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No marketing, é preciso ter coragem para não (se) agradar

Foto: divulgação

No fim de 2025, li ‘’A coragem de não agradar’’, de Ichiro Kishimi e Fumitake Koga, e essa leitura provocou uma virada importante em mim.

Ao longo dos meus 25 anos, diria que passei boa parte da vida em busca de aprovação: primeiro da família, depois dos amigos e, mais tarde, no campo profissional. Afinal, ninguém quer se sentir isolado e buscar aceitação parece natural.

Era isso que eu pensava até ler esse livro.

A ideia de que precisamos ter a coragem de não agradar me levou a muitas reflexões. 

A principal delas foi perceber que, no trabalho, eu também estava o tempo todo tentando me agradar. E isso, no fundo, significava me preservar, me manter no conforto, me esconder em tudo aquilo que eu já sabia fazer bem.

É muito mais fácil permanecer no comodismo de trabalhar apenas com o que se ama, repetindo o tipo de projeto que você sabe que vai agradar o cliente.

Também é mais fácil sustentar sempre o mesmo posicionamento, defendendo ideias que já estão enraizadas na sua cabeça. O novo exige deslocamento, e todo deslocamento vem com uma dose de medo.

Foi quando entendi, pela primeira vez, que eu precisaria ter coragem para me desagradar.

Essa ficha caiu quando percebi que, se eu não aprendesse a lidar com dados, ficaria para trás diante de profissionais de marketing com olhar mais analítico.

Ao mesmo tempo, fui entendendo que meu cérebro criativo não era uma limitação…era uma vantagem. Mas uma vantagem que, sozinha, já não basta.

A segunda onda, mais recente, veio com a chegada das LLMs, das inteligências artificiais e de ferramentas que estão redesenhando a forma como trabalhamos.

Foi aí que enxerguei com mais clareza que, se eu não me forçasse a encarar o que me intimidava a famosa tela preta, o terminal, os códigos, os comandos, eu perderia a chance de surfar uma onda que ainda está se formando.

E talvez esse seja um ponto importante para o marketing de agora.

Durante muito tempo, a área permitiu que muitos profissionais se apoiassem apenas na sensibilidade, na estética e no repertório criativo. Isso continua sendo valioso, mas já não é suficiente.

O mercado passou a exigir uma nova coragem: a de sair da identidade confortável que construímos sobre nós mesmos.

Tem profissional criativo demais para continuar dizendo que “não é bom com números”. Tem estrategista demais se escondendo atrás da desculpa de que “não é técnico o suficiente” para trabalhar com IA.

Tem gente talentosa insistindo em preservar uma versão antiga de si mesma, só para não enfrentar a frustração de começar mal em algo novo.

Só que crescer, quase sempre, exige esse desconforto.

No marketing, amadurecer também passa por isso: aceitar que nem tudo o que combina com a nossa autoimagem vai sustentar a nossa evolução. Às vezes, para avançar, é preciso contrariar a própria vaidade e o conforto.

Abrir mão daquilo que faz a gente se sentir naturalmente bom para encarar, por um tempo, a sensação bem menos agradável de ser iniciante de novo.

Nem sempre o maior risco está em desagradar os outros. O maior risco, pode estar em continuar agradando a si mesmo demais.

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Estrategista de marketing de conteúdo e storymaker.

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