À medida que ferramentas como ChatGPT, Gemini, Claude e Perplexity se consolidam como canais de busca e descoberta de informações, surge uma nova preocupação para empresas e instituições: afinal, o que essas inteligências artificiais estão dizendo sobre suas marcas?
Foi a partir dessa pergunta que a Teia Studio desenvolveu uma plataforma capaz de monitorar e auditar, em tempo real, as respostas geradas pelas principais IAs do mercado. A solução será apresentada durante o Web Summit Rio 2026, entre os dias 8 e 11 de junho. Selecionada como Startup ALPHA do evento, a empresa também participará do PITCH Competition, principal competição de startups da conferência.
A proposta da plataforma nasce de uma mudança no comportamento dos usuários. Se antes a busca por informações passava quase exclusivamente pelos mecanismos de pesquisa tradicionais, agora milhões de pessoas recorrem diretamente às inteligências artificiais para obter respostas sobre empresas, hospitais, produtos, serviços e profissionais. O desafio, segundo a startup, é que essas respostas nem sempre são precisas.
“O mercado já começou a trabalhar para otimizar a presença das empresas dentro das inteligências artificiais. Mas ninguém estava monitorando, de forma contínua, o que essas plataformas efetivamente estão dizendo para as pessoas. Foi para preencher essa lacuna que desenvolvemos a Teia GEO IGO”, afirma José Vásquez, fundador e CDAO da empresa.
A plataforma opera de forma contínua, enviando perguntas padronizadas para diferentes modelos de inteligência artificial e comparando as respostas com informações oficiais das organizações monitoradas. A partir dessa análise, a ferramenta identifica inconsistências, divergências entre modelos, possíveis informações inventadas e o nível de visibilidade da marca dentro das respostas geradas pelas IAs.
Os resultados são apresentados em painéis e relatórios que permitem acompanhar a evolução da reputação digital das empresas dentro desses novos ambientes de busca. Os primeiros testes realizados pela startup revelaram resultados que chamaram a atenção. Em um projeto piloto conduzido entre março e abril deste ano, envolvendo quatro organizações de diferentes setores, a plataforma identificou dezenas de informações incorretas geradas pelos modelos analisados.
Entre os principais achados, estavam profissionais inexistentes, endereços incorretos, sites que não existiam e informações contraditórias entre diferentes inteligências artificiais para uma mesma pergunta. Em alguns casos, as marcas sequer eram citadas nas respostas, mesmo quando o questionamento era diretamente relacionado a elas.
Para a Teia Studio, esse cenário inaugura um novo desafio para as empresas. Se antes a preocupação estava concentrada em aparecer bem posicionada nos buscadores, agora passa também pela capacidade de compreender e monitorar como as inteligências artificiais interpretam e apresentam suas informações.
A metodologia desenvolvida pela empresa foi batizada de Intelligence Governance & Observability (IGO) e busca criar indicadores capazes de transformar a percepção das IAs em métricas monitoráveis. A startup também depositou pedido de patente da metodologia junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
“A partir desses diagnósticos, conseguimos orientar ações para que as plataformas reconheçam os canais oficiais como fonte prioritária de informação. Isso amplia a qualidade das respostas e reduz o risco de informações equivocadas chegarem aos usuários”, afirma.
Durante o evento, a equipe realizará demonstrações da plataforma e apresentará os resultados obtidos no programa piloto, além de discutir os impactos da inteligência artificial sobre reputação digital, marketing e tomada de decisão nas empresas.