Quando boas ideias encontram as pessoas certas, as conexões acontecem. Foi um pouco desse espírito que marcou a 3ª edição do ConectAI, realizada em Florianópolis.
Estive a frente do ConectAI junto com meus parceiros Felipe Melo, POPS e Camila Garcia, da Impact Hub Floripa. Uma parceria importante não apenas para colocar o evento de pé, mas principalmente para aproximar o ConectAI de quem movimenta diariamente o ecossistema de inovação da cidade.
E a resposta da comunidade veio rápido: sold out. A casa ficou cheia, reunindo dezenas de empreendedores, profissionais de tecnologia, startups, estudantes e pessoas interessadas em entender para onde está caminhando a Inteligência Artificial — e quais desafios vêm junto com ela.
Realizado pela VIRTUS, EMBRAPII – Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial e MCTI – Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, o encontro trouxe para o centro da conversa um assunto que está cada vez mais presente dentro das empresas: como aproveitar na prática as oportunidades da IA sem perder de vista a segurança.
IA na prática
Um dos momentos da noite foi a participação de Daniel Macedo, da VIRTUS, diretamente de Campina Grande (PB). A conversa saiu do campo das possibilidades e mostrou como a Inteligência Artificial já está sendo aplicada na prática e fazendo parte da realidade das empresas.
Na mesma noite, foi a vez de ampliar o debate.
Júlio Silveira Melo, CEO da Canarius e Surface Guard, e Jorge Sandoval, engenheiro de Inteligência Artificial, participaram de uma roda de conversa mediada por Camila Garcia, da Impact Hub Floripa.
Sem ficar apenas no discurso sobre tendências, o bate-papo passou por questões que já fazem parte do dia a dia de quem trabalha com tecnologia: as oportunidades abertas pela IA, a velocidade com que tudo está mudando e, principalmente, os cuidados necessários quando o assunto é cibersegurança.
Quanto mais a IA avança, mais precisamos falar sobre segurança
Talvez esse tenha sido um dos principais recados da noite.
A Inteligência Artificial deixou de ser algo distante ou restrito às grandes empresas de tecnologia. Ela já está inserida nos negócios, nos processos e à rotina de profissionais dos mais diferentes setores.
E justamente por isso falar sobre segurança se tornou tão importante quanto falar sobre inovação.
À medida que novas ferramentas entram nas empresas, surgem também novas perguntas sobre proteção de dados, informações estratégicas e uso responsável da tecnologia. O desafio agora não é apenas descobrir o que podemos fazer com IA, mas também entender como fazer isso de maneira segura.
Outro ponto que acendeu um sinal de alerta foi a necessidade de monitorar não apenas o uso da IA, mas também seus impactos na rotina de trabalho. Existe a expectativa de que a tecnologia, como uma nova parceira, reduza nossa carga de trabalho. Na prática, porém, pode acontecer o contrário: quanto mais conseguimos produzir e entregar com a IA, mais queremos — e somos estimulados — a entregar. Nossos convidados chamaram a atenção justamente para esse cuidado: usar a IA para ganhar eficiência não pode significar simplesmente preencher o tempo conquistado com ainda mais trabalho.
Um evento feito de conexões
O sold out mostrou o tamanho do interesse pelo assunto, mas o ConectAI foi além de uma noite de conteúdo.
Nos intervalos, nas conversas e nas trocas entre os participantes, ficou evidente a importância de colocar no mesmo ambiente quem desenvolve tecnologia, quem empreende, quem pesquisa e quem simplesmente está tentando entender como tudo isso vai impactar seu negócio.
É justamente aí que a parceria entre Dani Gluck, Felipe POPS, Camila Garcia, Impact Hub Floripa, VIRTUS e as instituições envolvidas ganha força. Eventos como esse acontecem porque existe uma comunidade disposta a abrir portas, compartilhar conhecimento e conectar pessoas.
Depois de três edições aqui em Floripa, uma coisa parece cada vez mais clara: o futuro da Inteligência Artificial pode até ser movido por tecnologia, mas continua sendo construído por pessoas. A tecnologia vai continuar avançando — isso é inevitável. O que precisamos nos perguntar é se a nossa consciência sobre segurança, limites e responsabilidade está acompanhando esse avanço. E encerro a reflexão desta semana com mais uma provocação: a IA está evoluindo rápido, mas será que nós estamos preparados para evoluir junto com ela e, principalmente, saber usá-la?