A inteligência artificial está deixando de ser apenas uma ferramenta de produtividade para se tornar um dos principais fatores de transformação dos modelos de negócio.
Essa é uma das conclusões de Robinson Klein, diretor da CIGAM by Senior, da Senior Sistemas, após uma imersão no Vale do Silício, nos Estados Unidos, realizada em parceria com o Conexão Itaú.
Durante a experiência, ele teve contato com o ecossistema de inovação de algumas das maiores empresas de tecnologia do mundo, incluindo Google, Anthropic, Amazon Web Services (AWS), Apple, Cisco e Waymo, além de participar de discussões em Stanford e conhecer iniciativas que estão redefinindo os limites da inteligência artificial.
Mais do que observar novas tecnologias, o executivo retornou com uma reflexão sobre o futuro da gestão empresarial: as organizações que apenas utilizarem IA para melhorar processos existentes poderão perder espaço para aquelas que souberem reinventar completamente a maneira de fazer negócios.
A próxima vantagem competitiva será pensar diferente
Uma das principais percepções de Robinson Klein durante a imersão foi a diferença entre a mentalidade empresarial tradicional e a cultura de inovação do Vale do Silício.
Enquanto muitas organizações concentram seus esforços em aperfeiçoar produtos, reduzir custos e aumentar a eficiência, as empresas mais inovadoras partem de uma pergunta diferente: o que precisa ser reinventado?
“Não automatize apenas o processo atual. Questione se esse processo ainda deveria existir”, destaca.
Segundo o executivo, a inteligência artificial está reduzindo barreiras que antes limitavam o desenvolvimento de soluções.
Atividades que exigiam grandes equipes, investimentos elevados e meses de trabalho agora podem ser executadas em uma fração do tempo, alterando a dinâmica de setores como tecnologia, serviços, marketing, administração e atendimento.
Esse cenário também cria um novo desafio competitivo. Com a facilidade de desenvolver produtos e soluções, o diferencial das empresas passa a estar cada vez mais na capacidade de compreender problemas reais, conquistar a confiança dos clientes e entregar valor.
O que Google, Anthropic e Apple ensinam sobre o futuro da IA
Entre os principais aprendizados da viagem, Robinson Klein destaca as diferentes abordagens adotadas pelas gigantes de tecnologia.
No Google, as discussões evidenciaram como a inteligência artificial pode transformar a maneira como as pessoas pesquisam informações, consomem produtos e interagem com serviços digitais.
O avanço dos agentes inteligentes aponta para um cenário em que sistemas poderão comparar ofertas, negociar e executar transações em nome dos consumidores.
Na Anthropic, desenvolvedora do Claude, um dos principais modelos de inteligência artificial do mercado, a reflexão foi ainda mais profunda: não basta incorporar IA às atividades de uma organização. É necessário repensar pessoas, processos e produtos a partir dessa nova realidade.
Já na Apple, a principal lição esteve na importância de transformar tecnologias complexas em experiências simples e intuitivas para os usuários. Em Stanford, as discussões reforçaram a relação entre produtividade, inovação e capacidade de resolver problemas relevantes.
Para Robinson Klein, essas experiências demonstram que a transformação provocada pela inteligência artificial não é exclusivamente tecnológica, mas também estratégica, cultural e organizacional.
Empresas brasileiras precisam se preparar para uma nova realidade
O avanço dos agentes de inteligência artificial, capazes de acessar sistemas, analisar informações e executar tarefas com maior autonomia, também deve modificar profundamente a organização do trabalho e a maneira como as empresas tomam decisões.
Na avaliação de Robinson Klein, a competitividade dependerá cada vez mais da capacidade de integrar tecnologia, dados, processos e pessoas. Isso exige que as lideranças revisem seus modelos de negócio, incentivem a experimentação e preparem suas equipes para desenvolver novas competências.
A experiência no Vale do Silício também reforçou que o papel humano continuará essencial. Pensamento crítico, criatividade, liderança e capacidade de tomar decisões estratégicas tendem a ganhar ainda mais relevância em um ambiente no qual a execução de diversas atividades será acelerada pela IA.
Para Robinson Klein, o principal desafio das empresas brasileiras não está simplesmente em acompanhar o ritmo das inovações internacionais, mas em transformar esse conhecimento em ações concretas dentro das organizações.
“O futuro não será uma versão melhorada do presente”, sintetiza o executivo em seu material sobre a imersão.
A mensagem que Robinson Klein traz do Vale do Silício é que a próxima década não será definida apenas por quem adotar inteligência artificial primeiro, mas por quem compreender como utilizá-la para criar novas possibilidades de negócio.
Em um mercado de mudanças cada vez mais rápidas, a pergunta que fica para os empresários brasileiros deixa de ser apenas como melhorar o que já existe e passa a ser: o que precisamos reinventar para continuar relevantes no futuro?