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Crédito mais caro, empresas mais pressionadas: por que as securitizadoras podem ganhar protagonismo no financiamento às PMEs

Foto: divulgação

O endividamento das empresas brasileiras deixou de ser apenas um indicador financeiro e passou a ser um dos temas centrais para compreender o momento econômico do país. Depois de um ciclo de juros elevados, crédito mais seletivo e margens comprimidas, milhares de negócios chegaram a 2026 pressionados por dívidas de curto prazo, dificuldade de rolagem e menor acesso a linhas estruturadas de financiamento.

Os números dimensionam o problema. Segundo a Serasa Experian, o Brasil encerrou 2025 com 8,9 milhões de empresas inadimplentes, acumulando R$ 213 bilhões em dívidas negativadas, o maior patamar da série histórica do indicador. Desse total, 8,5 milhões eram micro e pequenas empresas, responsáveis por R$ 185,4 bilhões em dívidas.1 Em outras palavras, a crise de crédito empresarial é, sobretudo, uma crise das PMEs.

Esse movimento não ocorre isoladamente. O Banco Central apontou que as condições do mercado de crédito se tornaram mais restritivas em 2025, em linha com o aperto monetário, com perda de força do crédito livre às empresas e migração parcial da demanda para crédito direcionado e mercado de capitais.5 Ao mesmo tempo, a taxa média do crédito livre para pessoas jurídicas chegou a 25,2% ao ano em janeiro de 2026, evidenciando o peso do custo financeiro sobre empresas que dependem de capital de giro para manter suas operações.4

Para economias regionais marcadas pela presença de empresas industriais, comerciais, prestadoras de serviço e cadeias produtivas integradas, como ocorre em diversos polos de Santa Catarina, esse contexto exige atenção. Quando o crédito bancário tradicional fica mais caro e seletivo, a consequência não é apenas a redução de investimentos. Muitas empresas passam a tomar crédito para sustentar fluxo de caixa, pagar fornecedores, recompor capital de giro e atravessar períodos de receita mais pressionada.

A Serasa Experian registrou alta de 9,8% na demanda das empresas por crédito em 2025, com avanço de 10% entre micro e pequenas empresas.3 O dado revela uma contradição importante: mesmo com juros altos, as empresas continuam buscando financiamento. A diferença é que, cada vez mais, a demanda não está associada apenas à expansão, mas também à sobrevivência financeira e à reorganização do passivo.

As micro e pequenas empresas, que representam cerca de 96% das empresas inadimplentes, têm, em geral, menor acesso a linhas de crédito estruturadas e dependem mais de recursos de curto prazo.” — Serasa Experian, ao comentar o recorde de inadimplência empresarial em 2025.1

Esse diagnóstico ajuda a explicar por que as securitizadoras podem ganhar protagonismo no próximo ciclo. Em um ambiente no qual empresas precisam transformar recebíveis, contratos, fluxos futuros e ativos financeiros em liquidez, a securitização aparece como uma ponte entre a economia real e investidores em busca de oportunidades com lastro, previsibilidade e remuneração ajustada ao risco.

A securitização não é uma solução mágica para empresas mal administradas, nem deve ser vista como substituta indiscriminada do crédito bancário. Seu papel é mais sofisticado: estruturar operações, organizar riscos, transformar direitos creditórios em instrumentos financiáveis e criar canais de distribuição para investidores qualificados ou para públicos permitidos pela regulação aplicável. Quando bem executada, ela pode ampliar o acesso ao capital para empresas com bons ativos, mas que enfrentam gargalos de liquidez no sistema financeiro tradicional.

Esse ponto é especialmente relevante para PMEs. Muitas empresas menores têm relacionamento recorrente com clientes, contratos performados, recebíveis de cartão, duplicatas, pedidos firmes ou histórico operacional consistente. Ainda assim, nem sempre conseguem acessar crédito em condições compatíveis com seu ciclo de caixa. A securitização, os FIDCs, as operações com recebíveis e outras estruturas de mercado de capitais podem ajudar a preencher essa lacuna, desde que acompanhadas de análise criteriosa, transparência informacional e governança.

Desafio das PMEsComo estruturas de securitização podem contribuir
Dependência de crédito bancário caro e curtoTransformação de recebíveis e fluxos futuros em instrumentos financiáveis
Dificuldade de alongar passivosEstruturas com prazos e remuneração mais alinhados ao ciclo operacional
Baixa previsibilidade para investidoresPadronização de informações, monitoramento de carteira e relatórios periódicos
Falta de canais digitais de originaçãoPlataformas white-label para captação, análise, documentação e acompanhamento
Risco regulatório e operacionalProcessos com compliance, KYC/AML, trilhas de auditoria e segregação financeira

O aumento das recuperações judiciais reforça a urgência desse debate. Em 2024, os pedidos de recuperação judicial cresceram 61,8%, alcançando 2.273 solicitações, o maior volume desde o início da série histórica em 2006, segundo análise da FecomercioSP com base em dados da Serasa Experian.7Em abril de 2025, micro e pequenas empresas responderam por quase 80% dos pedidos de recuperação judicial registrados no mês, segundo a própria Serasa Experian.8

Esses dados mostram que a janela para reorganizar o financiamento empresarial não está apenas no futuro. Ela já está aberta. O desafio é construir canais capazes de separar empresas com problemas conjunturais de caixa daquelas com fragilidades estruturais, oferecer instrumentos adequados a cada perfil de risco e garantir que investidores tenham acesso a informações claras, rastreáveis e verificáveis.

É nesse ponto que tecnologia e regulação deixam de ser áreas de suporte e passam a ocupar o centro da estratégia. O mercado de capitais para PMEs só se sustenta se houver confiança. Confiança exige dados, documentação, validações, trilhas de auditoria, prevenção a fraudes, segregação de recursos, controles de elegibilidade, suitability e acompanhamento contínuo. Em outras palavras, exige infraestrutura.

A CrowdTech atua exatamente nessa camada. Como RegTech brasileira especializada em infraestrutura tecnológica white-label para operações reguladas de investment crowdfunding, a empresa oferece a base digital para que plataformas, securitizadoras e instituições financeiras operem modelos de captação e distribuição com compliance by design. A proposta não é apenas colocar uma jornada online no ar, mas transformar requisitos regulatórios, operacionais e financeiros em fluxos digitais auditáveis.

Para securitizadoras que pretendem explorar esse novo momento, a tecnologia pode ser decisiva. A originação de operações, a coleta de documentos, a validação cadastral, a análise de investidores, a gestão de ofertas, a integração com contas escrow, os registros de aceite e a produção de evidências regulatórias não podem depender de processos manuais ou fragmentados. Quanto maior a escala, maior a necessidade de automação segura.

Nesse sentido, a CrowdTech se posiciona como parceira tecnológica e regulatória para organizações que desejam estruturar novos canais de distribuição, lançar plataformas digitais, aproximar empresas emissoras de investidores e operar com rastreabilidade ponta a ponta. Para o mercado, isso significa reduzir tempo de implantação, diminuir risco operacional e criar uma experiência mais transparente para todos os envolvidos.

O momento econômico brasileiro é desafiador, mas também abre espaço para inovação financeira responsável. A inadimplência recorde entre empresas não deve ser lida apenas como sinal de crise. Ela também aponta para a necessidade de modernizar a forma como o capital chega às PMEs. Securitizadoras, plataformas digitais e infraestruturas reguladas podem cumprir papel relevante nessa transição, desde que operem com rigor, governança e tecnologia.

A próxima etapa do financiamento empresarial no Brasil provavelmente não será marcada por uma única solução. Ela será construída por um ecossistema que combina bancos, mercado de capitais, securitizadoras, fundos, plataformas de crowdfunding e provedores de infraestrutura. Nesse ecossistema, vencerá quem conseguir unir acesso a capital, inteligência de risco, eficiência operacional e confiança regulatória.

Para empresas que precisam de liquidez, investidores que buscam oportunidades e operadores que desejam atuar nesse mercado, a mensagem é clara: o crédito está mudando de canal. E quem tiver infraestrutura para operar essa mudança com segurança estará melhor posicionado para capturar as oportunidades do novo ciclo.

Referências

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