Apontada pelo estudo People Trends, do Evermonte Institute, como uma das principais tendências globais da gestão de pessoas para 2026, a economia das competências já começa a transformar o mercado de trabalho.
O movimento sinaliza uma transição clara: organizações deixam de priorizar cargos formais e passam a adotar modelos orientados por habilidades, nos quais o valor profissional é medido menos pelo título e mais pela capacidade de gerar resultados.
A mudança também redefine o papel da liderança de Recursos Humanos, que passa a ser cobrada não apenas pela gestão do quadro funcional, mas pelo mapeamento e desenvolvimento das competências necessárias para sustentar a estratégia do negócio.
“A economia das competências muda o eixo da gestão. A pergunta deixa de ser quantas pessoas a empresa tem e passa a ser quais capacidades ela consegue mobilizar para executar sua estratégia”, afirma Felipe Ribeiro, sócio e cofundador da Evermonte Executive & Board Search.
Segundo o People Trends 2026, fatores como o avanço tecnológico, ciclos de inovação mais curtos e a rápida obsolescência de conhecimentos técnicos vêm acelerando essa transformação.
Mais gente empregável – nem sempre preparada
Dados internacionais compilados no estudo ajudam a dimensionar o desafio. O India Skills Report 2026, da ETS, projeta que a taxa média de empregabilidade no país deve subir de cerca de 46% em 2020 para aproximadamente 56% em 2026.
Ainda assim, o desalinhamento entre as habilidades disponíveis e as demandas das empresas persiste. Em escala global, a WorkBuzz estima que até 40% da força de trabalho precisará ser requalificada até 2030 para manter a competitividade.
Mesmo economias altamente qualificadas enfrentam dificuldades. Em Singapura, 83% dos empregadores relatam escassez de profissionais com as competências necessárias, segundo o ManpowerGroup, que aponta tecnologia da informação e dados, engenharia, operações e logística, sustentabilidade e meio ambiente, além de vendas e marketing, entre as habilidades mais difíceis de encontrar.
Já entre jovens mexicanos, um levantamento da Randstad mostra que 79% acreditam ser capazes de desenvolver as habilidades exigidas pelo mercado, mas 46% já foram rejeitados em processos seletivos por falta de qualificação.
“O que vemos não é necessariamente a falta de profissionais, mas sim a falta de competências críticas. Esse descompasso tende a se tornar um dos principais limitadores do crescimento das empresas”, diz.
É justamente sob essa ótica que o cenário nacional se torna ainda mais conectado ao contexto global. A principal prioridade do RH brasileiro é desenvolvimento e sucessão (65,3%), demonstrando que, para além dos processos de atração ante à famigerada escassez, a retenção por competências será um dos principais focos de 2026.
Do cargo ao portfólio de habilidades
Uma das consequências mais visíveis dessa mudança é a substituição gradual das estruturas baseadas em cargos por modelos centrados em portfólios de competências, aprendizagem contínua e maior mobilidade interna, movimento diretamente associado às conclusões do Evermonte Institute.
Nesse contexto, profissionais passam a ser alocados conforme suas habilidades, e não apenas pela posição que ocupam. A mobilidade interna deixa de ser apenas uma ferramenta de retenção e assume caráter estratégico ao ajudar empresas a responder mais rapidamente ao déficit de competências. E o conceito delearning agility – ou agilidade de aprendizagem – ganha cada vez mais relevância.
“Experiência passada, sozinha, não garante performance futura. A capacidade de aprender rápido (e estar orientado a fazê-lo) se tornou um dos ativos mais valiosos da força de trabalho”, afirma.
A tendência vai além de ajustes pontuais. A expectativa é que remuneração, carreira e desenho das funções sejam cada vez mais vinculados a diagnósticos concretos sobre o que os profissionais sabem fazer – e o que precisarão aprender nos próximos ciclos estratégicos.
Para os profissionais, isso significa que a estabilidade estará menos associada ao cargo e mais à capacidade de atualização constante. Para as empresas, a vantagem competitiva dependerá da habilidade de mapear e desenvolver competências com rapidez.
“A economia das competências não é uma tendência passageira. É, na verdade, uma resposta estrutural a um mercado mais dinâmico e (cada vez mais) imprevisível”, conclui.
Sobre o Evermonte Institute
Idealizado pela Evermonte Executive & Board Search, o Evermonte Institute é dedicado à produção de pesquisas avançadas e soluções corporativas, aliando people analytics e market data a uma visão estratégica de mercado. Seu objetivo é apoiar a tomada de decisões e o desenvolvimento de práticas organizacionais voltadas à governança e ao crescimento sustentável.
Sobre a Evermonte Executive & Board Search
Referência em recrutamento executivo, a Evermonte tem como propósito impulsionar a governança corporativa por meio da identificação de lideranças estratégicas e conselheiros. Com escritórios em Porto Alegre, São Paulo, Curitiba e Joinville, atua com uma equipe de headhunters especialistas com ampla vivência nas áreas em que operam. A empresa adota uma metodologia própria, que integra Inteligência Artificial, people analytics e avaliação cognitiva, garantindo decisões assertivas e resultados de alto impacto. A Evermonte conduz projetos de alta complexidade em todo o Brasil e América Latina, recrutando profissionais para posições de gerência sênior, diretoria executiva, C-Level e conselhos.