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O custo invisível de sistemas que não se conversam

Foto: divulgação

Toda empresa que cresce acumula sistemas. Um ERP para a operação, um CRM para o comercial, uma plataforma fiscal, uma ferramenta de logística ou uma planilha que nasceu para resolver um problema pontual e nunca mais saiu do fluxo. Isoladamente, cada uma dessas ferramentas cumpre bem o seu papel. O problema aparece quando elas precisam conversar entre si e não conseguem.

Esse tipo de desconexão raramente entra na pauta financeira da empresa. Afinal, ela não gera uma conta a pagar, não tem centro de custo próprio, não aparece discriminada em nenhum relatório. No entanto, gera despesa do mesmo jeito, todos os meses e de forma silenciosa. O Gartner mantém, em sua página de referência sobre qualidade de dados, uma estimativa que resume bem o problema: em média, a má qualidade de dados custa US$12,9 milhões por ano a cada organização. Não é uma multa e nem uma fatura de fornecedor, mas a soma de retrabalho, decisão errada, cliente mal atendido e tempo humano gasto compensando o que os sistemas deveriam resolver sozinhos.

É um número alto para incomodar e discreto o suficiente para nunca aparecer, sozinho, em nenhuma linha de orçamento.

O tamanho real do problema

Um estudo divulgado neste mês de julho pela Forrester Consulting, encomendado pela FPT Corporation e conduzido com 397 líderes de dados e tecnologia ao redor do mundo, chegou a um retrato atual e direto do problema: apenas 26% das empresas conseguiram colocar IA em operação de forma efetiva e em escala. Quando os respondentes explicaram o que trava esse avanço, dois motivos dominaram as respostas. A complexidade de integração foi citada por 41% deles. Silos de dados apareceram para 38%. 

Isso mostra que o problema não está na intenção de adotar IA, mas na estrutura que a sustenta. A base sobre a qual a empresa precisa operar continua fragmentada. Cada sistema guarda sua própria versão da informação, e ninguém consegue movimentar esse dado com a velocidade que a operação exige. 

Onde esse custo aparece no financeiro

A MIT Sloan Management Review foi além e colocou percentual direto na conta: empresas perdem, em média, entre 15% e 25% da receita anual por conta de dados de má qualidade, o que na maioria dos casos nasce da falta de integração entre sistemas. Em uma empresa que fatura R$100 milhões por ano, isso representa entre R$15 milhões e R$25 milhões saindo silenciosamente pela porta, sem que nenhum lançamento contábil os identifique pelo nome real.

Esse dinheiro não desaparece de uma vez. Ele vaza aos poucos: um pedido cancelado porque o estoque estava errado em um sistema e certo em outro, uma cobrança duplicada porque dois times usaram bases diferentes e um cliente que desiste de esperar uma ativação que deveria ter sido automática.

Por que ninguém vê essa linha no orçamento

O motivo pelo qual esse custo permanece invisível é simples. Ele não chega como uma fatura única. Chega distribuído: uma hora a mais de um analista conciliando planilha, um relatório refeito porque os números não batiam entre dois sistemas e um cliente que espera dias por algo que deveria levar horas.

Cada evento desses parece pequeno isoladamente. Somados ao longo de um mês, de um trimestre, de um ano, formam exatamente o tipo de gasto que apareceria, sim, se estivesse concentrado numa única linha do DRE.

O que aparece quando entramos para diagnosticar

Nos diagnósticos que conduzo com meus clientes na SysMiddle, o primeiro exercício costuma ser mapear quanto tempo de trabalho humano está sendo gasto para compensar sistemas que deveriam estar conversando sozinhos. Na maioria dos casos, o número surpreende mais o próprio cliente do que a nós.

Esse exemplo não significa que toda empresa precisa integrar tudo com tudo. Significa que ignorar essa conta tem um preço que só cresce, na mesma proporção em que a operação se torna mais dependente de dados corretos, disponíveis e no lugar certo.

O custo de sistemas que não se conversam nunca vai aparecer sozinho no balanço. Mas ele está lá, mês após mês, em cada hora de retrabalho e em cada decisão tomada com informação incompleta. Quem mede essa conta consegue reduzi-la. Já quem não mede, continua pagando por ela sem saber o nome.

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Fundador e CEO da SysMiddle, especialista em integrações e APIs e criador do Método IPRS.

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