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Robótica com IA leva Florianópolis ao topo em hackathon no “Vale do Silício chinês”

Uma delegação ligada a Florianópolis conquistou o primeiro e o terceiro lugares no ShanHaiWoo AI × Hardware Hackathon, realizado de 21 a 23 de outubro em Shenzhen, na China. Ion “Zeugh” Neto, nascido na capital catarinense, venceu com o Interlock, projeto de controle de robôs por inteligência artificial.

Murilo Leite, estudante da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), integrou a equipe do Marco, assistente para idosos que ficou em terceiro. O time também contou com Medhi Loup, desenvolvedor francês radicado em Florianópolis e membro do Frontier Hub.

A disputa reuniu participantes de diferentes países, incluindo vencedores de outros hackathons, em três dias de desenvolvimento e apresentação de protótipos. O foco foi uma das próximas frentes da IA: sistemas que percebem o ambiente e executam ações no mundo físico.

Shenzhen aposta em inteligência incorporada

Conhecida como “Vale do Silício chinês”, a cidade abriga gigantes como Tencent, Huawei, BYD e DJI. Em 2025, registrou PIB de 3,87 trilhões de yuans, segundo o órgão municipal de estatísticas.

Além das empresas de alcance global, Shenzhen concentra fornecedores de componentes, serviços de prototipagem e capacidade de fabricação. Para quem desenvolve robótica, essa proximidade permite testar software e equipamentos junto de quem projeta e produz as peças.

Um plano anunciado em 2025 prevê superar 100 bilhões de yuans em produção até 2027 no setor de inteligência incorporada, que combina IA, percepção e ação física. É nesse contexto que o ShanHaiWoo reúne desenvolvedores, pesquisadores e empreendedores.

Interlock mantém o humano no controle dos robôs

Integrante da blockful e head de pesquisa da Fator.ai e do Frontier Hub, Ion competiu com um projeto voltado a um desafio central da robótica com IA: dar autonomia à máquina sem tirar o controle das mãos de uma pessoa.

Concebido como base para um sistema operacional de robótica comandada por IA, o Interlock organiza a comunicação entre agentes de inteligência artificial, um braço robótico e seu operador.

Na arquitetura documentada, a IA só movimenta o braço após autorização humana, e o operador pode retomar o controle e interromper a ação a qualquer momento. Limites de movimento e verificações de carga reforçam a proteção nos experimentos.

O sistema também registra demonstrações e resultados de tentativas, que podem ser reutilizados em ciclos de prática, avaliação e ajuste para aperfeiçoar o treinamento dos robôs. Em estágio de protótipo, tem código e documentação públicos no GitHub.

Com a blockful, Ion participa de competições de tecnologia pelo mundo. A equipe acumula premiações na Bélgica, Tailândia, Suíça, Estados Unidos, Argentina, França e Turquia, além de conquistas no Brasil.

Marco leva robótica para o cuidado de idosos

O terceiro lugar ficou com o Marco, que combina braços robóticos e assistentes de voz para apoiar pessoas idosas em tarefas domésticas. Murilo participou da construção da aplicação ao lado de Medhi e da equipe.

A competição também teve projetos de óculos inteligentes, companheiros de IA de bolso, sistemas para anéis inteligentes, guias de aeroporto e assistentes para negócios.

Imersão incluiu fábricas e aula com a Tencent

A agenda da delegação em Shenzhen foi além da competição. Os participantes visitaram fábricas e tiveram uma aula sobre inteligência artificial com a equipe de engenharia da Tencent, sediada na cidade.

A empresa atua em comunicação digital, jogos, computação em nuvem e serviços corporativos. As atividades aproximaram o grupo da engenharia de sistemas de IA e dos processos industriais que transformam protótipos em produtos.

Percurso começou em hackathon na UFSC

A trajetória teve origem no EAG Global Buildathon de Florianópolis, iniciativa da Ethereum Applications Guild (EAG), com organização local de ETH Floripa, blockful e Infinity Base, e apoio da UFSC e de comunidades como o Frontier Hub.

A universidade recebeu aulas de formação técnica em aplicações de IA e blockchain, com apoio do professor Jean Martina. O hackathon local ocorreu em 12 de setembro, no InPETU Hub, da UFSC.

Ion participou da organização dos cursos e da competição local, além de ser um dos organizadores da delegação. A premiação incluía bolsa para a residência ShanHaiWoo, com passagem e hospedagem para um integrante do projeto vencedor.

Segundo os organizadores, a iniciativa levou vencedores da etapa local ao programa na China. Da formação em Florianópolis ao pódio em Shenzhen, o percurso conectou a comunidade tecnológica catarinense a um dos principais centros mundiais de desenvolvimento e fabricação de tecnologia.

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