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SC cria 7 mil empregos em setembro, mas ritmo de contratações desacelera

Foto: Mauricio Vieira/ Governo do Estado

Santa Catarina encerrou setembro com saldo positivo de 7.086 empregos formais, crescimento de 0,27% em relação ao mês anterior. Apesar do resultado, o número representa uma redução de 4.315 vagas na comparação com setembro do ano passado, indicando a continuidade da desaceleração do mercado de trabalho catarinense.

Os dados são do Boletim de Emprego de Santa Catarina, elaborado pela Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), com base nas informações do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

O estado registrou o sétimo maior saldo de empregos entre as 27 unidades da federação. No Brasil, foram criados 121.305 postos formais no período. Os municípios com os maiores saldos no mês isolado de setembro foram Florianópolis (1.400), São José (1.186), e Palhoça (544). 

O resultado catarinense foi sustentado principalmente pelos setores de serviços, responsável por 5.412 novas vagas, e comércio, com 1.339 empregos. Juntos, os dois segmentos responderam por aproximadamente 95% do saldo positivo registrado no mês.

Quais setores mais contrataram em Santa Catarina?

O setor de serviços liderou a geração de empregos em setembro, com crescimento de 0,50%. O comércio avançou 0,25%, impulsionado especialmente pelas atividades de supermercados e hipermercados.

Confira o desempenho dos principais setores:

SetorSaldo de empregos
Serviços+5.412
Comércio+1.339
Indústria geral+599
Agropecuária+108
Construção civil-372
Total de Santa Catarina+7.086

A indústria geral inclui a transformação, os serviços industriais de utilidade pública e a indústria extrativa. Quando considerada também a construção civil, o saldo industrial foi de apenas 227 vagas.

Embora serviços e comércio tenham registrado resultados positivos, ambos apresentaram desempenho inferior ao observado no mesmo período de 2025. A geração de vagas caiu 2.188 postos nos serviços e 1.039 no comércio, na comparação anual.

A construção civil também apresentou retração, com fechamento de 372 postos de trabalho, resultado associado ao ambiente de juros elevados e crédito mais restritivo.

Por outro lado, atividades tradicionais da economia catarinense registraram fechamento de postos de trabalho. O vestuário perdeu 305 empregos, seguido pela indústria da madeira, com saldo negativo de 195 vagas, e máquinas e equipamentos, com redução de 140 postos.

Segundo a análise da FIESC, o desempenho desses setores reflete fatores como a desaceleração da construção civil, os impactos das tarifas comerciais americanas e as condições mais restritivas de financiamento.

Santa Catarina tem o sétimo maior saldo de empregos do Brasil

Mesmo com a desaceleração, Santa Catarina permaneceu entre os estados que mais criaram empregos formais em setembro. Confira os dez primeiros colocados no ranking nacional:

PosiçãoEstadoSaldo de empregos
1ºSão Paulo19.391
2ºPernambuco13.371
3ºAlagoas11.110
4ºBahia9.626
5ºRio de Janeiro9.285
6ºMinas Gerais8.102
7ºSanta Catarina7.086
8ºParaná5.800
9ºPará5.624
10ºCeará5.156

Quando analisada apenas a geração de empregos na indústria, incluindo a construção civil, o estado ocupou a 15ª posição nacional, com saldo de 227 vagas.

Ritmo de contratações permanece abaixo da média histórica

Além dos resultados mensais, a FIESC acompanha o ritmo de geração de empregos por meio de um indicador denominado Termômetro do Emprego. O índice compara o desempenho atual do mercado de trabalho com sua média histórica.

Em setembro, Santa Catarina registrou indicador de -0,56, sinalizando que o ritmo de criação de vagas permanece abaixo do padrão histórico. Entre os setores com desempenho mais fraco estão comércio (-0,88), construção civil (-0,55) e serviços (-0,46).

O indicador negativo não significa necessariamente fechamento de vagas, mas que o crescimento está ocorrendo em ritmo inferior ao observado historicamente. Na indústria de transformação, o índice ficou em -0,48, com diferenças importantes entre os segmentos.

Enquanto equipamentos de transporte, materiais elétricos e alimentos apresentaram desempenho acima de suas respectivas médias históricas, vestuário, madeira e máquinas e equipamentos permaneceram em ritmo inferior.

Juros elevados e incertezas econômicas pressionam contratações

Na avaliação da FIESC, a desaceleração do emprego está relacionada ao ambiente de juros elevados, às condições restritivas de crédito e às incertezas fiscais.

Esses fatores afetam principalmente atividades que dependem de financiamento para investimentos, produção e consumo.

A entidade também destaca que as políticas de sustentação da renda e do consumo ajudam a reduzir os efeitos da desaceleração, mas não são suficientes para reverter a perda de dinamismo.

O cenário indica que, embora Santa Catarina continue criando empregos formais, a expansão está concentrada em determinados setores e regiões.

Para os próximos meses, a evolução das contratações dependerá do desempenho da atividade econômica, das condições de crédito e da capacidade dos diferentes segmentos produtivos de sustentar novos investimentos.

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