O que começou com um celular apoiado sobre a mesa de casa, uma câmera improvisada e a vontade de contar histórias de Blumenau se transformou em um dos maiores projetos de conteúdo regional de Santa Catarina.
Hoje, com quase 200 mil seguidores no Instagram, cerca de 10 mil inscritos no YouTube e 6 temporadas no ar, o Blumencast consolidou André Cantoni e Joice Morastoni Cantoni como alguns dos principais influenciadores locais da cidade de Blumenau e abriu caminho para novos negócios, como o recém-lançado Blumenpass.
Mas antes dos estúdios, dos episódios ao vivo e das parcerias comerciais, viviam uma rotina corporativa tradicional. Os dois chegaram a trabalhar juntos anteriormente em uma das maiores empresas de ERP do país, mas acabaram se reencontrando um ano depois.
Em 2018, Joice, analista de sistemas, atuava no em uma cooperativa de crédito. Já André trabalhava como gerente nacional de vendas em uma das maiores fornecedoras de equipamentos para a indústria têxtil. No ano que aconteceu a Copa do Mundo na Rússia, firmaram compromisso e não se largaram mais.
Podcast nasceu da vontade de empreender
A ideia do Blumencast surgiu após uma mudança de rota na carreira de André. Após ser desligado da empresa, decidiu empreender.
Primeiro veio uma marca de camisetas chamada Modo Avião. Depois, durante a pandemia, percebeu o crescimento dos podcasts no Brasil.
“Eu pensava: por que ninguém faz isso em Blumenau?”, relembra.
A resposta veio no fim de 2020, quando gravaram os primeiros episódios dentro de casa. O início foi no modelo “vai com o que tem”: celular na mesa, uma câmera Canon improvisada em outro ângulo e edição feita de forma enxuta.
Mesmo ainda no MVP, ele enxergava potencial no projeto. Logo no primeiro mês no ar, o podcast conquistou seu primeiro patrocinador, que cedeu espaço do escritório para a gravação.Desde então, o casal já investiu mais de R$ 50 mil em equipamentos e estrutura própria.
“O podcast começou em casa e agora voltou para casa, mas de uma forma totalmente diferente”, contam.
Além da economia de tempo, manter o estúdio dentro de casa também se tornou uma decisão estratégica de operação.
Conteúdo local virou diferencial
No início, um dos maiores desafios era convencer empresas de que podcasts tinham valor comercial.
Segundo eles, havia dificuldade em educar o mercado sobre o potencial do YouTube como conteúdo atemporal e sobre o perfil mais qualificado da audiência.
“Instagram tem números maiores, mas o YouTube gera uma conexão muito profunda”, explicam.
Para André, o que sustentou o crescimento foi disciplina e consistência.
“Eu sabia que ninguém fazia isso em Blumenau. Era uma oportunidade clara de mercado. Mas também sabia que não adiantava fazer um voo de galinha, como aconteceu com muitos podcasts”, afirma.
Ao longo das temporadas, o Blumencast passou a transformar histórias históricas da cidade em conteúdo acessível para novas gerações.Um dos exemplos citados por eles é a própria Oktoberfest Blumenau.
“Muita gente acredita que a Oktoberfest surgiu por causa da enchente, mas ela já vinha sendo planejada desde os anos 70”, comentam.
Para Joice, o projeto também sempre esteve conectado a propósito e pertencimento.
“O blumenauense gosta de se sentir pertencente. A gente percebe isso quando encontra as pessoas na rua e vê como os conteúdos reverberam na cidade”, diz.
Hoje, o slogan do projeto resume esse posicionamento: “o que há de melhor em Blumenau e região”.
Ao vivo trouxe nova fase do projeto
A sexta temporada marcou uma nova etapa: os episódios passaram a ser transmitidos ao vivo, com interação do público.
Com uma equipe técnica apoiando a operação ao vivo, o projeto passou a ter episódios semanais transmitidos todas as quartas-feiras à noite.
Blumenpass nasceu da audiência
O crescimento da influência local acabou abrindo espaço para um novo negócio. Segundo Joice, uma das perguntas mais frequentes que recebiam dos seguidores era simples: “onde vale a pena ir em Blumenau e região?”
Como o conteúdo gastronômico já era um dos principais pilares do perfil, surgiu a ideia de transformar audiência em plataforma.
Foi assim que nasceu o Blumenpass, que é um aplicativo que conecta restaurantes a consumidores. Ele funciona no formato “compre um prato, ganhe outro” ou “50% off em pratos compartilhados”. O aplicativo foi oficialmente lançado em janeiro e já é sucesso na região.
Influência, rotina e próximos passos
Hoje, embora o Blumencast seja uma marca consolidada, Joice explica que a principal fonte de receita do casal ainda está na produção de conteúdo para Instagram.
Ao mesmo tempo, eles defendem que o mercado de influência ainda passa por amadurecimento, tanto do lado das marcas quanto dos próprios criadores.
Na rotina da operação, ela cuida das áreas comercial, financeira e planejamento. Ele lidera a parte criativa. Já edição e operação de vídeo são terceirizadas.
Mesmo empreendendo juntos, o casal afirma que estabeleceu limites claros na rotina. Atividade física, terapia e fins de semana offline são prioridades. Além disso, eles também planejam aumentar a família nos próximos anos.
Entre os próximos passos estão a profissionalização ainda maior da operação, expansão do Blumenpass, mudança do estúdio para um novo espaço e a criação de consultorias voltadas tanto para restaurantes quanto para influenciadores locais.
“A gente entende que criou algo que vai além do conteúdo. Existe um legado sendo construído para a cidade”, afirmam.