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Persistir é diferente de insistir sem critérios: a resiliência como pilar na carreira e nos negócios

Por Ivania Backes, Ph.D em Administração, consultora empresarial, mentora, palestrante, escritora e fundadora e diretora do Instituto Mibo.

Na vida profissional, os resultados nem sempre chegam no tempo esperado. Um projeto pode não avançar, uma oportunidade escapar e uma decisão exigir mudança de rumo. Nessas horas, é fácil interpretar a dificuldade como incapacidade ou um revés como ponto final. Persistir, porém, não é insistir a qualquer custo ou sem critério algum. É manter o compromisso com um objetivo e avaliar o que precisa ser revisto para alcançá-lo.

Aprendi isso muito antes de conquistar títulos acadêmicos. Cresci em meio a limitações financeiras, conheci a fome e comecei a trabalhar cedo. Mais tarde, enfrentei perdas e instabilidade. Não foram experiências simples, nem devem ser romantizadas. Elas me mostraram que as circunstâncias podem restringir escolhas, mas não precisam determinar uma vida inteira.

Quando os recursos diminuem, o cenário muda ou as respostas demoram, a capacidade de avançar aparece em atitudes concretas: admitir um erro, reorganizar prioridades, buscar conhecimento ou reconhecer que uma estratégia deixou de funcionar.

Persistência e resiliência caminham juntas, mas não significam a mesma coisa. Persistir é trabalhar por um objetivo; ser resiliente é atravessar dificuldades sem perder a capacidade de aprender e se adaptar. Enquanto uma sustenta o esforço, a outra ajuda a escolher como prosseguir. É preciso desenvolver o autoconhecimento para compreender quando manter o curso e quando mudar o método ou recomeçar.

Nos negócios, essa diferença tem consequências práticas. Empreendedores e gestores enfrentam incertezas, mudanças de mercado e decisões cujos efeitos não podem ser previstos por completo. A determinação precisa estar acompanhada de análise de dados e previsões. Manter uma iniciativa apenas porque já consumiu tempo e dinheiro, por exemplo, pode ampliar prejuízos futuros. Rever a rota diante de novas informações torna-se, então, demonstrar responsabilidade.

Na carreira, é importante não transformar um episódio em definição de quem somos. Uma demissão não resume a competência de um profissional, assim como um empreendimento que não prosperou não elimina o conhecimento adquirido. É preciso examinar as situações para depois decidir como agir.

Isso não significa que o esforço individual resolva tudo, é claro. Existem desigualdades, circunstâncias desfavoráveis e obstáculos que não dependem de uma única pessoa ou da força de vontade. Resiliência, portanto, não é aceitar condições prejudiciais sem questionar, nem tratar a exaustão como mérito – às vezes, demonstrar força significa estabelecer limites, buscar apoio ou escolher outro caminho.

Minha trajetória, da infância até o PhD em Administração, não foi linear. Nem um pouco. Foi construída com trabalho, estudo, escolhas e muitos recomeços. O que fez diferença não foi a ausência de obstáculos, mas a minha disposição de aprender com eles, reconsiderar decisões e não tomar cada queda como sentença definitiva. Essa é uma habilidade essencial, a meu ver, para todos.

Profissionais e empresários não precisam ter todas as respostas. Precisam aprender com o que não funcionou, ajustar os planos e manter clareza sobre suas prioridades. Resultados consistentes dependem de análise, prática e aprimoramento contínuo.

Uma trajetória não é definida apenas pelo ponto de partida ou pelas dificuldades encontradas, mas também pelas escolhas feitas diante delas. Persistir não significa nunca cair, e sim avaliar o que fazer depois da queda. A resiliência permite transformar a experiência em discernimento e seguir adiante com mais consciência. Na carreira e nos negócios, essa combinação ajuda a enfrentar mudanças sem perder de vista o legado que se deseja construir.

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