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Eleição, juros e SC: tudo o que a sua tech precisa saber em 7 minutos

Foto: gerada por IA

Ontem o Brasil não escolheu só quem vai para o 2º turno. Escolheu o clima econômico de 2027. E, para quem toca empresa de tecnologia, clima econômico tem nome: custo do dinheiro.

Vou direto ao ponto: o que mudou, o que muda para as techs e quem vai decidir as regras do jogo em Santa Catarina nos próximos quatro anos.

O resultado em 30 segundos

  • Flávio Bolsonaro (PL) fez 47,03% dos votos válidos e Lula (PT), 45,16% (Exame). O 2º turno é em 25 de outubro.
  • As pesquisas apontavam o contrário: na véspera, a média delas dava Lula na frente (JOTA).
  • O Congresso que assume em 2027 ficou mais à direita.

Para quem empreende, esse último ponto pesa tanto quanto o nome no Planalto. É o Congresso que vota imposto, regra trabalhista e orçamento.

O que mais chamou atenção no Brasil

  • Recorde histórico: Nikolas Ferreira (PL-MG) fez 3,1 milhões de votos e virou o deputado federal mais votado da história do país, o dobro do que teve em 2022 (Terra).
  • Logo atrás: Lucas Pavanato (PL-SP) fez 3 milhões. Os dois passaram o recorde anterior, de Eduardo Bolsonaro em 2018, com 1,84 milhão.
  • Do outro lado: Erika Hilton (PSOL-SP) foi a terceira mais votada, com 1,6 milhão.
  • São Paulo: Tarcísio de Freitas foi reeleito governador já no 1º turno.
  • Distrito Federal: Michelle Bolsonaro foi eleita senadora.
  • Rio de Janeiro: Douglas Ruas (PL) passou Eduardo Paes e quase venceu no 1º turno.
  • Surpresa negativa: Romeu Zema (Novo) não chegou a 1% na disputa para presidente (Gazeta do Povo).

O recado das urnas: a direita chega a 2027 com força no Congresso e nos estados, ganhe quem ganhar a Presidência.

O cenário econômico em 1 minuto

  • Bolsa: o Ibovespa chegou à eleição no maior nível desde abril, com 192 mil pontos. Analistas esperam alta, e tem gente projetando 200 mil (Seu Dinheiro).
  • Juros: a Selic está em 13,75% e o mercado espera 13,50% até dezembro (Money Times). Se o próximo governo mostrar que vai controlar gastos, os cortes podem vir mais rápido.
  • Dólar: fechou a sexta em R$ 5,22 e já vem caindo no ano. Se a confiança nas contas públicas vier, o real tende a ficar mais forte.
  • Lá fora: os Estados Unidos subiram os juros em setembro (Forbes). Isso limita o quanto o Brasil consegue aliviar, ganhe quem ganhar.

Resumo: o mercado está apostando em contas públicas mais arrumadas. Se a aposta se confirmar, o dinheiro fica mais barato. Se não, ele devolve tudo.

O que muda para as techs

Dinheiro mais barato (ou não). Com a Selic a 13,75%, o investidor ganha bem deixando o dinheiro parado na renda fixa. Cada ponto de juros que cai deixa o seu round mais atraente. Mas isso leva meses, não dias.

Nuvem e IA mais baratas. Boa parte do custo de uma tech é em dólar: servidor, ferramentas, tokens de IA. Real mais forte é margem melhor sem mexer no preço.

Imposto: previsibilidade, não desconto. Ninguém está prometendo imposto menor para software amanhã. A reforma tributária segue, e em 2027 a CBS substitui PIS/Cofins. O ganho real é menos susto.

Trabalho: de olho na escala 6×1. O fim da escala 6×1 está em debate no Congresso, e eleitos de SC como Julia Zanatta e Gilson Marques se posicionaram contra. Para tech com suporte, CS ou vendas, isso mexe direto na folha.

O investidor vai voltar? Pode voltar. Mas vai voltar para empresa eficiente. Burn Multiple alto continua sendo porta fechada.

SC: quem vai decidir as regras do jogo e o que defende

Santa Catarina entregou ao PL o governo, as três cadeiras do Senado e a maior bancada da Alesc, a Assembleia Legislativa, onde se votam as leis estaduais, o orçamento e o ICMS.

Governo: Jorginho Mello (PL) e Adriano Silva (Novo)

Reeleito no 1º turno com cerca de 69% dos votos (TRE-SC). O plano de governo 2027 a 2030 promete, para quem empreende (Jornal Razão):

  • Manter SC como o ambiente de negócios mais livre do país.
  • Desburocratização e governo digital: cortar exigências repetidas para quem quer abrir e tocar empresa.
  • Ensino profissional e tecnológico gratuito, ligado à vocação de cada região.
  • Internet no campo e ferrovias com parceria público-privada.

Ponto de atenção: o plano não traz valores nem prazos. Cobrar isso é tarefa do ecossistema.

Senado: Carol de Toni e Carlos Bolsonaro (PL)

  • Carol de Toni (33,5%, a mais votada): defendeu redução de impostos e mais voz de SC na definição dos recursos federais (Rádio Senado). Preside a Frente Parlamentar pelo Livre Mercado. É a voz mais alinhada à pauta de negócios.
  • Carlos Bolsonaro (25,4%): fez campanha focada em levar recursos para a saúde, hospitais filantrópicos e cirurgias.

Esperidião Amin sai do Senado. Jorge Seif (PL) fica até 2031.

Câmara: 16 deputados federais

Os destaques para quem empreende:

  • Julia Zanatta (PL), a mais votada, com 560.223 votos. A bandeira principal é armas, e ela se posicionou contra o fim da escala 6×1.
  • Gilson Marques (Novo): critica a regulamentação da reforma tributária, que para ele tem exceções demais e aumenta imposto (Revista Oeste). Defende a reforma administrativa e é contra o fim da 6×1.

Todos os eleitos (Correio SC):

  • PL (7): Julia Zanatta, Jair Renan Bolsonaro, Sargento Lima, Daniela Reinehr, Zé Trovão, Ricardo Guidi, Daniel Freitas
  • PT (2): Ana Paula Lima, Professor Pedro Uczai
  • Um eleito cada: Pezenti (MDB), Gilson Marques (Novo), Giovana Mondardo (PCdoB), Julio Garcia (PSD), Zé Milton (PP), Paulinha (Podemos), Geovania de Sá (Republicanos)

Alesc: 40 deputados estaduais

Os destaques para quem empreende:

  • Ana Campagnolo (PL), a mais votada, com 387.523 votos. A pauta dela é família e educação, com defesa de liberdade econômica e propriedade privada. Para SC, o peso está na força política: com essa votação, ela chega com poder para puxar a maior bancada da Assembleia.
  • Bruno Souza (PL), de Florianópolis: defende desburocratização e vota contra qualquer aumento de imposto. Atua na frente parlamentar de livre comércio e desburocratização, que discute projetos que afetam a iniciativa privada (ACIF).

Todos os eleitos:

  • PL (16): Ana Campagnolo, Guilherme Colombo, Massocco, Camilo Martins, Jessé Lopes, Carlos Humberto, Oscar Gutz, Delegado Ulisses Gabriel, Marcos da Rosa, Maurício Peixer, Juliana Maciel, Sorgatto, Wilian Tonezi, Bruno Souza, Chica do Eskudlark, Marcius Machado
  • PT (5): Luciane Carminatti, Jean Volpato, Fabiano da Luz, Neodi Saretta, Padre Pedro
  • MDB (4): Fernando Krelling, Mauro de Nadal, Jerry Comper, Tiago Zilli
  • Republicanos (3): Lucas Neves, Sergio Motta, Anna Carolina
  • PSD (3): Clesio Salvaro, Mário Motta, Napoleão Bernardes
  • União (2): Sérgio Guimarães, Dr. Vicente
  • PP (2): Pepê Collaço, Altair Silva
  • Podemos (2): Osmar Teixeira, Fabio Botelho
  • Um eleito cada: Marquito (PSOL), Odair Tramontin (Novo), Rodrigo Minotto (PDT)

E Floripa?

Em 2022, Florianópolis foi a cidade catarinense com a disputa mais equilibrada, 53% a 46,7% (SBT News). O estado vota em bloco, mas o ecossistema de tecnologia da Ilha é plural. Isso é força, não fraqueza.

Com governo, Senado e Alesc alinhados, acabou a desculpa de falta de articulação. A cobrança agora é de entrega.

O que observar até 25/10

A eleição não acabou. A diferença foi de menos de 2 pontos.

  • Quem Caiado, Zema, Cury e Renan Santos vão apoiar.
  • Quem será o nome da economia de cada candidato.
  • Juros de longo prazo e dólar: se voltarem a subir, é sinal de que o mercado está duvidando.

Minha regra: não refaça o orçamento de 2027 por causa de uma segunda-feira de bolsa em alta. Monte dois cenários e decida hoje o que te faz mudar de um para o outro.

Para fechar

O Brasil pode estar entrando num momento de juros menores e dinheiro mais barato. Ótimo. Mas cenário bom não salva empresa mal gerida. Só tira a desculpa.

Quem vai aproveitar 2027 é quem chegar com receita por funcionário alta, queima de caixa sob controle e um modelo que cobra por resultado, não por usuário.

Então a pergunta para o seu board nesta semana não é “quem vai ganhar?”. É: se o dinheiro ficar mais barato, a sua empresa está pronta para merecer ele?

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fundadora da FinHasse e mentora de inovação, com 10 anos de experiência em finanças para tecnologia e passagens que vão de startups a bigtechs.

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