A segurança digital se tornou um fator decisivo para as vendas na Black Friday. Segundo o estudo Raio-X da Black Friday, da Serasa Experian, 86% dos consumidores brasileiros afirmam já ter desistido de aproveitar uma promoção por medo de golpes digitais.
O levantamento também revela mudanças no comportamento de compra, com consumidores mais atentos aos preços, às condições de pagamento e à confiabilidade das lojas.
Entre os entrevistados, 74% acompanham os valores dos produtos para avaliar se os descontos realmente compensam, enquanto 62% afirmam planejar suas compras com antecedência.
A pesquisa combina dados proprietários da Serasa Experian com uma pesquisa de opinião realizada em setembro de 2026.
Para Giovana Giroto, CMO da Serasa Experian, a Black Friday deixou de ser uma oportunidade de consumo concentrada em um único dia.
“Percebemos que a jornada da Black Friday se estendeu para além da sexta-feira, o que traz um novo cenário de comportamento tanto para o consumidor quanto para as empresas. Temos um consumidor mais exigente e com perfis diferentes em termos de interesses e condições financeiras”, afirma.
Parcelamento é preferência em diferentes faixas de renda
O estudo identificou que mais de 66% dos brasileiros com maior propensão a comprar na Black Friday apresentam preferência pelo crédito parcelado. A modalidade também é relevante entre consumidores de maior poder aquisitivo.
Na análise por renda, a preferência pelo parcelamento aparece em diferentes grupos:
- Até um salário-mínimo: 62,8%
- De um a três salários-mínimos: 67,7%
- Acima de dez salários-mínimos: 63,5%
Os dados mostram que a utilização do crédito parcelado não está restrita aos consumidores de menor renda. Já na pesquisa de opinião, 38% dos entrevistados pretendem utilizar Pix à vista nas compras da Black Friday, enquanto 31% mencionam o cartão de crédito parcelado.
Entre os consumidores que pretendem utilizar crédito, 22% consideram aumentar o limite do cartão para aproveitar as promoções.
Frete grátis tem o mesmo peso que descontos
Outro resultado do levantamento mostra que o preço anunciado não é o único fator considerado pelos consumidores.
Na escolha de uma loja, 41% dos entrevistados mencionam descontos e promoções, mesmo percentual registrado para o frete grátis. Além disso, 63% afirmam que cupons e cashback aumentam sua disposição para comprar.
O custo do frete também aparece como a principal barreira entre os motivos destacados para desistir de uma compra, citado por 30% dos consumidores.
Na sequência estão o preço final acima do esperado, com 25%, e a possibilidade de encontrar uma oferta mais barata em outro estabelecimento, com 24%.
“Na Black Friday, o consumidor não está olhando apenas para o percentual de desconto, mas para o valor total que vai pagar no fim da jornada”, analisa Giovana Giroto.
Segundo a executiva, os varejistas precisam garantir que as vantagens apresentadas nas ofertas sejam mantidas até a finalização da compra.
Um em cada três consumidores pretende gerar renda extra
A Black Friday também representa uma oportunidade de movimentação econômica para além do varejo tradicional.
Segundo a pesquisa, 33% dos consumidores já planejam aproveitar o período promocional para gerar renda extra, enquanto outros 20% consideram essa possibilidade. Entre esse público, 32% apontam a compra de produtos em promoção para revenda como principal estratégia.
O comportamento pode criar oportunidades para pequenos empreendedores, trabalhadores autônomos, fornecedores e empresas de logística.
Entre as categorias de maior interesse para a Black Friday estão eletrônicos, mencionados por 45% dos consumidores, e eletrodomésticos, com 40%. A negociação de dívidas também aparece entre as prioridades, citada por 36% dos entrevistados.
Planejamento financeiro nem sempre evita compras por impulso
Embora 81% dos consumidores afirmem estabelecer um orçamento para a Black Friday, 33% admitem não conseguir segui-lo rigorosamente. Outros 43% costumam aproveitar ofertas de produtos que não estavam nos planos iniciais.
Ao mesmo tempo, 55% preferem abrir mão de uma promoção a assumir uma dívida, enquanto 61% relatam já ter desistido de uma compra desejada por restrições financeiras.
O estudo também aponta que 30% dos entrevistados já comprometeram o orçamento com compras realizadas durante a Black Friday.
Os dados mostram que o planejamento financeiro convive com decisões de consumo influenciadas pelas oportunidades promocionais.
Tentativas de fraude aumentam durante a Black Friday
A preocupação com golpes digitais é acompanhada por um aumento das ameaças identificadas durante o período promocional.
Na semana da Black Friday de 2025, a Serasa Experian registrou crescimento de 99% nas ameaças digitais identificadas, em comparação com a média semanal das três semanas anteriores. Os anúncios falsos aumentaram 147%, enquanto os perfis falsos cresceram 101%.
Entre a quinta-feira anterior à Black Friday e a Cyber Monday de 2025, a empresa identificou 36.284 tentativas de fraude nas operações de e-commerce analisadas, associadas a aproximadamente R$ 37,4 milhões em valores financeiros.
Desse total, 74% das tentativas ocorreram fora da própria sexta-feira, reforçando a necessidade de monitoramento durante toda a temporada promocional.
Na pesquisa de opinião, os sites falsos aparecem como a principal preocupação dos consumidores, mencionados por 53%, seguidos por golpes envolvendo Pix, com 42%, e anúncios fraudulentos nas redes sociais, com 32%.
“A fraude não representa apenas um risco financeiro, mas também uma barreira ao consumo. Quando o consumidor não se sente seguro, uma oportunidade de venda pode ser perdida antes mesmo de a compra acontecer”, destaca Giovana Giroto.
Para as empresas, o levantamento reforça que estratégias de preço, condições de pagamento e proteção contra fraudes precisam atuar de forma integrada para transformar o interesse dos consumidores em vendas.