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Brasil registra 435 recuperações judiciais e 327 pedidos de falência no 1º semestre

Foto: Amir Ghoorchiani/Pexels

O Brasil registrou 435 processos de recuperação judicial no primeiro semestre, uma queda de 14,5% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando foram contabilizados 509 pedidos.

Os dados são do Indicador de Falências e Recuperações Judiciais da Serasa Experian e mostram que os processos envolveram 1.099 CNPJs nos 6 primeiros meses deste ano, ante 1.247 empresas no período anterior.

Os pedidos de falência também apresentaram redução. Foram 327 processos entre janeiro e junho, contra 404 no mesmo intervalo do ano passado, uma retração de 19,1%.

Apesar dos resultados, a Serasa Experian avalia que ainda não há sinais suficientes para indicar uma mudança consistente no cenário de dificuldades financeiras das empresas brasileiras.

Recuperações judiciais somaram 67 processos em junho

Somente em junho, foram registrados 67 processos de recuperação judicial, envolvendo 167 empresas. A agropecuária concentrou o maior número de CNPJs envolvidos, seguida pelos setores de serviços, comércio e indústria.

A distribuição foi a seguinte:

  • Agropecuária: 50 empresas
  • Serviços: 46 empresas
  • Comércio: 39 empresas
  • Indústria: 32 empresas

Segundo Camila Abdelmalack, economista-chefe da Serasa Experian, o ambiente econômico ainda impõe desafios para empresas que precisam reorganizar suas finanças.

“É cedo para interpretar esse movimento como uma reversão consistente do quadro. O custo de capital permanece elevado, dificultando a rolagem das dívidas e a reorganização dos passivos das companhias”, afirma.

A economista também destaca que a desaceleração da atividade econômica pode comprometer a geração de receitas, ampliando as dificuldades de empresas que já enfrentam problemas financeiros.

Na agropecuária, fatores como preços das commodities, custos de produção e condições climáticas influenciam a capacidade de pagamento.

Já no comércio e nos serviços, a desaceleração do consumo das famílias representa uma pressão adicional. Na indústria, os principais desafios incluem o custo do crédito, o ritmo da atividade econômica e as incertezas no comércio internacional.

Indústria lidera pedidos de falência

Em junho, o Brasil registrou 51 processos de falência, envolvendo 50 CNPJs. O resultado representa aumento de 27,5% no número de processos em relação a maio, quando foram contabilizados 40 pedidos.

A indústria concentrou 26 empresas envolvidas nos pedidos de falência em junho, seguida pelo comércio, com 16, e pelos serviços, com 8.

No acumulado do primeiro semestre, foram registrados 327 processos, envolvendo 335 empresas. A distribuição por setor mostra:

  • Indústria: 143 empresas
  • Comércio: 106 empresas
  • Serviços: 83 empresas
  • Agropecuária: 3 empresas

Embora os pedidos de falência tenham recuado na comparação anual, a Serasa Experian ressalta que o indicador não representa a totalidade das empresas que encerram suas atividades no país. Isso porque muitos negócios, especialmente os de menor porte, fecham sem formalizar um processo de falência.

Recuperações extrajudiciais também apresentam queda

Os processos de recuperação extrajudicial somaram 3 registros em junho, envolvendo três empresas. No primeiro semestre, foram contabilizados 25 processos, abrangendo 68 CNPJs, contra 29 processos e 118 empresas no mesmo período de 2025.

A recuperação extrajudicial permite que empresas negociem a reorganização de suas dívidas diretamente com credores, com posterior homologação judicial dos acordos.

Inadimplência de empresas chega a 9,3 milhões de CNPJs

Mesmo com a redução dos pedidos de recuperação judicial e falência no primeiro semestre, o cenário de endividamento empresarial continua pressionado. Segundo a Serasa Experian, 9,3 milhões de empresas brasileiras estão inadimplentes.

Para Camila Abdelmalack, a combinação entre crédito caro, desaceleração econômica e dificuldades na geração de receita mantém os riscos para as companhias.

“A inadimplência empresarial continua avançando e já alcança 9,3 milhões de CNPJs, mostrando que a pressão financeira permanece disseminada na economia”, destaca.

A economista explica que empresas com dificuldades para cumprir suas obrigações podem encontrar obstáculos adicionais para renegociar dívidas e reorganizar seus passivos.

Nesse contexto, a queda dos processos formais de recuperação judicial e falência não significa necessariamente uma melhora generalizada da saúde financeira das empresas brasileiras.

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