Quem nunca foi surpreendido por uma quebra de expectativa? Acreditou no potencial e a realidade decepcionou. Pode ser em relacionamentos amorosos, amizades ou nas relações profissionais: a confiança é um dos ativos mais relevantes na geração de negócios e na fidelidade entre empresas.
Eu poderia discorrer sobre experiências em que a confiança foi quebrada, assim como várias publicações que vemos por aí. Mas que tal olharmos para essa “sensação” de um ângulo mais objetivo, das boas práticas, sejam elas óbvias ou rebuscadas, e do impacto que elas geram no caixa?
Então vem comigo construir e fortalecer a sua confiança para fazer negócios melhores.
Confiança não é um valor abstrato
As relações comerciais mais bem-sucedidas orbitam a confiança entre as partes. Empresas compram de empresas, mas pessoas compram de pessoas. Percebo, a cada dia, que quanto maior a confiança, menor o tempo de negociação. A confiança reduz tempo, insegurança e custos.
Embora a confiança não seja registrada como um ativo contábil, seu impacto é percebido nos indicadores que movem uma empresa. Ela está presente na velocidade com que uma negociação avança, na facilidade para renovar um contrato, na disposição de um cliente em recomendar um fornecedor e até na capacidade de uma organização atravessar momentos de crise sem perder credibilidade.
Quando existe confiança, o custo da venda diminui. O cliente precisa de menos provas, menos reuniões e menos comparações para tomar uma decisão. A negociação deixa de ser uma disputa baseada apenas em preço e passa a considerar histórico, consistência e segurança. Em outras palavras, a confiança reduz o atrito comercial.
A confiança é construída antes da venda
Em algum momento, podemos chegar a acreditar que o que importa é o contrato assinado. Que, a partir daí, já ganhamos a confiança da outra parte. Que está tudo garantido.
Mas se engana muito quem pensa assim. O processo de conexão começa muito antes: na consistência da comunicação, no posicionamento claro, na reputação construída ao longo do tempo e, claro, na coerência entre discurso e prática.
Antes de vender um serviço, você vende previsibilidade. Ou seja, você vende um sonho que deve ser realizado. Mas, se na execução você foge das expectativas alinhadas gera frustração e quebra a relação de confiança.
Muito do que vejo no mercado é um desalinhamento entre discurso e prática. Desde empreendedores de palco, coaches e gurus com boa oratória e péssima prática até lideranças e empresas que se “vendem” como experts, mas entregam mediocridade.
Nesse ponto, minha sugestão é: seja coerente e venda para quem sabe menos do que você. Ou seja, valorize o seu conhecimento sem extrapolar a realidade do que pode entregar.
Tenha humildade para falar de si. Você pode achar que é incrível, mas, na hora de apresentar as entregas do seu trabalho, seja realista. Uma relação frustrada gera muito mais impacto negativo nos negócios futuros do que uma entrega acima das expectativas.
É uma pena, mas essa é a realidade do mercado.
Pequenos comportamentos geram grandes percepções
Coisas muito básicas fazem diferença e podem passar despercebidas para quem faz, mas são marcantes para quem recebe.
Cumpra prazos. Se perceber que vai atrasar, informe e alinhe um novo prazo. Se isso impactar a entrega global, ajuste o cronograma como um todo.
Cumpra os horários. Agendou uma reunião? Entre na call pelo menos um minuto antes. Vai atrasar? Avise sempre! Respeite o tempo do outro (isso vale para quem está comprando também).
Não espere ser cobrado, antecipe-se. Admita quando não sabe ou quando errou e não volte a errar naquilo. Entregue o que prometeu ou mais, nunca menos. Sabe aquele famoso “papo de vendedor”? Não caia nisso. Não venda o que não consegue executar.
E sempre trate seu cliente ou parceiro com relevância. Não é porque você assinou o contrato que o jogo está ganho. O jogo mal começou, e cada movimento seu importa.
Tudo isso parece óbvio, mas são justamente as coisas em que mais vemos as pessoas errarem, perderem contratos e depois se perguntarem: “Por que isso aconteceu?”.
A confiança também precisa de competência
Se sua entrega é ruim, você não será confiável.
Não adianta eu gostar de você, ser sua amiga, e você não entregar o que promete ou entregar algo aquém do que se vê no mercado. A gente confia porque percebe capacidade técnica, organização, preparo, domínio do assunto, responsabilidade e disposição.
Como fortalecer esse ativo todos os dias
Eu trouxe algumas boas práticas para você aplicar no seu dia a dia, mas aqui vai um compilado ainda mais realista:
- Prometa menos e entregue mais.
- Alinhe as expectativas sempre que necessário, não apenas no início do contrato. Follow-ups são imprescindíveis.
- Seja transparente e responsável em relação às falhas, aos riscos e às oportunidades.
- Erre rápido, resolva e não repita.
- Documente todos os processos. Em muitas empresas onde atuei, a documentação era falha: processos e projetos se perdiam, papéis se confundiam. A documentação é uma aliada da sua gestão e do seu jurídico.
- Fortaleça sua habilidade de comunicação para transmitir clareza. Ser entendido é uma das principais chaves para a construção da confiança.
- Seja consistente durante meses, não apenas em grandes momentos.
Em um mercado em que produtos podem ser copiados, tecnologias ficam obsoletas e os preços mudam diariamente, a confiança continua sendo um dos poucos ativos difíceis de replicar. Ela leva anos para ser construída e pode ser perdida em minutos. Quando cultivada com consistência, transforma clientes em parceiros, contratos em relacionamentos e negócios em legado.
É justamente por isso que acredito que vivemos a economia da confiança. Não é uma economia movida apenas por números, contratos ou estratégias comerciais, mas pela credibilidade que cada empresa e profissional constrói todos os dias. Quem inspira confiança negocia melhor, vende com menos esforço, fideliza clientes, fortalece sua reputação e cria oportunidades.
No fim das contas, a confiança é um ativo invisível porque não aparece no balanço patrimonial. Mas ela está presente em cada contrato renovado, em cada indicação espontânea, em cada parceria duradoura e em cada negócio que continua crescendo ao longo dos anos. Talvez esse seja o investimento mais rentável que uma empresa pode fazer.
Espero que os insights deste artigo tenham feito sentido para você em algum momento. Eu sou Kim Kristtal, diretora comercial dos portais Economia SC e Economia SP. Acompanhe minha coluna para aprofundar temas como reputação, eventos corporativos, liderança e comunicação.
Para saber como ter a sua coluna nos portais, fale comigo pelo e-mail [email protected] e vamos conversar!