Mr. Catra, um dos nomes mais emblemáticos da história do funk brasileiro, terá sua trajetória revisitada por meio da tecnologia.
O artista, que morreu em 2018 aos 49 anos em decorrência de complicações causadas por um câncer no estômago, será recriado por inteligência artificial (IA) no videoclipe de “Amar a Vida”, música inédita que chega às plataformas digitais nesta terça-feira, dia 16.
O lançamento marca o primeiro videoclipe produzido após a morte do cantor e o único de toda a sua carreira desenvolvido com o auxílio da inteligência artificial.
A faixa é uma parceria com o cantor e produtor musical Kaiê no Beat, também conhecido como Menor, artista com atuação no cenário musical paulistano e passagens por projetos ligados ao forró e à música popular brasileira.
Inspirada em uma experiência pessoal vivida por Kaiê no Beat, a composição nasceu a partir de uma relação marcante e ganhou novos contornos quando foi apresentada a Mr. Catra, durante um encontro em estúdio no Rio de Janeiro.
Segundo o artista, a reação de Catra foi imediata. Em meio à emoção provocada pela música, o funkeiro teria afirmado que aquela não era uma canção para aquele momento, mas uma obra “à frente do seu tempo”, que deveria ser lançada no futuro.
Agora, anos depois, a faixa ganha vida em um projeto que une memória afetiva e inovação tecnológica. Com sonoridade que mistura elementos do funk com influências do samba e da música brasileira, “Amar a Vida” busca preservar a identidade artística de Mr. Catra ao mesmo tempo em que dialoga com as transformações do mercado audiovisual.
A produção do videoclipe ficou a cargo do gaúcho Jacques Dequeker, diretor audiovisual, artista 3D e fundador da Eterna Music Lab. Desde 2020, o profissional se dedica ao desenvolvimento de avatares digitais e à exploração de novas linguagens criativas impulsionadas pela tecnologia.
Com trajetória consolidada na fotografia de moda, ele já trabalhou com nomes como Gisele Bündchen, Naomi Campbell, Alessandra Ambrósio, Adriana Lima, Paris Jackson e Cara Delevingne, além de artistas como Adam Levine, Rita Ora, Iggy Azalea e Fergie. Seus trabalhos também estamparam publicações internacionais como Vogue, Elle, Marie Claire e GQ.
O projeto representa um novo capítulo na discussão sobre o uso da inteligência artificial na indústria criativa, especialmente na preservação e reinterpretação de legados artísticos.
No caso de Mr. Catra, a tecnologia se torna uma ferramenta para reconectar o público à obra de um artista que ajudou a popularizar o funk carioca e a romper barreiras culturais em um período em que o gênero ainda enfrentava forte preconceito.