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50% dos colaboradores usam a IA para buscar conselhos de trabalho em vez de perguntar ao gestor

Foto: divlgação

A Workmonitor 2026, pesquisa divulgada recentemente pela Randstad, revela que metade dos entrevistados afirma utilizar a IA para obter conselhos de trabalho ao invés de consultar o seu gestor. Foram mais de 27 mil profissionais e 1.200 empresas ouvidos.

O dado chama atenção. Mas o que vem junto dele é igualmente importante.

Mesmo recorrendo à inteligência artificial, o gestor continua sendo a fonte mais segura e imediata para orientações sobre a atuação do colaborador. E isso aparece na própria pesquisa: 63% dos profissionais dizem se sentir mais conectados ao seu líder direto do que à empresa como um todo.

E isso faz sentido. O líder imediato nunca deixou de ser um dos principais responsáveis pela experiência do colaborador dentro da organização. A máxima ainda se sustenta.

O que muda é o contexto.

O avanço da IA para esse tipo de uso pode parecer, à primeira vista, um sinal de autonomia. E é, em parte. Mas ouvir conselho profissional de uma IA também pode ser um movimento incompleto.

Você vai entender o que eu estou falando.

Nas minhas experiências dentro de grandes empresas, qualquer dilema de gestão envolvia uma conta que ia muito além do problema em si. Fatores políticos, histórico de relações, cultura organizacional, nuances que nem sempre o colaborador consegue ou sabe traduzir pra uma inteligência artificial.

E o resultado reflete isso. Apenas 7% dos gestores descrevem as respostas da IA como melhores do que as orientações de um líder humano. Ou seja, existe um risco real: decisões tomadas com confiança elevada e qualidade questionável.

Mas proibir é pior que orientar.

Definir diretrizes claras de uso é custoso e demorado, mas evita frustrações e riscos que ninguém quer lidar depois. O objetivo é que a IA seja mais uma ferramenta de autonomia do profissional, não um substituto pra uma conversa que precisava acontecer.

Isso quando falamos sobre políticas internas para o uso da IA. Mas, também, há o papel do líder. Saber se aproximar do time é poder criar uma relação de confiança e segurança o suficiente para ele ser a primeira opção para um conselho.

Mesmo com a agenda sempre cheia de compromissos, como a maioria tem.

A indisponibilidade não pode tomar o lugar da falta de interesse pelo liderado(a). Esse interesse está nos rituais de gestão quando um olha no olho do outro e consegue estabelecer uma presença que intensifica aquela relação. 

Uma conversa sobre carreira recorrente também abre espaço para maiores conexões futuras. Além do interesse genuíno em si. Não há inteligência artificial alguma que substitui o interesse sobre a realidade do seu próprio time. 

É o que eu gosto de dizer: para você ser uma pessoa interessante, você precisa ser uma pessoa interessada.

E é exatamente aí que mora a questão.

A pergunta não é se as pessoas estão agindo certo ao buscar conselho com a IA. A pergunta é o que está afastando elas de buscarem esse mesmo conselho com o seu líder direto.

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Sócio na Entre Aspas – Gente & Gestão

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