Antes de falar sobre o que aconteceu em Florianópolis neste mês de abril, vale dar um passo atrás e trazer o letramento sobre um termo que aparece cada vez mais na sociedade e nos negócios: os ODS.
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) são uma agenda global criada pela Organização das Nações Unidas, dentro da chamada Agenda 2030.
São 17 objetivos que tratam de temas como combate à pobreza, educação de qualidade, saúde, inovação, sustentabilidade ambiental e redução das desigualdades.
Na prática, eles funcionam como um guia para que governos, empresas e organizações tomem decisões que gerem impacto positivo real na sociedade.
Dito isso, o que aconteceu em Florianópolis ganha ainda mais relevância.
A capital catarinense sediou, no dia 24 de abril, a 1ª Conferência Estadual dos ODS, reunindo mais de 230 participantes de diferentes setores: governo, empresas, universidades e sociedade civil. Um encontro construído a muitas mãos de muitos voluntários, e que teve na liderança de Luciana Homrich, coordenadora geral do movimento e da conferência em Santa Catarina, um papel fundamental para que tudo acontecesse.
E para quem perdeu a edição aqui no estado já deixo aqui o convite, entre os dias 29 de junho e 2 de julho de 2026, acontecerá a etapa nacional, que será realizada em Brasília.
Mais do que um espaço de debate, a conferência trouxe encaminhamentos concretos. O encontro elegeu 20 delegados e 13 suplentes, com uma composição que reforça o protagonismo da sociedade civil, dois terços dos representantes, em relação a um terço do poder público.
Esse grupo será responsável por levar as contribuições de Santa Catarina para a etapa nacional, garantindo que as demandas do estado estejam presentes na construção da agenda brasileira dos ODS.
Além disso, foram definidas seis propostas prioritárias, uma para cada eixo temático, consolidando o que o estado entende como mais urgente neste momento. Entre os temas aprovados estão governança participativa, ação climática, inclusão social, inovação tecnológica e o fortalecimento de mecanismos de financiamento e cooperação entre diferentes setores, pontos que, na prática, indicam não só desafios, mas também onde devem se concentrar esforços e investimentos nos próximos anos.
Esse movimento tem um efeito direto, ainda pouco percebido, sobre para onde os recursos financeiros serão direcionados.
Hoje, tanto o setor público quanto o privado estão cada vez mais alinhados a essa lógica. Grandes empresas têm buscado inovação aberta para resolver desafios concretos, muitos deles diretamente ligados aos ODS.
Ao mesmo tempo, o poder público vem adotando instrumentos mais modernos para contratar e fomentar soluções inovadoras, como os Contratos Públicos para Solução Inovadora (CPSI), além dos editais tradicionais de financiamento.
Em minha coluna e no LinkedIn, falo diariamente sobre como, onde e quando buscar oportunidades, seja por meio da captação de recursos a fundo perdido, programas de inovação aberta, aceleração ou CPSI.
Recentemente, a Ambev, por meio do seu programa de aceleração 100+ Labs Brasil, que une inovação e sustentabilidade, lançou desafios focados em mudanças climáticas, embalagem circular, agricultura sustentável, gestão de água e inclusão produtiva.
Assim como o Instituto Lojas Renner, que abriu edital destinando até R$ 1 milhão para cinco projetos em todo o Brasil, com foco na geração de trabalho e renda para mulheres de baixa renda.
Na área pública, já ocorreram diversos CPSI, como no município de Bela Vista (MS), que buscou soluções inovadoras voltadas à eliminação do lixão a céu aberto e à modernização da gestão de resíduos sólidos.
E não precisamos ir muito longe: aqui em Santa Catarina tivemos o caso da Prefeitura de Joinville, que lançou nove desafios nas áreas de mobilidade e planejamento urbano, educação, esporte, habitação, meio ambiente, segurança pública, turismo, saúde e infraestrutura urbana.
E aqui entra uma informação importante: existe recurso disponível.
Recursos que não são empréstimos. Recursos que não exigem participação societária. Recursos a fundo perdido — destinados a quem tem propostas capazes de enfrentar problemas reais.
Mas o cenário mudou.
Não basta mais ter uma boa ideia. É preciso demonstrar impacto. É preciso mostrar conexão com demandas reais da sociedade. É preciso dialogar com políticas públicas e com o território.
Eventos como a 1ª Conferência Estadual dos ODS, realizada aqui em Florianópolis, ajudam justamente nisso: transformam grandes agendas globais em prioridades locais. E, para quem está atento, funcionam quase como um mapa.
Um mapa que aponta para onde caminham os editais, quais temas ganham força e como estruturar projetos com maior chance de captar recursos.
E, para quem atua com inovação, principalmente de impacto, entender esse movimento e saber onde captar recursos ou acelerar por meio de programas pode ser a diferença entre ficar de fora ou acessar as oportunidades que já estão sendo construídas agora.
E depois de todo esse conteúdo cheinho de impacto, deixo a reflexão desta semana:
Você já parou para pensar qual impacto o seu negócio gera? Consegue medir esse impacto? E, mais importante: você está preparado para transformar isso em acesso a recursos?