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Subvenção econômica: muito além de um recurso financeiro

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Foto: divulgação

Sempre que converso com empresários, empreendedores ou até mesmo amigos sobre captação de recursos para inovação, percebo que existe um ponto em comum: a maioria nunca ouviu falar em subvenção econômica.

E quando explico que existem recursos públicos destinados a apoiar o desenvolvimento de novos produtos, serviços e tecnologias, sem a necessidade de devolução do valor recebido, a reação costuma ser a mesma: “como eu não sabia disso antes?”

Essa é uma realidade que encontro com frequência. Muitas empresas deixam de inovar ou adiam projetos por acreditarem que a única alternativa é recorrer a empréstimos ou investir exclusivamente com recursos próprios. Mas existe um instrumento criado justamente para reduzir esse risco: a subvenção econômica.

Afinal, o que é uma subvenção econômica?

A subvenção econômica é um mecanismo de incentivo adotado pelo poder público para impulsionar o desenvolvimento de áreas estratégicas da economia e fomentar soluções para desafios de interesse coletivo. Esse instrumento pode se materializar por meio de incentivos fiscais, como reduções ou isenções tributárias, ou pela concessão de recursos financeiros não reembolsáveis destinados à execução de projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I). 

No Brasil, o marco regulatório que possibilitou esse instrumento foi estabelecido pela Lei da Inovação (Lei nº 10.973/2004) e regulamentado pelo Decreto nº 5.563/2005, sendo posteriormente fortalecido pela Lei do Bem (Lei nº 11.196/2005) e pelo Decreto nº 5.798/2006, que têm como objetivo incentivar a inovação tecnológica e aumentar a competitividade das empresas brasileiras.

Na prática, isso significa que empresas podem desenvolver projetos inovadores com apoio financeiro do poder público. Diferentemente de um financiamento tradicional, a subvenção econômica é um recurso não reembolsável. Ou seja, desde que o projeto seja executado conforme as regras do edital e a prestação de contas seja aprovada, os recursos não precisam ser devolvidos.

Os recursos podem financiar diversas atividades relacionadas à inovação, como contratação de equipe técnica, aquisição de materiais e equipamentos, desenvolvimento tecnológico, infraestrutura, validação de produtos, transferência de tecnologia e outras despesas previstas em edital.

Além do apoio financeiro, muitos programas de subvenção incentivam a formação de parcerias entre empresas, universidades, institutos de pesquisa e demais organizações do ecossistema de inovação, promovendo a troca de conhecimento e acelerando o desenvolvimento de soluções para o mercado.

Talvez um dos maiores mitos sobre a subvenção econômica seja acreditar que ela existe apenas para grandes empresas. Não existe uma regra que diga que somente organizações de grande porte podem acessar esses recursos.

Hoje encontramos editais voltados para micro e pequenas empresas, startups e negócios em diferentes estágios de maturidade. Em algumas oportunidades,  como recentemente tivemos o Programa Centelha do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), a participação pode começar ainda na fase de pessoa física, desde que a formalização da empresa ocorra antes da contratação do projeto, conforme previsto em cada edital.

O que realmente faz diferença não é o tamanho da empresa, mas a qualidade do projeto apresentado. Um problema bem definido, uma solução inovadora, um bom planejamento e uma proposta consistente costumam pesar muito mais do que o porte do negócio.

É claro que captar uma subvenção exige preparação. É preciso acompanhar os editais, entender os critérios de elegibilidade, estruturar um projeto sólido, apresentar a contrapartida quando exigida e cumprir todas as etapas de execução e prestação de contas.

Mas, depois de acompanhar dezenas de empresas nessa jornada, posso afirmar uma coisa: o maior obstáculo normalmente não é a burocracia. É o desconhecimento. Muitos empreendedores simplesmente não sabem que essa oportunidade existe e, por isso, deixam de buscar recursos que poderiam acelerar seus negócios.

A inovação não deve ser vista como um privilégio das grandes empresas. Cada vez mais, pequenos negócios, startups e empreendedores têm acesso a instrumentos de fomento capazes de transformar boas ideias em soluções de mercado.

Por isso, sempre que alguém me pergunta qual é o primeiro passo para captar recursos, minha resposta é a mesma: antes de procurar dinheiro, procure informação. Conhecer os mecanismos de fomento é o início de uma estratégia que pode fazer toda a diferença no crescimento de um negócio.

E para encerrar fica o seguinte questionamento: e você, já conhecia a subvenção econômica como uma oportunidade para inovar?

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contadora e consultora de negócios, atua com articulação e relacionamento com o mercado conectando ecossistemas, empresas e startups e através de captação de recursos via editais de inovação.

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