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Jurerê chegando a R$ 50 mil o metro quadrado: o que está por trás dessa valorização

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Jurerê fechou o último ano como o bairro que mais valorizou em Florianópolis, com uma alta de 50% no metro quadrado em um único ano, atingindo uma média de R$ 25.136 por metro quadrado, a maior entre todos os bairros da cidade. 

Contudo, a média, nesse caso, esconde o que está acontecendo no topo da pirâmide: alguns lançamentos recentes já estão precificando unidades a R$ 50 mil o metro quadrado, o dobro da própria média do bairro mais valorizado da capital. 

O caso que redefiniu o teto de preço da região

O exemplo mais evidente desse movimento é o Oceana, empreendimento assinado pela CFL em parceria com a Arquitectonica, escritório americano responsável por marcos como o Westin Hotel de Miami e torres residenciais icônicas de Dubai, com décadas de atuação em projetos de altíssimo padrão ao redor do mundo. 

Erguido num terreno de mais de dois hectares de frente para o mar, com 180 metros de “pé na areia”, um dos últimos terrenos desse porte disponíveis em Jurerê, o projeto reúne 127 residências com plantas entre 182 m² e 976 m², além de um hotel boutique de 60 unidades integrado ao complexo e espaços fitness assinados pela italiana Technogym.

O VGV bruto do empreendimento é de R$ 1,7 bilhão.  Em menos de 30 dias após o lançamento, já havia R$ 1,3 bilhão comercializados, com valor médio de R$ 50 mil por metro quadrado, e hoje o projeto está 100% vendido. 

Segundo o CEO da CFL, o fator decisivo para essa velocidade de absorção foi a escassez de terrenos daquele porte em Jurerê, especialmente com frente de mar, somada à percepção de valor que o mercado rapidamente compreendeu. O diretor da CFL Imóveis, Ricardo Saldanha, acrescenta que o empreendimento atraiu tanto famílias tradicionais da região, comprando como primeira moradia, quanto estrangeiros e brasileiros que vivem fora do país, um perfil de comprador que paga por exclusividade, não só por metragem.

Como Jurerê se compara ao resto do Brasil

Para dimensionar o que esse número significa, vale colocar Jurerê ao lado do ranking nacional. Segundo o Índice FipeZAP, referente a agosto de 2026, o bairro mais caro do Brasil continua sendo o Leblon, no Rio de Janeiro, com média de R$ 28.751 por metro quadrado, mas unidades de altíssimo padrão por lá já ultrapassam R$ 70 mil a R$ 80 mil o metro quadrado. 

Em segundo lugar nacional vem Ipanema, com R$ 26.612, e em terceiro o Itaim Bibi, em São Paulo, com R$ 20.039.

Ou seja: a média de Jurerê (R$ 25.136) já supera a média do Itaim Bibi e se aproxima da média de Ipanema, dois dos endereços mais tradicionais e consolidados do país. E o teto de preço do Oceana, a R$ 50 mil o metro quadrado, coloca Jurerê na mesma faixa de precificação do segmento mais exclusivo do Leblon, ainda que a amostra de empreendimentos nesse patamar na Ilha seja, por ora, bem menor do que no Rio. 

O que antes era uma comparação distante, “Jurerê é tipo o Leblon de Florianópolis”, começa a se manter em números, não só em marketing.

Por que esse preço faz sentido no contexto de Jurerê

Esse tipo de preço só se suporta porque Jurerê não é um bairro comum disputando espaço com outros, mas é um território estruturalmente escasso. A região concentra uma combinação pouco replicável em qualquer outro ponto da Ilha: urbanismo planejado desde a concepção, praia considerada uma das mais sofisticadas do Brasil, infraestrutura consolidada de gastronomia e beach clubs, e uma oferta de terrenos de grande porte com frente de mar que praticamente não se renova.

Essa escassez territorial, e não apenas a qualidade construtiva de cada projeto, é o que mantém o descolamento entre o preço de Jurerê e o restante do mercado catarinense. 

Quando a oferta de terreno para de crescer e a demanda por aquele endereço específico continua subindo, o preço passa a responder, principalmente, à raridade do lugar. É o mesmo mecanismo que sustenta o preço do Leblon há décadas: não existe mais terreno disponível para replicar a oferta, então cada novo metro quadrado lançado compete por uma demanda que só cresce.

Soma-se a isso o cenário macroeconômico atual. Com a Selic ainda em patamar elevado ao longo de 2026, o investimento em imóvel de alto padrão continua sendo tratado por uma fatia relevante de compradores como reserva de valor, o chamado “tijolo de luxo”, justamente porque historicamente resiste melhor a ciclos de juro alto do que ativos mais voláteis. 

Isso ajuda a explicar por que o segmento de luxo segue absorvendo volume mesmo em um ambiente de crédito mais caro para o comprador médio.

Um bairro com camadas de padrão dentro do próprio padrão alto

Vale notar que Jurerê não é um bloco único de preço, pois dentro do próprio bairro, existe uma escala de posicionamento relevante. 

Segundo levantamento da Luxury Home Floripa, apartamentos em Jurerê Internacional giram em média em torno de R$ 17 mil por metro quadrado, enquanto casas no mesmo bairro variam entre R$ 14 mil e R$ 35 mil, dependendo de proximidade com o mar e nível de acabamento, faixas bem abaixo do patamar atingido pelo Oceana, que opera no topo absoluto da pirâmide de preço da região.

Esse espectro de preço dentro de um mesmo bairro é, inclusive, visível na curadoria de imobiliárias boutique especializadas na região, como a Exelero, que atua há anos como referência em atendimento personalizado e portfólio de alto padrão em Jurerê, do apartamento de entrada ao superluxo, passando por empreendimentos estruturados em modelo de SPE a preço de custo dentro do próprio bairro, uma alternativa ao padrão tradicional de incorporação que também vem ganhando espaço na região.

O que esse teto de preço sinaliza para quem acompanha o mercado

Um empreendimento vendendo a R$ 50 mil o metro quadrado em 30 dias é um indicador de que o mercado de Jurerê ainda não encontrou o limite da disposição a pagar por escassez genuína, mesmo competindo, na prática, com os endereços historicamente mais valorizados do país. 

Enquanto o bairro continuar sem absorver nova oferta de terrenos de grande porte com frente de mar, é razoável esperar que esse teto continue subindo, puxando atrás de si a média geral da região, do mesmo jeito que aconteceu no Leblon ao longo das últimas décadas.

Para quem acompanha o mercado catarinense de perto, o Oceana é um sinal de que a escassez estrutural, quando combinada a um projeto bem posicionado e a uma marca de arquitetura internacional, é capaz de reposicionar um bairro inteiro no mapa nacional de preço, não apenas no mapa regional.

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Fundador do Grupo Maier, atua na criação, desenvolvimento e estruturação de negócios e projetos imobiliários. Ao longo de sua trajetória, participou da geração de mais de R$ 700 milhões em negócios. É também fundador da Escola de Vendas para Corretores e autor do livro Notas de um Empreendedor.

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