Por André Brandão Sala, CEO da Robomind.
Dados recentes do Anuário Brasileiro da Educação Básica 2025 apontam que apesar de 95,4% das escolas públicas terem acesso à internet, apenas 44,5% conseguem fazer uso pedagógico em sala de aula, o que demonstra a limitação da tecnologia nessas instituições brasileiras.
Em outras palavras, conectamos escolas, mas ainda não conectamos o aprendizado ao potencial da tecnologia.
Esse dado revela um desafio estrutural. A presença da internet não garante inovação educacional. Faltam formação docente contínua, conteúdos adequados, as metodologias certas, e, sobretudo, políticas públicas que priorizem o uso inteligente da tecnologia no processo de ensino-aprendizagem.
Quando observamos o Brasil de Norte a Sul, a desigualdade regional se torna ainda mais evidente. Enquanto alguns locais avançam, outros ainda enfrentam barreiras básicas no cotidiano escolar.
No entanto, há sinais promissores que mostram que esse cenário pode ser transformado.
Um exemplo inspirador vem do município de Simões Filho, na Bahia, que deu um passo decisivo ao incluir aulas de robótica na grade curricular do 1º ao 9º ano do Ensino Fundamental. A iniciativa da Secretaria Municipal de Educação garante acesso gratuito à educação tecnológica desde os primeiros anos escolares.
Além de programação e montagem de robôs, essa política ensina pensamento lógico, criatividade, resolução de problemas e trabalho em equipe, que são competências essenciais para os desafios do mercado de trabalho do futuro.
Casos como esse demonstram que democratizar o acesso à educação tecnológica não é uma utopia, mas uma escolha. E essa escolha passa por três pilares fundamentais.
O primeiro é a formação de professores. Não basta levar tecnologia para dentro da escola; é preciso preparar o educador para utilizá-la da forma correta.
O professor continua sendo o principal agente de transformação, e capacitá-lo é investir diretamente na qualidade da aprendizagem.
O segundo pilar é a adoção de metodologias que coloquem o aluno no centro do processo. A robótica educacional, por exemplo, permite aprender fazendo, um modelo que estimula o protagonismo do estudante e torna o aprendizado mais engajador e efetivo.
O terceiro é a construção de parcerias entre setor público e privado. A escala necessária para transformar a educação brasileira exige colaboração. Empresas especializadas têm oferecido para escolas públicas a mesma qualidade que é disponibilizada para escolas particulares através dessas parcerias público-privadas.
Democratizar o acesso à educação tecnológica no Brasil não significa apenas distribuir equipamentos ou ampliar a conectividade. Significa garantir que todos os estudantes, independentemente de sua origem ou localização, tenham a oportunidade de desenvolver habilidades que os preparem para o futuro.
O Brasil já possui os recursos, os exemplos e o conhecimento necessários para avançar.
O que falta, agora, é transformar iniciativas pontuais em políticas duradouras. Porque, no fim das contas, essa conversa é sobre muito mais do que tecnologia: se trata de oportunidade e desenvolvimento social.