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Cooperação e cooperativismo: da intenção à organização

Ao longo da minha trajetória como autor e cooperativista, tenho defendido uma ideia que pode parecer simples, mas faz diferença na maneira como entendemos o nosso movimento: cooperação e cooperativismo não são sinônimos.

A cooperação vem antes. Está presente quando uma família divide responsabilidades, quando vizinhos se mobilizam para resolver um problema ou quando profissionais compartilham conhecimentos para encontrar uma solução. Não precisamos participar de uma cooperativa para cooperar. A cooperação é um valor humano e uma escolha na relação com o outro. 

O cooperativismo dá um passo adiante. Transforma essa disposição para agir coletivamente em uma organização com princípios, regras, participação democrática e responsabilidades definidas. O objetivo é fazer com que a força da união não dependa apenas da boa vontade das pessoas, mas tenha condições de se manter ao longo do tempo.

Essa é uma distinção que abordo no meu novo livro, Você entre 7 gerações – Escolhas previdentes e ações cooperativas: as soluções para viver melhor no novo mundo intergeracional, escrito em parceria com Denise Maidanchen, CEO da Quanta Previdência. A obra aponta caminhos para viver melhor em um mundo no qual diferentes gerações convivem, com expectativas, valores e visões de futuro próprios. 

Compreender como a cooperação se organiza é parte importante dessa reflexão. Uma ação cooperativa espontânea pode surgir diante de uma necessidade e terminar quando o problema é resolvido. 

O cooperativismo procura dar continuidade a essa força coletiva. Para isso, uma cooperativa precisa funcionar, ser economicamente sustentável, administrar recursos, tomar decisões, prestar contas e educar seus integrantes para que entendam o papel que exercem.

Não basta reunir pessoas com boas intenções. É preciso conciliar interesses individuais e coletivos, o que talvez seja um dos maiores desafios de qualquer cooperativa. Sem essa capacidade, o ideal de união corre o risco de não se sustentar na prática.

Gosto de pensar que a cooperação é a matéria-prima e o cooperativismo, uma das formas mais elaboradas que a humanidade encontrou para organizá-la. Modelo associativo que vem dando certo há quase 200 anos, o cooperativismo dá forma à cooperação para que ela produza resultados consistentes e duradouros. 

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CEO de cooperativa de crédito, autor de livros sobre cooperativismo e Influenciador Coop do Sistema OCB.

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