A trajetória industrial de Joinville foi construída ao lado de empresas que cresceram, inovaram e levaram produtos desenvolvidos em Santa Catarina para outros mercados.
Uma delas é a Docol, que completou 70 anos em agosto com mais de 2,6 mil colaboradores, quatro parques fabris e presença em mais de 35 países.
Fundada em 1956, em Jaraguá do Sul, a companhia transferiu posteriormente sua operação para Joinville, onde mantém sua sede e parte relevante das estruturas de produção, engenharia e inovação.
Ao longo de sete décadas, a Docol deixou de atuar exclusivamente com metais sanitários e ampliou o portfólio para louças sanitárias e soluções em aço inox. Atualmente, reúne mais de 3 mil produtos e se posiciona como a maior exportadora de metais sanitários da América Latina.
A expansão foi acompanhada por investimentos em tecnologia. A empresa possui 321 patentes, produz cerca de 17 milhões de peças por ano e investiu R$ 25 milhões em pesquisa, desenvolvimento e inovação somente em 2025.
Inovação recebe cerca de 3% do faturamento
O investimento de R$ 25 milhões realizado no ano passado corresponde a aproximadamente 3% do faturamento bruto da empresa. Desse montante, R$ 2 milhões foram destinados ao desenvolvimento de produtos relacionados ao bem-estar.
A companhia mantém ainda o Flow, centro dedicado ao desenvolvimento de novos produtos e tecnologias. Parte dessa estratégia está historicamente relacionada à eficiência hídrica.
Um dos exemplos é a DocolMatic, tecnologia de fechamento automático de torneiras acionada por um toque e desenvolvida para reduzir o consumo de água.
Ao longo de sua trajetória, a companhia também acumulou mais de 60 premiações nacionais e internacionais de design, entre elas Red Dot Award, iF Design Award, Good Design Award e German Design Award.
“O aniversário de 70 anos representa muito mais do que olhar para o passado. É uma oportunidade para reafirmarmos nosso compromisso com o futuro, desenvolvendo soluções que contribuam para melhorar a vida das pessoas e incentivar o uso consciente da água”, afirma Guilherme Bertani, presidente da Docol.
Eficiência hídrica acompanha evolução industrial
A relação entre inovação e uso da água também chegou aos processos produtivos. Na década de 1980, a Docol esteve entre as primeiras indústrias brasileiras a tratar a água utilizada em sua própria produção.
Mais recentemente, essa atuação foi ampliada por meio do Instituto Ingo Doubrawa, mantido pela companhia. Desde 2022, a organização já investiu mais de R$ 3 milhões em projetos voltados à comunidade, incluindo educação ambiental, preservação dos manguezais de Joinville e iniciativas de conscientização sobre o uso da água.
A estratégia conecta um dos principais recursos utilizados pelos produtos da empresa à agenda de sustentabilidade da própria operação.
Empresa também atravessa gerações de trabalhadores
Os 70 anos da Docol também ajudam a contar uma parte da evolução do mercado de trabalho industrial de Joinville.
José Fernando Kina entrou na companhia aos 17 anos, quando a fábrica ainda funcionava na rua Visconde de Mauá, no Centro da cidade. Mais de quatro décadas depois, permanece na empresa e acompanhou mudanças na produção e a chegada de tecnologias que posteriormente se tornaram parte do portfólio. Entre elas está justamente a DocolMatic.
“Era algo revolucionário para a época”, lembra José Fernando Kina.
A relação familiar com a companhia ganhou uma segunda geração em 2016, quando Márcio Kina, seu filho, também passou a trabalhar na Docol. Ele iniciou a trajetória na área de Usinagem e atualmente atua na Ferramentaria.
“Na Docol, a gente tem incentivo e chances de crescimento. Mas precisamos estar preparados”, afirma Márcio Kina.
A história pode chegar à terceira geração: o filho de Márcio, atualmente com 14 anos, já demonstra interesse em trabalhar futuramente na companhia.
Mais do que uma história individual, o caso ajuda a dimensionar a relação construída entre grandes indústrias e a formação de profissionais em Joinville ao longo das últimas décadas.
Aos 70 anos, a Docol entra em uma nova etapa combinando expansão internacional, inovação, design e eficiência hídrica.
Para Joinville, a trajetória também evidencia como empresas industriais ajudaram a formar mão de obra, desenvolver tecnologia e levar produtos criados no município para mercados de mais de 35 países.