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Como tornar a estratégia um sistema vivo dentro das organizações, segundo Kirla Vieira

Foto: divulgação

Transformar estratégia em resultado continua sendo um dos principais desafios das lideranças, especialmente em empresas que operam em mercados dinâmicos, com múltiplas frentes de negócio e pressão constante por inovação.

Embora o planejamento de longo prazo siga sendo essencial para orientar crescimento e posicionamento, é na rotina, nas decisões do dia a dia e na capacidade de execução que ele realmente ganha consistência.

É nesse ponto que muitas organizações enfrentam dificuldade: não por falta de visão, mas pela distância entre o que é planejado e o que, de fato, acontece na operação.

Em estruturas mais complexas, esse desafio se intensifica, principalmente quando estratégia, portfólio e inovação precisam caminhar de forma integrada para sustentar crescimento e responder com agilidade ao mercado.

Para falar sobre como tornar a estratégia um sistema vivo dentro das organizações, o Economia SC Drops conversou com Kirla Vieira, Diretora de Planejamento e Produto do Portobello Grupo.

À frente de iniciativas que conectam inteligência de mercado, gestão de produto, portfólio e expansão de categorias, Kirla compartilha aprendizados práticos sobre execução, tomada de decisão e liderança em contextos complexos.

Planejamento de longo prazo ainda faz sentido em um cenário tão dinâmico?

Faz total sentido, desde que ele não se torne um documento estático. O planejamento precisa orientar decisões reais. Se ele não influencia o que acontece na segunda-feira de manhã, ele perde valor. O desafio não é construir uma boa estratégia, mas garantir que ela esteja viva, conectada à operação, aos indicadores e às prioridades do negócio.

Como conectar visão de longo prazo com execução no dia a dia?

Passei a operar com três camadas: visão, rotina e campo. A visão se traduz em objetivos e indicadores claros. A rotina organiza a execução, os rituais e o acompanhamento, e o campo traz a realidade, o que está acontecendo de fato no negócio. É a conexão entre essas três dimensões que sustenta a estratégia. Sem isso, o risco é tomar decisões desconectadas da realidade.

Por que a proximidade com a operação ainda é um diferencial de liderança?

Porque nenhum dashboard substitui o que você vê na ponta. Estar próximo da operação, conversar com o time e entender o comportamento do cliente traz uma leitura mais completa. A proximidade transforma dados em contexto e contexto em melhores decisões.

Como a gestão de portfólio pode acelerar inovação dentro das empresas?

Portfólio é onde a estratégia se materializa. Quando bem estruturado, ele conecta posicionamento de marca, demanda do mercado e eficiência operacional. Além disso, permite testar e evoluir com mais agilidade. Modelos mais flexíveis, como o uso de parcerias e outsourcing, por exemplo, ajudam a acelerar a entrada em novas categorias sem perder consistência, trazendo velocidade para inovar com mais controle.

Em um ambiente de incerteza, como tomar decisões sem todas as informações?

Esperar por 100% de informação muitas vezes significa perder o timing. Decidir faz parte do papel da liderança. O risco sempre existe, mas diminui quando há visão sistêmica e proximidade com o negócio. E, se for necessário ajustar a rota, o mais importante é fazer isso rápido.

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