A ACATE lançou, em abril de 2026, o Efeito ACATE, estudo que projeta o crescimento do setor de tecnologia em Santa Catarina até 2066. A análise indica que, mantida a trajetória de crescimento e coordenação do ecossistema, o estado se consolidará como uma referência global em inovação nas próximas quatro décadas.
Essa projeção parte de uma base já consolidada. Santa Catarina construiu, ao longo das últimas décadas, um dos ecossistemas de tecnologia mais relevantes do país. O setor movimenta R$ 42,5 bilhões por ano, emprega mais de 100 mil pessoas e responde por 7,75% do PIB estadual. Esse ponto de partida redefine o desafio: é preciso sustentar um ciclo de crescimento de longo prazo, com maior escala e sofisticação.
De acordo com o estudo, os próximos anos podem levar o setor a um faturamento de R$ 238,9 bilhões até 2066, com geração de mais de 300 mil empregos diretos e cerca de 130 mil empresas no ecossistema. A participação da tecnologia no PIB catarinense deve alcançar aproximadamente 17,9%, consolidando o segmento como um dos principais motores da economia estadual.
O impacto desse crescimento não se limita ao próprio setor. O levantamento indica que a cada real gerado pela tecnologia produz um efeito multiplicador de 2,4 na economia, ampliando a produção, a renda e a arrecadação em diferentes cadeias produtivas. Ao longo do período projetado, esse movimento tende a reforçar o papel da inovação como estratégia central de desenvolvimento econômico.
Para sustentar essa trajetória, é necessário compreender o que caracteriza ambientes de referência global em inovação. Esses ecossistemas são definidos pela integração entre empresas, universidades, governo e investidores, formando uma base capaz de gerar inovação contínua, desenvolver talentos e criar negócios com atuação internacional. Santa Catarina já reúne esses elementos e o avanço depende de ampliar a escala e a intensidade dessas conexões.
O estudo organiza essa evolução em ciclos tecnológicos alinhados a tendências globais, como inteligência artificial, computação quântica e bioeconomia. Essa estrutura permite orientar decisões ao longo do tempo e preparar o ecossistema para diferentes fases de desenvolvimento.
Entre os fatores que sustentam esse avanço, a formação e atração de talentos aparece como um dos principais desafios. O crescimento projetado exige ampliar a base de profissionais qualificados na mesma velocidade das empresas, o que demanda integração entre educação, mercado e estratégias de atração de profissionais.
O ambiente de negócios também é determinante. A capacidade de criar empresas com atuação global depende de acesso a capital, segurança jurídica e políticas consistentes de incentivo à inovação e à internacionalização. A continuidade dessas condições ao longo do tempo é essencial para sustentar o crescimento projetado.
Ao mesmo tempo, existem os riscos que podem comprometer essa trajetória. A descontinuidade de políticas públicas, a perda de competitividade na atração de talentos e a falta de coordenação entre os atores do ecossistema podem reduzir o ritmo de avanço e devem ser evitados. Em um cenário de transformação tecnológica acelerada, a capacidade de adaptação deve ser permanente.
O Efeito ACATE apresenta, portanto, uma projeção baseada em dados e tendências observadas no setor. A possibilidade de Santa Catarina se consolidar como referência global em inovação está colocada. O que vai definir esse resultado é a capacidade de sustentar, ao longo das próximas quatro décadas, o alinhamento entre instituições, o investimento em pessoas e um ambiente favorável ao crescimento.