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O que faz SC continuar liderando a inovação no Brasil?

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Foto: divulgação

Enquanto muitos estados ainda discutem como fortalecer seus ecossistemas de inovação, Santa Catarina já colhe resultados concretos. Nos últimos anos, o estado vem consolidando uma trajetória que o coloca entre os principais ecossistemas de inovação do país.

Só para se ter ideia, Florianópolis acaba de conquistar, pelo segundo ano consecutivo, o título de melhor ecossistema de inovação de grande porte do Brasil, reconhecimento concedido pela CNI – Confederação Nacional da Indústria em parceria com o Sebrae – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas.

Os números ajudam a explicar esse protagonismo. Santa Catarina já soma 2.239 startups mapeadas, representando 9,8% de todos os negócios inovadores do país, ocupando a segunda posição nacional, ficando atrás apenas do estado de São Paulo. Já Florianópolis aparece entre as cidades com maior concentração de startups do país, reforçando sua posição como um dos principais hubs de tecnologia e empreendedorismo do Brasil.

E o ambiente segue aquecido. Santa Catarina iniciou 2026 com um saldo de 45.350 novas empresas apenas no primeiro trimestre, crescimento de 6,5% em relação ao mesmo período de 2025, segundo dados da Junta Comercial do Estado de Santa Catarina. Foram 96.397 empresas abertas em apenas três meses. Outro dado chama atenção: 58% dos novos quadros societários são formados por mulheres, enquanto jovens entre 21 e 31 anos representam mais de 30% dos novos empreendedores.

Mas existe um desafio silencioso por trás desses números. Embora o ecossistema cresça em quantidade, boa parte dos negócios inovadores ainda encontra dificuldades para atravessar uma das fases mais críticas da jornada empreendedora: transformar uma boa ideia em um modelo validado, escalável e conectado ao mercado. 

É justamente nesse ponto que entra o Programa Nascer. A FAPESC – Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina, em parceria com o Sebrae e a SCTI – Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação, lançaram a 7º Edição do Programa Nascer, iniciativa que vem se consolidando como uma das principais portas de entrada para novos empreendedores em Santa Catarina.

Então não perca este edital que está com inscrições abertas até 15 de junho, o programa oferece uma jornada gratuita de pré-incubação, mentorias especializadas, capacitações, modelagem de negócios, validação de mercado e desenvolvimento de MVP, conectando ideias a oportunidades reais de mercado.

Mais do que apoiar startups, o Programa Nascer tem um papel estratégico: democratizar o acesso à inovação e interiorizar o empreendedorismo tecnológico em Santa Catarina. Nesta edição, o programa chega a 20 cidades-polo, fortalecendo talentos, universidades, centros de inovação e empreendedores em diferentes regiões do estado.

Para entender mais sobre o programa, entrevistei duas mulheres que estão a frente e lideram de perto essa jornada: Valeska Tratsk, Diretora de Ciência, Tecnologia e Inovação da FAPESC e Adriana Ribeiro, Coordenadora do Programa Nascer no Sebrae/SC. 

Nesta edição, o Programa Nascer amplia sua presença para 20 cidades e chega a novos polos como: Maravilha, Concórdia, São Miguel do Oeste, Araranguá e Xanxerê, reforçando a estratégia de interiorização da inovação. O que levou o Programa a dar esse passo neste ano e quais resultados concretos esperam ter com essa presença mais capilarizada pelo estado?

    Valeska Tratsk:

    A ampliação do Programa Nascer para 20 cidades reflete o compromisso da FAPESC e do Governo do Estado de Santa Catarina com a democratização do acesso à inovação e ao empreendedorismo em todas as regiões catarinenses. No ano de 2025, a SCTI, concedeu mais nove Centros de Inovação no estado de Santa Catarina, dessa forma, escolhemos cinco novos Centros de Inovação para darem o start iniciando o Programa da Fapesc chamado “NASCER”. Santa Catarina, possui vocações econômicas, talentos e potenciais distribuídos por todo o território, e o Programa Nascer dá mais um passo importante ao fortalecer essa estratégia de interiorização da inovação. A chegada a novos polos como: Maravilha, Concórdia, São Miguel do Oeste, Araranguá e Xanxerê busca aproximar oportunidades de quem muitas vezes está distante dos grandes centros, mas possui ideias inovadoras com enorme potencial de transformação econômica e social. Nosso objetivo é identifica talentos locais, estimular a criação de startups, fortalecer os ecossistemas regionais de inovação e gerar desenvolvimento conectado às características e demandas de cada região. Com essa presença mais capilarizada, esperamos ampliar significativamente o número de ideias apoiadas, aumentar a geração de negócios inovadores, promover maior integração entre universidades, centros de inovação e setor produtivo, além de criar novas oportunidades de emprego, renda e retenção de talentos no interior do estado. Mais do que formar startups, queremos fortalecer uma cultura de inovação que alcance toda Santa Catarina.

    Muitas pessoas têm boas ideias, vontade de empreender e enxergam oportunidades no mercado, mas ainda não sabem por onde começar. Na sua visão, por que participar do Programa Nascer pode ser um passo decisivo para transformar uma ideia em um negócio de verdade?

      Adriana Ribeiro:

      Muitas vezes, o que separa uma boa ideia de um negócio real não é apenas talento ou criatividade, mas acesso a direcionamento, conhecimento, conexões e apoio especializado. E é exatamente isso que o Programa Nascer entrega aos participantes. Ao longo da jornada, os empreendedores têm acesso a mentorias, capacitações, networking e acompanhamento estruturado, conduzidos pelo SEBRAE/SC, permitindo validar soluções, compreender melhor o mercado e construir modelos de negócio mais consistentes. Além disso, o programa conecta os participantes ao ecossistema catarinense de inovação, aproximando talentos de especialistas, centros de inovação, universidades e potenciais parceiros. O Nascer mostra, na prática, que grandes negócios podem surgir em qualquer região de Santa Catarina quando existe método, apoio e um ambiente preparado para transformar potencial em oportunidade.

      O Programa Nascer está na 7º Edição, sendo mais de 4.700 empreendedores impactados nas últimas edições. Na percepção da FAPESC, o perfil de quem busca o programa hoje mudou em relação às primeiras edições? E, olhando para essa evolução, o que ela nos mostra sobre a maturidade e a forma de inovar dos empreendedores catarinenses?

        Valeska Tratsk:

        Ao longo das sete edições do Programa Nascer, percebemos uma evolução muito significativa no perfil dos participantes. Nas primeiras edições, muitos empreendedores ainda estavam dando os primeiros passos no universo da inovação e buscavam compreender melhor como transformar uma ideia em negócio. Hoje, observamos participantes mais conectados às demandas do mercado, mais preparados tecnologicamente e com uma visão muito mais estratégica sobre inovação, impacto e escalabilidade. Também percebemos um crescimento importante da diversidade dos empreendedores, com maior presença de mulheres, jovens talentos, pesquisadores, profissionais de diferentes áreas e participantes vindos do interior do estado, o que demonstra que a cultura da inovação está cada vez mais presente em Santa Catarina como um todo. Essa evolução mostra o amadurecimento do ecossistema catarinense de inovação. Os empreendedores estão mais colaborativos, mais atentos às transformações globais e mais preocupados em desenvolver soluções que gerem impacto econômico, social e sustentável. Santa Catarina consolidou uma cultura empreendedora forte, e o programa é executado pela parceria junto ao SEBRAE/SC e tem contribuído diretamente para despertar esse potencial, transformar conhecimento em oportunidades e fortalecer a inovação como motor de desenvolvimento do estado.

        O Programa Nascer tem sido a porta de entrada para milhares de empreendedores catarinenses iniciarem sua jornada na inovação. Por que vale viver essa experiência e que conselho você deixa para quem tem uma ideia, mas ainda está em dúvida se este é o momento de dar o primeiro passo?

          Adriana Ribeiro:

          Participar do Programa Nascer é muito mais do que acessar uma capacitação em empreendedorismo. É a oportunidade de transformar ideias em projetos estruturados, desenvolver competências, ampliar conexões e ganhar confiança para empreender com propósito. O programa oferece um ambiente acolhedor, mentorias qualificadas e uma jornada que ajuda os participantes a enxergarem suas ideias de forma mais estratégica, além do apoio da FAPESC, Sebrae e SCTI ao fortalecimento da inovação no estado. Para quem ainda está em dúvida, meu conselho é simples: comece. Nenhuma grande inovação nasce pronta. O mais importante é dar o primeiro passo, buscar conhecimento e acreditar no potencial da sua ideia. Santa Catarina possui um ecossistema forte, e o Nascer é uma porta aberta para novos talentos fazerem parte dessa transformação.

          Nem todo empreendedor inovador começa dominando editais, metodologias ou modelagem de negócios — muitos começam apenas com uma boa ideia e coragem para tentar. O Programa Nascer disponibilizará apoio a empreendedores no quesito entendimento do edital e estruturação de proposta de projeto?

            Valeska Tratsk:

            Sim! O Programa Nascer foi criado em 2019, como seu próprio nome diz: “NASCER”, não surgiu do nada, foi pensado justamente para acolher empreendedores que muitas vezes estão começando sua trajetória na inovação e ainda não dominam ferramentas, metodologias ou processos relacionados a editais e modelagem de negócios. A proposta do programa é tornar esse caminho mais acessível, oferecendo apoio desde as etapas iniciais de entendimento do edital até a estruturação e desenvolvimento da proposta do projeto. Ao longo da jornada, os participantes contarão com capacitações, mentorias e acompanhamento especializado, que ajudam a transformar uma ideia em uma proposta mais estruturada, viável e alinhada às oportunidades do ecossistema de inovação. Na visão da FAPESC, inovação também significa criar oportunidades para que mais pessoas possam empreender, independentemente do nível de experiência que possuem no início. Muitas grandes soluções nasceram de pessoas que tinham apenas uma boa ideia, vontade de aprender e coragem para dar o primeiro passo. O programa existe exatamente para apoiar essa jornada, fortalecendo talentos, despertando o empreendedorismo inovador e mostrando que ninguém precisa caminhar sozinho para começar, e após toda essa mentoria e aprendizado, o cidadão terá oportunidade de participar com mais conhecimento quando os editais da FAPESC forem lançados e poderá inscrever seus projetos inovadores sendo avaliado via edital para obter recursos financeiros para dar o 1° start ao seu: produto, processo, projeto, política pública ou serviço, com recurso 100% do estado de Santa Catarina, através de Subvenção Econômica ou Termo de Outorga, e tendo a oportunidade de entrar na “TRILHA DE INOVAÇÃO” dos editais da FAPESC, escalando ano a ano as suas ideias e transformando SC cada vez mais inovadora e produtiva.

            As falas das minhas queridas Valeska e Adriana deixam claro que o desafio da inovação não está apenas em criar startups, mas em construir caminhos para que mais pessoas consigam transformar boas ideias em oportunidades reais.

            Em um cenário onde inovação se tornou pauta econômica, competitividade e desenvolvimento, programas como o Nascer ajudam a resolver um dos maiores gargalos do empreendedorismo inovador brasileiro: o apoio na fase inicial. Afinal, muitos projetos não deixam de existir por falta de potencial, mas por falta de orientação, conexão e ambiente adequado para amadurecer.

            Santa Catarina mostra, mais uma vez, que inovação não começa no investimento. Não começa no pitch. E muito menos na captação. Ela começa quando um ecossistema decide investir na etapa mais importante de todas: o nascimento das ideias e dos negócios.

            O ecossistema catarinense está preparado, os mentores estão à disposição e as inscrições estão abertas. A pergunta que fica é: o que ainda falta para a sua ideia nascer?

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            contadora e consultora de negócios, atua com articulação e relacionamento com o mercado conectando ecossistemas, empresas e startups e através de captação de recursos via editais de inovação.

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