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Fim da escala 6×1 pode elevar folha das empresas em R$ 158 bilhões

Jakub Zerdzicki/Pexels

A aprovação do fim da escala 6×1 pelo Senado deve colocar uma nova conta no planejamento das empresas brasileiras.

Estudo da Fecomercio/SP estima em R$ 158,4 bilhões o custo adicional sobre a folha de pagamentos em um cenário de redução da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais.

A PEC 221/2019 foi aprovada em dois turnos, com dois dias de descanso remunerado por semana e sem redução salarial.

Promulgado em 16 de outubro, por meio da Emenda Constitucional nº 141/2026, o texto prevê uma transição: a jornada cai primeiro para 42 horas, dois meses após a publicação da emenda, e chega a 40 horas um ano e dois meses após a publicação.

Os efeitos tendem a ser mais relevantes nas atividades que dependem de equipes presenciais e cobertura contínua de horários.

Pelos cálculos da FecomercioSP, o setor de serviços concentraria R$ 76,9 bilhões do custo adicional, seguido pela indústria, com R$ 35,9 bilhões, pelo varejo, com R$ 30,4 bilhões, e pela construção civil, com cerca de R$ 9,7 bilhões.

A entidade estima ainda que 62% dos trabalhadores formais estão em jornadas entre 40 e 44 horas semanais. Já levantamento do Dieese aponta que a mudança pode alcançar 26,8 milhões de trabalhadores, entre formais e informais.

“Para quem paga o mesmo salário por uma jornada que cai de 44 para 40 horas, o custo da hora de trabalho aumenta cerca de 10%. Isso não significa que toda folha automaticamente crescerá 10%, porque o efeito depende da escala e da produtividade de cada negócio. Mas, se a empresa precisar contratar para manter o mesmo período de funcionamento, o impacto financeiro pode ser bem maior”, explica Fábio Edelberg, CEO da Navecon.

A mudança exige atenção principalmente de empresas com operações aos fins de semana ou horários extensos, como comércio, logística, restaurantes, hotéis, supermercados e diversos segmentos de serviços. Segundo ele, o primeiro exercício deve ser mapear quantas horas precisam ser cobertas por semana e quanto dessa cobertura hoje depende da sexta jornada de trabalho. 

“A discussão deixa de ser apenas trabalhista e passa diretamente pelo orçamento. É preciso calcular quantas pessoas serão necessárias para manter a operação, quanto isso adiciona à folha e aos encargos e se há espaço para ganho de produtividade antes de simplesmente aumentar o quadro”, afirma.

A transição prevista na PEC dá às empresas pouco mais de um ano para chegar à jornada definitiva de 40 horas, mas a primeira mudança ocorre apenas dois meses após a publicação da emenda.

Para o CEO da Navecon, esperar a redução entrar em vigor pode encurtar o tempo para reorganizar contratos, turnos e projeções para 2027:

“Empresas que dependem fortemente de mão de obra já deveriam colocar esse cenário no orçamento. Escala, custo por hora, necessidade de contratação, horas extras e produtividade precisam ser simulados juntos. O impacto real vai variar muito de empresa para empresa”, conclui.

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