A integração de agentes de inteligência artificial à área financeira está entre as principais prioridades de transformação das empresas em 2026. É o que mostra o CFO Signals, da Deloitte: 54% dos CFOs entrevistados apontam a adoção de agentes de IA na função financeira como uma prioridade para este ano, à frente de iniciativas como melhoria da qualidade, acesso e usabilidade dos dados, citada por 52%. O movimento indica uma mudança do uso da IA como ferramenta de apoio para aplicações capazes de atuar diretamente nos fluxos de trabalho.
Nas médias empresas, a inteligência artificial agêntica começa a redesenhar a rotina financeira ao transformar automações em operações capazes de executar tarefas de forma autônoma e contínua.
“A IA agêntica começa a redesenhar a rotina financeira ao transformar automações em operações capazes de executar tarefas de forma autônoma e contínua”, explica Diogo Gretter, sócio da Triven.
Segundo ele, processos como pagamentos, conciliação financeira, previsão de fluxo de caixa, cobranças e análise de riscos tendem a ganhar velocidade e capacidade analítica, permitindo que as equipes financeiras reduzam o tempo dedicado a atividades operacionais e assumam um papel mais estratégico na tomada de decisões.
Da adoção à execução
Apesar do interesse crescente, a integração de agentes ainda está no início. O Finance Trends 2026, da Deloitte, mostra que 63% dos 1.326 líderes financeiros ouvidos já utilizam soluções de IA em suas áreas, mas apenas 14% afirmam ter integrado agentes de IA diretamente à função financeira. O levantamento também aponta que, entre as áreas que já utilizam IA, somente 21% identificam valor mensurável nos investimentos.
Para Diogo, a diferença entre adotar a tecnologia e extrair resultado dela passa pela estrutura financeira:
“A IA agêntica pode democratizar capacidades analíticas e operacionais que antes estavam mais restritas às grandes corporações, mas ela só gera valor quando existe uma base preparada para sustentar esse nível de autonomia. Sem integração, rastreabilidade e governança, o risco deixa de ser apenas um erro pontual e passa a ser automatizado em escala”, afirma.
O avanço, portanto, não depende apenas de incorporar agentes, mas de preparar o ambiente em que eles vão operar. Dados confiáveis, sistemas integrados e regras claras de autonomia são condições para que a automação avance sobre processos financeiros sem ampliar riscos operacionais.
Para as médias empresas, esse movimento abre espaço para levar capacidades antes associadas a estruturas financeiras maiores para operações mais enxutas, desde que a expansão da autonomia acompanhe a maturidade dos processos e dos controles.