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O comércio exterior ficou complexo demais para operações improvisadas

Foto: divulgação

Por Radamés Parmeggiani, CEO da Afianci Global Networking.

Sempre que eu converso com empresários e gestores de comércio exterior, noto um ponto em comum: quase todos sabem importar. Só que poucos têm uma operação internacional de fato estruturada. E essa diferença pesa no resultado.

Na prática, muitos problemas da importação não começam no fornecedor, e sim no modo como a cadeia foi montada. Despachante de um lado, agente de carga de outro, banco, transportador, operador logístico, consultoria tributária, cada um faz sua parte, mas sem uma visão única da operação.

Quando isso acontece, a empresa até consegue importar, mas a operação avança com retrabalhos, custos escondidos, atrasos e pouca previsibilidade. Vejo essa situação se repetir muito. A empresa percebe que poderia operar melhor, mas não identifica exatamente onde estão os gargalos.

O fato é que o problema não aparece isolado em uma linha da planilha. Ele se espalha pela cadeia. Um embarque mal planejado impacta a produção. Uma decisão tributária tardia compromete o caixa. Uma falha de comunicação gera custo extra. Um fornecedor ruim pode colocar prazo e qualidade em risco.

Por isso, defendo que importar bem deixou de ser apenas negociar preço ou encontrar um bom fornecedor. Importar bem é construir uma arquitetura operacional capaz de integrar logística, tributação, financeiro, compliance e gestão da cadeia internacional.

Ainda há empresas que tratam a importação como etapa burocrática. Eu enxergo de outra forma: é decisão estratégica. Quando bem estruturada, melhora a competitividade e ajuda a empresa a crescer com mais segurança. Ou seja, o comércio exterior não permite mais improviso. Ele requer método, inteligência e coordenação.

É nesse contexto que modelos mais integrados ganham força. Trading companies estruturadoras e o BPO em comércio exterior – modelo em que uma empresa especializada assume a gestão completa da operação internacional do cliente – não existem só para executar tarefas. Existem para dar clareza e reduzir complexidade, conectando todas as pontas da operação.

No fim, a pergunta que todo empresário deveria fazer não é apenas se consegue importar. É se a estrutura atual da sua empresa sustenta as múltiplas variáveis de uma operação internacional.

Importar é o ponto de partida. O desafio é construir uma operação que sustente o crescimento do seu negócio.

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