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CONCARH 2026: a próxima revolução talvez não seja aprender IA, mas relembrar de fazer o feijão com arroz

Foto: divulgação

Eu estive na 36ª Edição do CONCARH em Florianópolis, no último dia 09 de Julho e saio de lá com um aprendizado muito claro. A próxima revolução talvez não seja aprender IA, mas relembrar de fazer o feijão com arroz.

Apesar de eu não ter ficado os dois dias, já foi possível perceber a qualidade da agenda.

Mais uma vez, uma programação recheada de conteúdos atuais, com palestrantes nacionais e internacionais, além de nomes expoentes da cena do RH brasileiro.

Rever amigos e ex-colegas de trabalho, além de profissionais que dividem a mesma atuação que eu, também fez parte da minha participação. Um café dividido ali, um reencontro lá e assim foi.

Mas sobre o conteúdo abordado, não há como negar: a grande convidada especial que navegou por todas as apresentações que eu vi foi a Inteligência Artificial.

Não poderia ser diferente. Vamos aos dados.

Há 3 tipos de impactos da IA que já se discutem hoje em dia:

  • Cargos que terão um complemento, como Dentista, Agricultor ou Veterinário;
  • Cargos que terão um aumento da sua atuação, como desenvolvedor web e Data Analyst;
  • Cargos que terão os maiores impactos disruptivos, como os profissionais de Finanças, assistentes jurídicos e administrativos. Só para dar alguns exemplos.

Todos citados no estudo do LinkedIn “Preparing the Workforce for Generative AI”, usados na palestra da Denisse Goldfarb.

Principalmente para os cargos que terão maior disrupção, os dados impressionam. Mas a provocação que o evento trouxe vai além do impacto das previsões futuras em si. E com isso, conecto com o outro palestrante.

Em outro momento, Hugo Rodrigues, sócio na WMcCann, trouxe uma abordagem baseada no básico que, em meio a tanto hype sobre as novas tecnologias e seus cursos com masterclasses por toda a internet, faz a gente esquecer que o feijão com arroz também tem seu charme.

Ele listou 10 habilidades simples que colocam você na frente da maioria

  1. Chegar no horário.
  2. Cumprir o combinado.
  3. Pedir feedback sem medo.
  4. Admitir um erro rápido.
  5. Entender o contexto, não só a tarefa.
  6. Ser curioso todos os dias.
  7. Ter coragem de tentar de novo.
  8. Pedir ajuda quando precisar.
  9. Aprender com quem sabe mais.
  10. Ensinar o que você sabe.

Veja, essa lista, em nada, contraria o Fórum Econômico Mundial e todas as habilidades futuras previstas até 2030. Inclusive, o próprio Hugo cita minutos depois na sua apresentação, ciente de que o letramento em inteligência artificial está no topo.

O que ele provoca é que essa lista traz aquilo que sempre foi o básico, mas nem sempre cumprido como deveria. Quem aqui nunca passou por alguma dessas ausências, né?

Isso tudo me faz concluir que tais habilidades, citadas pelo Hugo, são muito mais humanas que tecnológicas. A lista de 10 habilidades simples que nos colocam à frente tem muito mais a ver com o fator humano do que a sua assinatura mensal do Claude.

E antes que você acuse a Geração Z por não cumprir essas habilidades, eu tenho certeza de que os seus primeiros chefes também falavam a mesma coisa sobre você.

Fazer um resumo de uma reunião que nunca será lido; ou escrever um artigo sobre um assunto que nunca foi compreendido. Ou um resumo de um curso que jamais será aplicado na prática.

Fazer tudo isso, no automático, condena toda a curiosidade do processo. É o item 6) da lista.

Como alguém que lida com treinamentos atualmente, sei da responsabilidade de ter que apoiar muita gente a encarar os dilemas de gestão do dia a dia. Mas será que são as novas habilidades do futuro com as quais deveremos nos preocupar? Ou o básico bem feito já seria um diferencial?

Ou seja: será que a próxima revolução será o suficiente para os humanos relembrarem também de fazer o básico? Muito além de aprenderem IA, engenharia de prompt ou masterclass de qualquer coisa por aí?

Parece que estamos, sempre, buscando um novo jeito para empurrar a mais nova responsabilidade que temos. Ao invés de fazer um feedback, eu mantenho a harmonia nociva. Ao invés de ler um e-mail, eu peço o resumo que vira paisagem. Ao invés de eu aprender uma nova habilidade, eu compartilho um resumo na internet como se eu fosse um expert no assunto.

No final, meu receio é estar de saco cheio das IA também. Elas fazem tudo pra gente e nem sempre valorizamos o seu árduo esforço. Mas será que a culpa é dela? Eu vou é ficar na minha.

Até porque, se o dia da rebelião das máquinas chegar, eu não vou querer ser um inimigo delas por não ter lido o resumo do e-mail que ela mesma fez para mim.

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Sócio na Entre Aspas – Gente & Gestão

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