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Empresa de SC usa tecnologia para identificar desperdícios e reduzir custos em hospitais

DΛVΞ GΛRCIΛ/Pexels

A Anestech, empresa catarinense de tecnologia especializada em anestesia, desenvolveu uma plataforma que utiliza dados de procedimentos cirúrgicos para ajudar hospitais a identificar desperdícios, melhorar processos e acompanhar custos operacionais.

Chamado AxReg, o sistema permite monitorar diferentes etapas das cirurgias, desde a preparação dos pacientes até os intervalos entre procedimentos, transformando registros médicos em indicadores para apoiar decisões clínicas e administrativas.

A tecnologia já reúne informações de mais de 1 milhão de procedimentos digitais realizados em 116 hospitais, segundo dados da empresa.

Em uma análise conduzida no Hospital Santa Paula, durante 60 dias, a plataforma identificou R$ 208 mil em potencial de recuperação financeira relacionado à ociosidade das salas cirúrgicas, além de 838 horas de intervalos operacionais com oportunidades de melhoria.

Os valores representam oportunidades identificadas pelo levantamento, e não necessariamente economias já realizadas pela instituição.

Tecnologia identifica gargalos nas salas cirúrgicas

O desenvolvimento da plataforma acompanha a busca por maior eficiência na gestão hospitalar. Segundo o Observatório Anahp 2026, os hospitais associados à Associação Nacional de Hospitais Privados registraram taxa média de ocupação de 77,79% em 2025, enquanto o tempo médio de permanência dos pacientes foi de 3,76 dias.

Nesse cenário, o uso de dados pode contribuir para melhorar o aproveitamento da estrutura hospitalar e identificar etapas que comprometem a produtividade das instituições.

Diferentemente dos sistemas hospitalares generalistas, o AxReg foi desenvolvido especificamente para acompanhar o período perioperatório, que envolve as etapas anteriores, durante e posteriores à cirurgia.

A plataforma registra informações como:

  • Sinais vitais dos pacientes em intervalos de cinco minutos;
  • Etapas da anestesia;
  • Posicionamento dos pacientes;
  • Tempo de preparação entre procedimentos;
  • Atrasos e períodos de ociosidade das salas;
  • Utilização e descarte de medicamentos;
  • Cumprimento de protocolos clínicos.

Para Diogenes Silva, CEO da Anestech, a especialização dos registros amplia as possibilidades de utilização das informações na gestão hospitalar.

“O prontuário eletrônico responde pelo hospital inteiro. Um sistema especializado em anestesia permite compreender com mais profundidade o que acontece durante o procedimento cirúrgico. Essa informação pode apoiar tanto a qualidade do registro assistencial quanto a identificação de oportunidades de melhoria operacional e financeira”, afirma.

Análise identificou R$ 208 mil em oportunidades de recuperação

Um dos exemplos de aplicação da tecnologia foi apresentado pela Anestech a partir de um levantamento realizado no Hospital Santa Paula.

Durante 60 dias de análise, foram identificadas 838 horas de intervalos operacionais classificados como oportunidades de melhoria. Desse total, 64% estavam relacionados à etapa de indução anestésica.

O estudo também apontou:

  • R$ 208 mil em potencial de recuperação financeira associado à ociosidade das salas cirúrgicas;
  • R$ 30 mil em custos potencialmente evitáveis relacionados ao protocolo de antibioticoprofilaxia.

A análise permite identificar situações que nem sempre aparecem nos registros convencionais, como o tempo entre procedimentos e o cumprimento de etapas específicas dos protocolos assistenciais.

Essas informações podem orientar ajustes na organização das equipes, no planejamento das cirurgias e no controle de medicamentos.

Plataforma reúne dados de 116 hospitais

Além do monitoramento individual das instituições, a Anestech utiliza sua base de dados para desenvolver indicadores de desempenho na área de anestesia.

Com mais de um milhão de procedimentos registrados digitalmente, a empresa também mantém o Observatório Anestesia de Valor (OAV), iniciativa voltada à produção de referências e à comparação de indicadores entre instituições.

A proposta é permitir que hospitais identifiquem padrões, acompanhem resultados e utilizem informações estruturadas para orientar melhorias operacionais e assistenciais.

“Quando as informações são registradas de forma estruturada, os hospitais conseguem identificar padrões, comparar resultados e direcionar ações com base em evidências. O desafio não está apenas em digitalizar o registro, mas em transformar esses dados em informação útil para quem toma decisões”, destaca Diogenes.

Integração com sistemas hospitalares

O AxReg foi desenvolvido para complementar as tecnologias já utilizadas pelos hospitais, sem substituir os sistemas centrais de gestão.

A plataforma prevê integração por meio de padrões como HL7 e FHIR, utilizados para a troca de informações entre sistemas de saúde.

Com isso, os dados registrados durante os procedimentos podem ser compartilhados com prontuários eletrônicos e plataformas administrativas.

A estratégia da Anestech é ampliar o uso de informações clínicas na gestão hospitalar, contribuindo para a identificação de gargalos, o acompanhamento de custos e o aprimoramento dos processos cirúrgicos.

A empresa aposta na combinação entre tecnologia, conhecimento médico e análise de dados para apoiar hospitais na busca por maior eficiência operacional e qualidade assistencial.

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