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Por que o seu fundador ainda é CEO?

Foto: Mikhail Nilov/Pexels

Por Guilherme Abdala, cofundador da Evermonte Executive & Board Search.

A sucessão costuma ser um dos temas mais debatidos nas empresas familiares. Conselhos, acionistas e lideranças discutem quem ocupará a cadeira de CEO no futuro, quais competências serão necessárias para o próximo ciclo e como preparar a organização para uma transição segura. Com menos frequência, porém, surge uma questão igualmente relevante: qual deve ser o papel do fundador quando ele deixa de ser o principal executivo da companhia?

Durante as fases iniciais de crescimento, é comum que o fundador seja a liderança mais adequada para conduzir o negócio. Em geral, trata-se da pessoa que melhor conhece o mercado, os clientes e a cultura organizacional. Sua capacidade de tomar decisões rápidas, aliada ao profundo conhecimento da operação, frequentemente são fatores que impulsionam o desenvolvimento da empresa. 

À medida que a organização amadurece novas demandas passam a surgir. O aumento da complexidade operacional exige estruturas mais robustas, processos mais definidos e uma distribuição mais clara de responsabilidades. Nesse contexto, a concentração das decisões em uma única figura pode dificultar o desenvolvimento da liderança executiva. 

Quando a empresa cresce

O amadurecimento da empresa também exige avanços em governança corporativa. Empresas que avançam em sua profissionalização costumam fortalecer instâncias de decisão. O Conselho de Administração, quando exerce plenamente sua função, deixa de ser um órgão meramente formal e passa a atuar como um espaço de reflexão estratégica sobre os rumos da organização.

É justamente nesse ambiente que o fundador pode continuar desempenhando um papel relevante. Ao migrar da gestão executiva para o Conselho, sua experiência acumulada pode ser direcionada para temas que impactam diretamente a continuidade do negócio, como cultura organizacional, sucessão de lideranças, definição de prioridades estratégicas e preservação dos valores que sustentaram a trajetória da empresa.

A mudança de posição também contribui para o amadurecimento da gestão. Com espaço para que executivos assumam responsabilidades e desenvolvam sua capacidade de liderança, a empresa amplia sua capacidade de adaptação.

Adiar uma transição também é uma decisão

Ainda assim, muitas organizações encontram dificuldades para conduzir essa transição. Em alguns casos, ela reflete a ausência de sucessores preparados, a fragilidade dos mecanismos de governança ou a falta de discussões estruturadas sobre o futuro da liderança. Há situações em que o próprio fundador encontra resistência à mudança porque não enxerga com clareza qual será sua contribuição fora da operação.

Essa percepção é compreensível. Para muitos empreendedores, a empresa representa mais do que um patrimônio. Ela está associada a anos de dedicação, riscos assumidos e construção de identidade. Por isso, discutir a saída da gestão sem oferecer um novo espaço de atuação pode ser interpretado como uma perda de protagonismo.

Por fim, a principal reflexão não está em determinar quando um fundador deve deixar a cadeira de CEO, mas em avaliar se sua permanência continua sendo a melhor alternativa para a organização. Quando decorre da falta de planejamento, da ausência de sucessores ou de estruturas de governança insuficientes, a empresa pode estar apenas adiando uma transição inevitável. Nesses casos, o Conselho surge como um espaço capaz de preservar o legado do fundador e, ao mesmo tempo, criar as condições necessárias para a continuidade do crescimento.

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Referência em recrutamento executivo, a Evermonte tem como propósito impulsionar a governança corporativa por meio da identificação de lideranças estratégicas para posições de gerência sênior, diretoria executiva, C-Level e conselhos. Com escritórios em Porto Alegre, São Paulo, Campinas, Curitiba e Joinville, a empresa conta com uma equipe de headhunters especializados, com ampla vivência nas áreas em que atuam. A companhia adota uma metodologia própria que combina inteligência artificial, people analytics e avaliação cognitiva, contribuindo para decisões mais assertivas e para a condução de projetos de alta complexidade em todo o Brasil e na América Latina, com foco em gerar resultados de alto impacto.

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