtos e encontrar promoções.

Os dados fazem parte do estudo “O Novo Carrinho do Brasileiro: o que mudou nas escolhas de consumo e o que isso revela sobre o futuro do abastecimento”.

Preço é pesquisado antes da compra

O levantamento mostra que 64,5% dos entrevistados verificam preços sempre ou frequentemente antes de comprar um produto.

O celular ocupa uma posição central nesse comportamento: 75,8% afirmam utilizar recursos digitais para economizar no orçamento doméstico.

Entre quem utiliza inteligência artificial, 45,4% recorrem à tecnologia para pesquisar sugestões de presentes ou produtos, 45,2% para comparar duas ou mais opções e 37,5% para procurar cupons de desconto. Outros 30,4% usam IA para resumir avaliações e comentários publicados por consumidores na internet.

“O consumidor ganhou meios para consultar, cotejar e rever escolhas, mas a palavra final segue com ele. Para o varejo e a indústria, a disputa pela preferência começa antes da gôndola e continua enquanto o cliente caminha pelos corredores”, afirma Leandro Murta, diretor-executivo da Neogrid.

Loja física ainda lidera abastecimento

Apesar da digitalização da jornada, supermercados e hipermercados continuam sendo o principal formato escolhido para a compra de alimentos e bebidas, concentrando 39,3% das preferências.

Os atacarejos aparecem na sequência, com 23,9%, seguidos por mercados de bairro e hortifrutis, com 9,7%. Marketplaces representam 8,9%; e-commerce próprio das redes, 6,8%; e aplicativos de entrega, 6,5%.

Os dados indicam, portanto, menos uma substituição da loja física pelo comércio eletrônico e mais uma integração entre diferentes canais.

Nas compras de rotina, 32,9% dos entrevistados afirmam utilizar tanto o comércio físico quanto o digital. Outros 25,1% priorizam estabelecimentos presenciais, mas também recorrem à internet eventualmente.

Jovens lideram uso de IA no e-commerce

A utilização da inteligência artificial também varia conforme a idade. Entre os consumidores que usam IA no comércio eletrônico, 45,5% têm entre 16 e 24 anos, enquanto 29,9% possuem 50 anos ou mais.

O recorte ganha relevância quando comparado a quem controla as compras domésticas: entre os únicos responsáveis pelo abastecimento da casa, 49,2% possuem 50 anos ou mais.

A confiança nas recomendações produzidas por IA também ainda passa pela avaliação humana. Em uma escala utilizada pela pesquisa, 36% dos entrevistados atribuíram nota 4 às sugestões de produtos e marcas feitas pela tecnologia e 23,7% deram a nota máxima.

Consumidor usa tecnologia para economizar

O uso de ferramentas digitais para controlar gastos já é mais difundido do que a própria inteligência artificial. Entre os entrevistados, 23,9% afirmam recorrer frequentemente a recursos digitais para economizar e 51,9% fazem isso de maneira moderada.

As principais estratégias incluem:

  • aplicativos com ofertas exclusivas, utilizados por 39%;
  • programas de fidelidade, por 35,9%;
  • cashback, por 26,9%;
  • encartes digitais, por 26,1%.

Assistentes virtuais também começam a participar dessa busca: 18,7% dos consumidores utilizam essas ferramentas para localizar promoções.

Falta de produto pode levar cliente à concorrência

Se o digital influencia a descoberta e a comparação, a disponibilidade na gôndola continua decisiva para concluir a venda.

Quando não encontram o produto desejado, 43,4% dos consumidores procuram a mesma marca em outro estabelecimento. Outros 34% trocam de fabricante, mas permanecem na mesma categoria, enquanto 22,6% optam por outro produto da mesma empresa.

O impacto da ruptura pode continuar mesmo depois da compra. Entre os consumidores que mudam de fabricante quando o produto está indisponível, 21,6% afirmam que a experiência faz com que passem a considerar marcas concorrentes com maior frequência no futuro.

Outro dado dimensiona o problema: 80,4% dos entrevistados já se interessaram por uma promoção anunciada, mas não encontraram o produto disponível na loja.

“Com mais caminhos para pesquisar e comprar, a tolerância para falhas na execução diminui. A reposição nas gôndolas precisa acompanhar esse ritmo, pois a decisão de levar outro item ou mudar de canal acontece em questão de minutos”, destaca Leandro Murta.

O cenário mostra que a digitalização do consumo não elimina a importância da loja física. Pelo contrário: enquanto inteligência artificial, aplicativos e comparadores passam a influenciar a escolha antes da compra, estoque, preço e disponibilidade continuam determinando se o interesse será convertido em venda.

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