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Terrá Jurerê é selecionado para o Prêmio Saint-Gobain AsBEA de Arquitetura

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Neste mês, o Terrá Jurerê · Wellness Living foi selecionado para para o Prêmio Saint-Gobain AsBEA de Arquitetura, na categoria Edifícios e Conjuntos Residenciais. 

Na sua 11ª edição, a premiação distribuiu mais de R$ 270 mil entre as categorias, incluindo Edifícios e Conjuntos Residenciais, avaliando critérios como conforto térmico, acústico, visual e impacto no bem-estar dos usuários. 

O resultado final ainda será divulgado, e o mérito da seleção é do arquiteto André Fornari e de sua equipe. Mas falo aqui com um interesse que preciso deixar explícito: sou um dos idealizadores do empreendimento, estruturado a preço de custo em Jurerê. 

E é por isso que posso contar como essa decisão foi tomada e por que ela desafia a ideia bastante difundida no mercado imobiliário de que construir a preço de custo é sinônimo de projeto simples. Prédio enxuto, fachada genérica, áreas comuns no mínimo necessário. 

Afinal, se o objetivo é economizar, por que gastar com arquitetura? 

A pergunta parte de uma premissa errada, pois ela trata arquitetura como despesa, quando na verdade é uma das poucas decisões de um empreendimento que continuam gerando efeito muito depois da entrega das chaves. 

No modelo tradicional de incorporação, uma parte relevante do preço final de um imóvel corresponde à margem de quem incorpora (dado que já detalhei nesta coluna, com base em levantamento da Grant Thornton Brasil mostrando margem bruta de 32,8% entre incorporadoras listadas na B3). 

No modelo a preço de custo, essa margem não existe. Então a pergunta que importa se torna: o que fazer com o recurso que deixaria de ir para essa margem?

O que a pesquisa diz sobre arquitetura e valor (sem exagero)

É preciso ser honesto sobre o que a evidência realmente mostra, porque o mercado imobiliário repete a frase “arquitetura autoral valoriza o imóvel” com uma frequência que não corresponde à qualidade da evidência por trás dela. 

Um levantamento recente sobre o tema no Brasil, que revisou a literatura acadêmica internacional sobre o assunto, incluindo o estudo de Fuerst sobre certificação e assinatura em edifícios, chega a uma conclusão muito precisa de que assinatura de arquiteto influencia a velocidade de venda e a percepção inicial do comprador, mas não garante, sozinha, um piso de preço na revenda. 

O que de fato protege o valor ao longo do tempo é a qualidade de implantação, a ventilação, a relação com a rua e o dimensionamento correto das áreas comuns, e não o nome do escritório estampado no material de vendas.

Lazer superdimensionado, segundo a mesma análise, tende a destruir liquidez no mercado secundário, o condomínio fica caro de manter, os espaços ficam vazios, e isso pesa contra o imóvel na hora da revenda, independentemente de quem assinou o projeto.

Já no segmento internacional de branded residences, empreendimentos assinados por marcas e escritórios de prestígio, estudos apontam valorização de até 30% superior em relação a empreendimentos tradicionais equivalentes, o que mostra que o efeito existe, mas é mais condicional do que a propaganda do setor costuma deixar transparecer.

Acabamentos se renovam, móveis são trocados, tecnologia envelhece em poucos anos, mas a implantação de um prédio, a forma como a luz entra, a qualidade das áreas comuns: isso e mantém. 

É o que o morador sente todos os dias e o que o próximo comprador percebe na primeira visita, e é esse tipo de decisão, estrutural e irreversível, que separa um projeto genérico de um projeto pensado.

Um caso de Jurerê

O Terrá Jurerê fica num bairro que, em 2025, teve a maior valorização de Florianópolis, uma alta de 50% no metro quadrado em um único ano. 

Desde o início, escolhemos investir em arquitetura autoral. O projeto é do arquiteto André Fornari, que trabalhou a partir da premissa de um edifício deve ser pensado a partir do bem-estar de quem vai morar. Jardineiras em todos os pavimentos, uma fruição pública conectando duas ruas do bairro, e um pavimento inteiro dedicado a saúde, convívio e descanso, como parte da estrutura do próprio projeto, a mesma lógica que já defendi nesta coluna ao falar sobre a diferença entre wellness tratado como arquitetura e wellness tratado como item de lista.

A seleção para o Prêmio Saint-Gobain AsBEA serve como validação externa de algo que defendo há anos: preço de custo e arquitetura de qualidade não são opostos.

O que Florianópolis ganha com isso

Florianópolis vive um momento de forte demanda imobiliária, e a tentação de acelerar lançamentos com projetos padronizados é verdadeira, principalmente num mercado onde, como venho mostrando nesta coluna, a escassez de terreno já mantém o preço sozinha, mesmo sem esforço adicional de projeto. 

É nesse contexto que a decisão de investir em arquitetura deixa de ser diferencial competitivo. Uma cidade que atrai moradores e investidores de todo o país pela qualidade de vida precisa de edifícios à altura dessa promessa, não apenas de edifícios que vendem rápido porque o terreno em si já é raro.

Quando o recurso que deixaria de ser margem é direcionado para arquitetura, paisagismo e espaços de convívio bem dimensionados, quem ganha não é só o investidor. Ganha o morador, ganha a rua, ganha o bairro. É uma forma de construir que soma à cidade, em vez de apenas ocupar terreno.

Arquitetura não é custo. É patrimônio. E, segundo a evidência disponível, não por vaidade, mas porque é uma das poucas decisões de um empreendimento que continuam protegendo valor muito depois de o marketing do lançamento ter terminado.

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Fundador do Grupo Maier, atua na criação, desenvolvimento e estruturação de negócios e projetos imobiliários. Ao longo de sua trajetória, participou da geração de mais de R$ 700 milhões em negócios. É também fundador da Escola de Vendas para Corretores e autor do livro Notas de um Empreendedor.

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