Pesquisar

A hora e a vez do empreendedorismo feminino

Compartilhe

Foto: divulgação

Nunca o incentivo ao empreendedorismo feminino esteve tão presente nas pautas econômicas como agora. O empreendedorismo feminino no Brasil deixou de ser tendência para se tornar realidade.

Em 2025, as mulheres lideram cerca de um terço dos negócios no país, somando mais de 10 milhões de empreendedoras, segundo levantamentos recentes do Sebrae e estudos nacionais de monitoramento.

Em Santa Catarina, o cenário acompanha esse avanço: em 2025, foram registradas cerca de 475 mil mulheres empreendedoras, conforme dados do Sebrae.

Contudo, o panorama ainda revela desafios importantes. O estado, reconhecido por seu dinamismo econômico e forte presença de pequenas empresas, apresenta uma participação feminina próxima de 30% nos negócios, com maior concentração em micro e pequenas empresas e menor presença em setores de base tecnológica e inovação.

As mulheres estão empreendendo, mas ainda acessam menos os espaços de maior crescimento e capitalização. Esse movimento não é isolado.

Estudos como o relatório do Global Entrepreneurship Monitor mostram que mulheres tendem a empreender em maior número por necessidade ou oportunidade local, mas enfrentam barreiras quando o assunto é escala, investimento e inovação.

E aqui entra um ponto central da minha atuação: o acesso a recursos.

No dia a dia, acompanhando empresas e startups, vejo um padrão claro: mulheres empreendem, estruturam seus negócios, validam soluções… mas, muitas vezes, não avançam na escala por não acessarem apoio financeiro disponíveis via editais, programas de aceleração ou premiações.

E não estamos falando de falta de oportunidade. Estamos falando de falta de conhecimento sobre o assunto e de ter acesso a uma curadoria estratégica que ajude a transformar informação em direcionamento claro.

Desde que comecei a atuar com projetos de inovação por meio da captação de recursos, há cerca de quinze anos, o cenário era bem diferente, mais restrito às grandes empresas.

Hoje, ele se mostra mais acessível: existe um volume maior de incentivos e programas disponíveis, especialmente voltados ao fortalecimento de pequenos e médios empreendedores e ao público feminino, tanto em iniciativas nacionais quanto internacionais.

Recursos por meio de editais, programas de inovação, premiações e aceleração muitas vezes parecem complexos, pois exigem leitura, estratégia e preparo e, sem o apoio adequado, acabam ficando distantes da realidade de muitas empreendedoras.

Na prática, o desafio não está na ausência de recursos, mas no acesso a eles de forma estratégica. Existem oportunidades, muitas, inclusive, direcionadas ao público feminino, mas ainda pouco exploradas por quem poderia se beneficiar diretamente.

Quando falamos em empreendedorismo feminino, precisamos avançar para além da criação de negócios. O ponto central passa por como acessar, selecionar e aproveitar melhor essas oportunidades.

Isso exige informação qualificada, direcionamento e conexão com o que realmente faz sentido para cada negócio. Porque o recurso existe; a diferença está em quem está preparado para acessá-lo.

Em Santa Catarina, algumas iniciativas estão abertas para alavancar esse cenário através da FAPESC (Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina). Estão abertos atualmente dois editais voltados exclusivamente para mulheres: o Mulheres+Tec (5ª edição), com inscrições até 29/04, e o Mulheres+Pesquisa (3ª edição), com inscrições até 28 de abril.

  • Mulheres+Tec: prevê até R$ 120 mil por projeto e tem como foco apoiar empresas com quadro societário formado exclusivamente por mulheres, incentivando o desenvolvimento de produtos, serviços ou processos inovadores de base tecnológica.
  • Mulheres+Pesquisa: prevê até R$ 200 mil por projeto e é direcionado a pesquisadoras vinculadas a instituições catarinenses, com o objetivo de fomentar projetos de ciência, tecnologia e inovação liderados por mulheres.

Mais do que apoio financeiro, trata-se de uma estratégia clara de fortalecimento da presença feminina na geração de conhecimento e inovação.

São oportunidades estruturadas, direcionadas e, principalmente, necessárias. Um passo concreto para que mais mulheres não apenas empreendam, mas cresçam, inovem e acessem os espaços onde o desenvolvimento acontece.

As oportunidades estão aí. A pergunta é: você já acessou alguma delas?

Compartilhe

contadora e consultora de negócios, atua com articulação e relacionamento com o mercado conectando ecossistemas, empresas e startups e através de captação de recursos via editais de inovação.

Leia também