Pesquisar

Com avanço da NR-1, empresas passam a tratar saúde mental como tema de produtividade

Foto: divulgação

A saúde mental vem deixando de ocupar um espaço periférico nas empresas para entrar, de vez, na agenda de gestão. Se antes o tema aparecia majoritariamente como benefício de bem-estar, agora ele começa a ser tratado também como variável de produtividade, retenção e sustentabilidade da operação — movimento acelerado pela atualização da NR-1, que passou a incluir expressamente os fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho no gerenciamento de riscos ocupacionais.

A mudança ganha relevância em um momento em que os números de afastamentos por transtornos mentais seguem em alta no Brasil. Segundo a Previdência Social, em 2025 foram concedidos 546.254 benefícios por incapacidade temporária por transtornos mentais e comportamentais, alta de 15,66% em relação a 2024, quando o número foi de 472.328. Ansiedade e episódios depressivos lideraram as concessões no período.

No ambiente corporativo, o impacto vai além do afastamento. A Organização Mundial da Saúde afirma que condições como ansiedade e depressão levam à perda de cerca de 12 bilhões de dias úteis por ano no mundo, com custo estimado de US$ 1 trilhão em produtividade perdida. A OMS também destaca que ambientes de trabalho mais seguros e saudáveis tendem a melhorar retenção, desempenho e produtividade.

Na prática, isso ajuda a explicar por que o tema começa a ganhar um novo status dentro das empresas. O debate deixa de ser apenas “como cuidar melhor das pessoas” e passa a incluir perguntas mais duras de negócio: quanto a operação perde com desgaste emocional, absenteísmo, presenteísmo, baixa energia do time e aumento de turnover? E, do outro lado, quanto uma estrutura mais madura de cuidado e acompanhamento pode contribuir para manter a equipe mais estável, engajada e produtiva?

É nesse contexto que soluções corporativas voltadas à saúde mental passam a ser vistas com outro peso. O Guia da Alma, plataforma de saúde mental para empresas, atua justamente nessa interseção entre cuidado, engajamento e operação. A empresa combina terapia online, tecnologia e estratégias de uso recorrente para apoiar empresas na estruturação dessa frente, inclusive em um cenário em que a NR-1 aumentou a atenção sobre riscos psicossociais e prevenção.

A discussão também ganha força porque a própria NR-1, embora regulatória, acaba empurrando as empresas para uma leitura mais ampla. O desafio já não é apenas cumprir uma exigência, mas entender que fatores psicossociais mal geridos afetam clima, capacidade de execução, qualidade das entregas e consistência do crescimento. Em outras palavras, saúde mental começa a deixar de ser apenas uma pauta de RH para se consolidar como tema de gestão e performance.

Para o mercado, a tendência é clara: a combinação entre pressão regulatória, aumento de afastamentos e evidências sobre produtividade está empurrando a saúde mental para o centro da agenda empresarial. E, ao que tudo indica, esse movimento não deve retroceder.

A NR-1 pode ter acelerado a conversa, mas os dados de afastamento e produtividade mostram que a saúde mental já virou uma discussão de negócio.

Compartilhe

Tudo sobre economia, negócios, inovação, carreiras e ESG em Santa Catarina.

Leia também