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Foto: TheDigitalArtist/Pixabay

Criatividade em xeque: basta ter uma grande ideia?

Regina Sardanha

Regina Sardanha

Diretora executiva do Grupo Linear

As tendências tecnológicas mudam de tempos em tempos. Algumas inovações prometem mais que outras, mas nem sempre dão certo como o esperado. Entre casos envolvendo produtos específicos e a decepção por todo um segmento, não é incomum ver novidades ficando para trás no mundo da tecnologia como foi o caso das TVs 3D, os aparelhos de Blu Ray e os consoles com sistema Android. 

Não se pode afirmar as reais razões que impediram que algumas ideias prosperassem, mas, para mim, uma ideia na verdade, se sozinha, é pouco. 

Sim é pouco! O que tem valor é a execução dessa ideia no tempo certo, na hora certa, da maneira certa, porque a poucos passos pode haver outra ideia que já deixará a sua obsoleta, note as TVs 3Ds, sem nem terem chegado a seduzir o consumidor, já lançaram as 4K que ofereceram bem mais ao cliente e ele pode rapidamente perceber isso.

Na verdade, uma ideia com real valor oferece algo substancial a quem se beneficia dela. Ter foco em ajudar as pessoas no seu dia a dia aumenta o valor percebido e converte a resultado.

Por isso eu acredito que hoje exista uma busca implacável em prol da melhor ideia, a melhor startup, que valha 1 milhão de dólares e um: Ah! Eu tenho uma ideia unicórnio!

O que ocorre é que uma ideia só poderá ter valor se ela for bem executada e rapidamente tirada do papel. E quem na verdade vai testar se de fato é uma boa ideia inevitavelmente é o mercado.

Se cercar de pessoas que realmente são gente que faz, fará total diferença no time e qualidade de execução. Traçar um planejamento estratégico, definindo e reconhecendo seu público alvo, mercado, grau de diferenciação e “vendendo” seus benefícios e atributos será a chave mestra para sua ideia decolar.

O que os investidores olham muito hoje, que é um ponto importante: não só a ideia em si, mas também o quanto essa equipe está preparada para mudar em caso de o mercado virar, em caso da ideia não ir pra frente.

Outro pudor para idealizadores é reter a ideia a sete chaves, muitas vezes presa na gaveta por anos por medo de pesquisar a respeito, de falar dela para alguém efetivamente.

Buscar entender o que autoridades do mercado ou do assunto pensam dessa ideia fará com que não invista no prejuízo. No entanto, nem sempre é fácil, para mim mesma, que sou executiva e ocupo um cargo de aprovação financeira do investimento já nas primeiras instâncias, é difícil essa fase de validação no escopo de um projeto ou nova ideia, visto que, em um mercado altamente competitivo, que anseia por inovação, ter uma ideia “roubada” pode ser absolutamente uma tragédia. Porém há que se arriscar e confiar, além de, claro, ser e se manter ágil para colocá-la à disposição o quanto antes, isso a fará forte, oportuna e pioneira.

Uma boa gestão de todas a etapas envolvidas considerando todos os processos e procedimentos bem executados, olhando para cada ideia e produto com olhos críticos é de extrema importância e fundamental para que essa ideia também se torne rentável, mensurável e que possa ser aperfeiçoada e servir de trampolim para outras melhores que virão. 

Em suma, ter uma ideia pode não ter valor algum se não houver um bom plano de execução estruturado e contínuo.  É importante saber que ter uma grande ideia é insuficiente para o sucesso, mas a capacidade de executá-la, ou seja, conduzir, seduzir e vender é que a colocará no podium e no caminho para ser ocupar o posto de protagonista e ser chamada de GRANDE. E então aí terá seu unicórnio.

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