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Da resposta à antecipação: como dados, tecnologia e decisão podem mudar a gestão climática 

Por Venicios Santos, diretor de Negócios da Codex.

Temos hoje mais dados, tecnologia e capacidade de monitoramento do que em qualquer outro momento. Ainda assim, eventos climáticos extremos continuam mostrando como é difícil transformar informação em resposta rápida. Em uma crise, saber o que está acontecendo não basta: é preciso interpretar os sinais e decidir com antecedência.

O avanço de sistemas digitais, sensores, imagens de satélite e ferramentas de inteligência artificial ampliou a capacidade de monitorar situações de risco e acompanhar eventos em tempo real. Essas tecnologias permitem reunir informações de diferentes fontes e identificar mudanças com maior rapidez. O desafio, porém, não está apenas em obter os dados, mas em interpretá-los de forma adequada e transformá-los em decisões no momento necessário.

É nesse ponto que a quantidade de informação pode se tornar um problema. O excesso de dados pode dificultar escolhas e fazer com que a decisão demore a ser tomada. Para organizações públicas e privadas, isso significa que ampliar a coleta de informações não resolve, por si só, os problemas de gestão. É necessário desenvolver uma cultura capaz de transformar dados em conhecimento e conhecimento em ação.

Essa mudança de perspectiva ganha ainda mais importância diante das mudanças climáticas. Em situações de emergência, diferentes fontes de informação precisam ser integradas para que gestores tenham uma visão mais completa do cenário. Monitoramento ambiental, imagens de satélite, indicadores, sistemas de gestão de emergências e informações sobre infraestrutura podem deixar de funcionar apenas como instrumentos de diagnóstico e passar a apoiar decisões preventivas.

No campo climático, essa capacidade pode representar uma mudança da reação para a prevenção. Em 2025, o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) emitiu 2.505 alertas de risco geo-hidrológico para 1.133 municípios e registrou 1.493 ocorrências relacionadas a eventos hidrológicos e geológicos. Isso mostra que o monitoramento é uma etapa importante para reduzir o intervalo entre a identificação de uma ameaça e a adoção de medidas.

Mas a tecnologia, sozinha, não resolve a situação. É essencial combinar ferramentas, processos e pessoas. A inteligência artificial, por exemplo, pode ampliar a capacidade de analisar grandes volumes de informação, mas também introduz questões sobre critérios, responsabilidades e limites das decisões automatizadas. Os padrões utilizados pelos sistemas são resultado de escolhas humanas, o que mantém a responsabilidade sobre as decisões como uma questão central.

Em situações de emergência, essa responsabilidade ganha uma dimensão ainda maior. Decidir onde concentrar equipes, quais estruturas precisam ser monitoradas, quando emitir um alerta ou quais áreas demandam atenção prioritária não é apenas uma questão tecnológica. São decisões que dependem de contexto, experiência, protocolos e interpretação das informações disponíveis.

Na minha visão, o próximo passo da gestão climática não deveria ser medido apenas pela capacidade de acumular mais dados. O desafio está em construir estruturas capazes de transformar esses dados em decisões compreensíveis, rápidas e coordenadas. Isso envolve integrar informações, qualificar profissionais, estabelecer responsabilidades e criar processos que permitam agir antes que os riscos se convertam em emergências.

O avanço tecnológico abre uma oportunidade concreta para essa mudança. Dados, inteligência artificial, monitoramento e sistemas integrados podem contribuir para uma gestão mais preventiva e estratégica. Mas o resultado dependerá da capacidade das organizações de colocar essas ferramentas dentro de uma lógica de decisão.

A questão, portanto, deixa de ser simplesmente quanto conseguimos monitorar. Passa a ser o que fazemos com aquilo que monitoramos – e quão cedo conseguimos fazer isso. Se os dados forem utilizados apenas para explicar o desastre depois que ele acontece, continuaremos presos à lógica da resposta. Quando forem integrados a processos capazes de antecipar riscos e orientar ações, poderão cumprir uma função diferente: ajudar a preparar a sociedade antes que a crise chegue.

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