A ELO Soluções Logísticas Integradas, de Itajaí, que atua do transporte rodoviário à armazenagem alfandegada e à locação de containers, projeta um faturamento de R$ 360 milhões para 2026.
O negócio deve acelerar com a abertura de operações internacionais de frete rodoviário para o Mercosul, a entrada na cabotagem, o lançamento de uma plataforma tecnológica própria e a abertura de um escritório em São Paulo.
Em menos de sete anos, a empresa construiu uma operação com 11 filiais distribuídas estrategicamente pelo Brasil e frota própria de mais de 250 placas.
A empresa carrega uma história que começa muito antes de seu nascimento. O avô de Jean Carlos Rocha, CEO da ELO, tinha uma operadora logística que acabou fechando, mas a memória daquele negócio sobreviveu. Anos depois, foi trabalhar como caminhoneiro em uma cooperativa, posição que poucos executivos já ocuparam e que trouxeram para ele uma visão de dentro.
E foi com essa bagagem que a empresa nasceu, com a experiência do CEO e a partir de um diagnóstico preciso sobre um problema antigo do setor.
A cadeia logística brasileira operava, e em grande parte ainda opera, em silos. Transportadoras, armazéns e despachantes aduaneiros trabalhavam de forma fragmentada, sem integração, obrigando as empresas a gerenciar múltiplos fornecedores, múltiplos contratos e múltiplos pontos de falha.
A ELO nasceu para resolver esse problema, assumindo a cadeia inteira e respondendo por ela.
“Queremos que nossos clientes sintam, na prática, que têm um parceiro preparado para qualquer etapa da cadeia, de ponta a ponta, do Brasil ao Mercosul, com tecnologia, segurança e sustentabilidade. Isso é o que a ELO entrega”, afirma Jean.
Para sustentar o crescimento projetado e atingir a meta de faturamento neste ano, a companhia aposta em quatro frentes simultâneas.
A primeira é tecnológica. Em breve, a ELO deve lançar o ELO360, plataforma que conecta em tempo real veículos, parceiros e armazéns, entregando ao cliente visibilidade completa sobre cada etapa do transporte de sua mercadoria.
A iniciativa representa uma mudança estrutural na relação entre embarcador e operador logístico, substituindo um modelo historicamente reativo por uma gestão proativa e rastreável.
“O software dará acesso em tempo real ao nosso ecossistema e a todos os processos do produto, levando uma solução completa e transparente para nossos parceiros”.
A segunda frente é geográfica. A ELO passou a operar frete rodoviário internacional para todo o Mercosul, permitindo que clientes que exportam ou importam entre Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai façam isso com um único interlocutor, sem precisar fragmentar contratos entre diferentes operadores em diferentes países.
“Com essa expansão, embarcadores passam a contar com um único ponto de contato para operações que antes exigiam múltiplos contratos, múltiplos responsáveis e múltiplas pontas de comunicação. Vamos trazer mais eficiência e agilidade para nossos clientes”.
A terceira é modal. Em um cenário em que o custo do frete rodoviário pressiona as margens e os riscos operacionais nas estradas seguem elevados, a ELO passou a oferecer cabotagem e a navegação de cargas ao longo da costa brasileira, como alternativa competitiva para longas distâncias.
O modal vem ganhando relevância no país à medida que embarcadores buscam previsibilidade e eficiência em rotas onde o caminhão deixou de ser a melhor resposta.
A quarta frente é comercial. A empresa abrirá um escritório em São Paulo, aproximando sua operação do maior polo econômico do país.
“São Paulo é onde as decisões de supply chain do Brasil são tomadas. Estar lá é o próximo passo natural de quem quer crescer com estratégia e responsabilidade”.
A agenda ESG entra nessa equação como compromisso operacional. A empresa vem introduzindo caminhões movidos a gás natural veicular em sua frota, combustível que reduz significativamente a emissão de poluentes em relação ao diesel e protege a operação da volatilidade histórica do preço do combustível convencional.
Em um setor que responde por parcela relevante das emissões de carbono no Brasil, a aposta no GNV posiciona a ELO à frente de uma exigência que tende a crescer por parte de embarcadores e reguladores.
“Estamos em um momento de expansão acelerada, mas sem abrir mão da qualidade operacional e da responsabilidade com nossos clientes e com o meio ambiente”, conclui.