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O fim do software como serviço: sua startup vai existir em 2028?

Foto: divulgação

Muito prazer, eu sou a Camila Hasse, CEO da FinHasse. Minha missão é transformar inovação tecnológica e inteligência de dados em capital estratégico. Ao longo dos últimos 10 anos, mergulhei profundamente nos números do setor financeiro de tecnologia.

Vi o auge do capital barato, a euforia dos unicórnios e, mais recentemente, o choque de realidade que mudou as regras do jogo. Se há algo que aprendi nesse tempo é que os números não mentem, mas eles mudaram de idioma.

Hoje, em maio de 2026, a pergunta mais brutal que um investidor faz em uma sala de Due Diligence não é sobre o seu faturamento. É um teste de sobrevivência: “Sua startup vai existir daqui a dois anos ou você é apenas um recurso temporário que a IA ainda não substituiu?”.

Estou aqui para dizer que o mundo que você conhecia mudou. E se você quiser que seu negócio sobreviva nos próximos 24 meses, precisa entender que o Software como Serviço (SaaS) morreu. O que emerge agora é o Serviço como Software (SaaS 2.0).

A grande inversão: do “auxílio” para a “entrega”

No SaaS tradicional, o foco era a ferramenta. Vendíamos painéis bonitos para humanos operarem. O lucro do cliente dependia da habilidade dele em usar o seu software. No SaaS 2.0 (Service as a Software), o jogo inverteu. O software não é mais o meio, ele é o fim. Ele não auxilia, ele executa e entrega o resultado final de forma autônoma.

Se você ainda cobra por usuários (users), você está incentivando seu cliente a ser menos eficiente. Investidores não querem mais saber quantos acessos você vendeu, mas quantos resultados você entregou. No SaaS 2.0, o software não é mais o copiloto; ele é o piloto automático.

A nova matemática: 2 Devs + IA = 15 funcionários

Nesses 10 anos de financeiro, vi empresas medirem sucesso pelo tamanho do time. Em 2026, o headcount inchado é um sinal de alerta, não de status. A IA permitiu o surgimento de startups ultra-enxutas que operam com uma lógica diferente.

Para ilustrar a nova matemática da produtividade: se você tem um dev pleno, um dev sênior e duas assinaturas de IA, você tem, na prática, 15 funcionários.

Essa não é uma frase de efeito, é a realidade operacional de quem entendeu como usar a tecnologia para achatar a curva de custos. Se você precisa contratar 20 pessoas para dobrar seu faturamento, seu modelo de negócio ficou no passado. O futuro pertence a quem entende de orquestração de tecnologia, não apenas de gestão de pessoas.

O fator humano: por que a IA não joga sozinha

A IA, por si só, não faz nada. Ela é um motor potente, mas motores sem motoristas causam desastres. Ela sempre precisará de um especialista para dizer quais são seus limites, especialmente quando entramos em terrenos ávidos por segurança, como a cibersegurança e a governança de dados proprietários.

A IA tem alucinações, falhas de lógica e pontos cegos éticos. O diferencial competitivo de 2026 não é apenas “ter IA”, mas ter quem saiba ensiná-la e monitorá-la.

Isso nos leva a uma provocação final: estamos presenciando o surgimento de uma nova profissão? Seriam os “Instrutores ou Ensinadores de IA” os novos protagonistas do mercado de tecnologia? 

Nesta coluna no Economia SC, meu papel será ser o “advogado do diabo” da sua estratégia financeira e tecnológica. Vou trazer a frieza dos números e a experiência de quem viu o mercado se transformar para ajudar você a navegar nesse SaaSpocalypse.

O tempo do software “bonitinho” acabou. Bem-vindos à era da execução bruta. Falamos sobre o papel desse “humano no controle” e os riscos que a autonomia total esconde no nosso próximo bloco. Até lá!

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fundadora da FinHasse e mentora de inovação, com 10 anos de experiência em finanças para tecnologia e passagens que vão de startups a bigtechs.

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