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O mercado não vota, ele precifica: o que a eleição muda no seu CNPJ

Na segunda-feira depois da eleição, a bolsa caiu 13,88% e o dólar subiu 8,21%, a R$ 5,40. A negociação chegou a parar: o circuit breaker, mecanismo que pausa a bolsa quando a queda é forte demais, foi acionado. O seu CNPJ sentiu isso antes de você ler a notícia. Na terça, o mercado devolveu parte da queda. O recado, porém, ficou: quem planeja 2027 com os números de setembro já está desatualizado.

O mercado não vota, ele precifica

O mercado não tem lado. Ele apostava em um resultado, veio outro, e as posições foram desfeitas em um dia. O motivo mais citado é o risco fiscal: o medo de o governo gastar mais do que arrecada e precisar de mais dívida para fechar a conta. Dívida maior pressiona o dólar e os juros. E o mercado ainda não sabe quem vai comandar a Fazenda nem como será o Orçamento de 2027. Para a empresa de tecnologia, o que interessa é o efeito na ponta: juros e dólar.

O que não muda

Três coisas seguem exatamente como estavam, e nenhuma depende de quem ganhou:

  • A reforma tributária. Está na Constituição e em lei complementar. Em 2027 a CBS substitui o PIS e a Cofins, no calendário que já conhecemos.
  • As regras do Simples para 2027, inclusive a escolha do regime regular de CBS e IBS, que venceu na sexta-feira passada.
  • O novo teto do MEI. A Lei Complementar 238/2026 foi sancionada em 21 de outubro: R$ 110 mil em 2027.

O que muda

1. O crédito. A Selic está em 13,75%, e o último Focus que mostra a projeção para o fim de 2027 (12%) é anterior à eleição. Os juros futuros dispararam na segunda. Se você vai precisar de crédito ou de capital em 2027, conte com juro alto por mais tempo (artigo 4).

2. O custo em dólar. Nuvem, APIs de IA cobradas por token, ferramentas e equipamentos importados são custos em dólar, e o seu contrato com o cliente costuma ser em real.

Exemplo: se 20% da sua receita vira custo em dólar e o dólar sobe 8%, a margem bruta perde cerca de 1,6 ponto, desde que o preço em real não mude.

3. O cliente. Em cenário incerto, o comprador costuma alongar o ciclo de decisão e negociar mais. Quem vende para empresa sente primeiro.

O que olhar nas próximas semanas

  • 3 e 4 de novembro: Copom, com a Selic em 13,75%.
  • Ministro da Fazenda e Orçamento de 2027: o governo reafirmou a meta de superávit primário de 0,5% do PIB, e o mercado vai cobrar como ela será cumprida (artigo 6).
  • Até 15 de dezembro: o Senado fixa a alíquota da CBS que vai entrar no seu preço.

Checklist para MEI e ME

  • Liste as três maiores despesas da empresa e marque quais dependem de dólar (nuvem, ferramentas, equipamentos) ou de juros (empréstimo, financiamento, antecipação de recebíveis).
  • Calcule quanto cada uma representa da sua receita. Esse número diz quanto da sua margem está exposta.
  • Confira nos contratos de nuvem e de ferramentas se o preço é em dólar ou em real, e quando renova.
  • Anote o vencimento das dívidas e dos financiamentos com juro variável (atrelado à Selic ou ao CDI).
  • Converse com os cinco maiores clientes sobre o que está previsto até dezembro (compra, renovação, reajuste). Em cenário incerto a decisão costuma atrasar, e você precisa saber quanto da receita de novembro e dezembro pode escorregar para 2027.
  • Se você é MEI, o efeito vem pelo preço do que compra para produzir ou revender. Anote os itens importados ou atrelados ao dólar.

O mercado já fez a conta dele. A sua empresa já fez a dela?

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fundadora da FinHasse e mentora de inovação, com 10 anos de experiência em finanças para tecnologia e passagens que vão de startups a bigtechs.

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