Quando se fala sobre os grandes nomes do empreendedorismo, normalmente a narrativa gira em torno de fundadores de startups, rodadas de investimentos bilionários, fundos de investimentos e CEOs de empresas de tecnologia.
Mas existe um outro grupo de profissionais que raramente aparece nas manchetes, apesar de exercer um papel decisivo na construção dos ecossistemas que tornam essas histórias possíveis.
São as pessoas que se conectam, que constroem pontes, as que criam ambientes onde oportunidades podem surgir. E é nesse espaço que a trajetória de Thithi Galdino se destaca. Sua história não começou em uma startup, muito menos em fundo de investimento, tampouco em um palco.
No famoso backstage, observando pessoas, entendendo comunidades, organizando experiências e criando relações entre palestrantes e público.
Muito antes de ser reconhecida nacionalmente, já acumulava uma característica que mais tarde definiria sua carreira: a capacidade incomum de enxergar conexões onde a maioria das pessoas via apenas atividades isoladas.
O primeiro contato profundo com o universo da inovação aconteceu dentro da ACATE, e talvez seja impossível compreender a história profissional dela sem compreender o que representou esse primeiro contato.
Entre 2019 a 2021, como bolsista, ela participou diretamente da operação de eventos ligados aos Centros de Inovação, aos programas estratégicos da associação como verticais de negócios, Miditec, LinkLab, iniciativas que ajudaram a consolidar Santa Catarina como uma das maiores referências nacionais em tecnologia e empreendedorismo.
Não era uma posição de liderança, nem havia holofotes, mas tinha acesso, conexão e construção, em um dos ecossistemas mais sofisticados do país. Enquanto muitos enxergavam eventos como agendas e cronogramas, ela começou a enxergá-los como ferramentas de transformação e transformou como eixo central da sua carreira.
Os grandes movimentos de inovação não acontecem dentro das empresas, mas acontecem nos encontros, nas conversas, nas conexões improváveis e nas comunidades, e foi essa percepção que mudou sua trajetória.
Ainda dentro da ACATE, como consultora de inovação no programa de bolsas da FAPESC, passou a trabalhar diretamente com a Rede Catarinense de Centros de Inovação, fortalecendo governanças, articulando atores regionais e acompanhando indicadores de impacto em diferentes territórios do estado. Thithi estava construindo uma história hiper conectada entre polos regionais.
Enquanto isso, algo maior estava sendo construído e sem alarde, começava a nascer uma articuladora de ecossistemas e comunidades. Nos anos seguintes, sua atuação se espalhou por praticamente todos os pontos relevantes da inovação catarinense.
Da Blusoft, polo regional da ACATE em Blumenau a programa de aceleração e transformação digital da indústria, o InovAtiva e recentemente representando Santa Catarina na ABStartups, constrói em cada experiência, uma visão amplificada em como inovação, negócios, investimento, comunidade e impacto social se conectam.
Mas sua contribuição nunca se limitou ao universo corporativo, em paralelo, ajudou a fortalecer movimentos ligados à diversidade, inclusão e liderança feminina.
Em uma época em que o ecossistema brasileiro ainda discutia como ampliar a participação de mulheres em espaços de decisão, Thithi escolheu atuar na prática,criando eventos, construindo novas comunidades, abrindo portas e conectando talentos.
A consequência desse trabalho veio em 2024, reconhecida nacionalmente como líder de diversidade e inclusão no Startup Awards, uma das premiações mais relevantes do empreendedorismo brasileiro e do ecossistema de inovação
Mas o prêmio não representava apenas uma conquista individual, mas reconhecimento de uma trajetória inteira construída na crença de que inovação sem diversidade é inovação pela metade.
O reconhecimento nacional não desacelerou sua atuação, pelo contrário, foi justamente nesse período que sua influência ultrapassou as fronteiras de Santa Catarina.
Assumiu posições de liderança em iniciativas latino-americanas de inovação, passou a atuar na construção de agendas internacionais e ajudou a conectar empreendedores, startups e comunidades em diferentes países da região Latino Americana.
Ao mesmo tempo em que solidificou a Vanthi Eventos, que de forma simples era pra ser só uma empresa de eventos, mas ela nasceu da convicção de que experiências bem desenhadas podem acelerar ecossistemas inteiros.
Mais do que organizar encontros, a Vanthi passou a desenhar ambientes de colaboração, relacionamento e geração de oportunidades, uma extensão natural daquilo que Thithi já fazia há anos.
Hoje, sua atuação atravessa múltiplas fronteiras, e permeia entre o setor privado e o terceiro setor, startups e grandes empresas, investidores e fundadores, entre Brasil e América Latina (por enquanto), entre diversidade e negócios.
Talvez seja por isso que definir Thithi Galdino seja tão complexo, ela não é apenas produtora, nem empreendedora, ou líder comunitária, ela pertence a uma nova geração de profissionais cuja principal competência não é construir empresa, mas construir ecossistemas.
“E em um mundo cada vez mais dependente de colaboração, essa pode ser uma das habilidades mais valiosas do nosso tempo, porque startups podem nascer todos os dias, e morrer também, mas tecnologias mudam constantemente,mercados evoluem e pessoas capazes de conectar tudo isso em tempo real, continuam sendo raras”, destaca.
E é justamente nessa raridade que a trajetória de Thithi Galdino encontra sua força, não como alguém que ocupou espaços, mas como alguém que ajudou a criar muitos deles.