Por André Brandão Sala, CEO da Robomind.
Durante muito tempo, a robótica educacional foi vista como uma atividade complementar, restrita a poucas escolas ou iniciativas voltadas à tecnologia. Hoje, esse cenário tem mudado gradualmente. O avanço da inovação, a transformação do mercado de trabalho e a necessidade de desenvolver competências cada vez mais ligadas à criatividade, ao pensamento crítico e à resolução de problemas fizeram da robótica uma importante aliada no processo de aprendizagem.
De acordo com a Cognitive Market Research and Consulting, o mercado brasileiro de robótica educacional movimentou quase 31 milhões de dólares em 2025 e apresenta uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 27%. Esse crescimento demonstra uma mudança de percepção sobre o papel da tecnologia na educação. A própria pesquisa aponta que o mercado mundial de robôs educacionais vive um momento de expansão acelerada, deixando de ser um segmento de nicho para se consolidar como uma ferramenta amplamente difundida no ambiente escolar.
Além do aprendizado técnico, a robótica educacional oferece aos estudantes experiências práticas que integram diferentes áreas do conhecimento, como matemática, ciências, programação, engenharia e até habilidades de comunicação e trabalho em equipe. Ao construir soluções para desafios reais, crianças e jovens desenvolvem autonomia, capacidade analítica e confiança para enfrentar problemas complexos, competências que serão fundamentais em qualquer profissão do futuro.
Mais importante do que ensinar programação ou montagem de robôs, a robótica ensina a aprender. Em um mundo onde as transformações tecnológicas acontecem em velocidade crescente, a capacidade de errar, corrigir e inovar passa a ser tão importante quanto o domínio de conteúdos específicos. E é justamente essa mudança de mentalidade que torna a robótica educacional uma ferramenta tão poderosa dentro das escolas.
Outro aspecto que merece destaque é o potencial da robótica para aproximar os estudantes de desafios concretos da sociedade. Ao propor projetos conectados a temas sociais, ambientais e culturais, a aprendizagem ganha significado. Os alunos deixam de ser apenas consumidores de tecnologia para se tornarem criadores de soluções capazes de gerar impacto positivo em suas comunidades.
Nesse contexto, as competições de robótica assumem um papel importante. Muito além da disputa, elas funcionam como ambientes de colaboração e troca de experiências entre estudantes de diferentes culturas e realidades. Neste ano, a cidade de Joinville (SC), recebeu pela primeira vez a edição nacional do World Robot Olympiad (WRO), uma das maiores iniciativas de robótica educacional do mundo. Presente em 106 países, o WRO é promovido por uma fundação internacional sem fins lucrativos e reúne milhares de estudantes que compartilham deste interesse. Tenho a honra de representar essa iniciativa no Brasil e acompanhar de perto como ela transforma a trajetória de milhares de jovens.
O tema deste ano foi “Robots Meet Culture”, com a proposta de explorar como a robótica pode contribuir para preservar, proteger e desenvolver diferentes manifestações culturais.
O crescimento do setor, a presença cada vez maior nas escolas, tanto privadas quanto públicas, e iniciativas como o WRO mostram que essa transformação já está em curso. Estamos formando pessoas capazes de pensar de maneira crítica e criar soluções para problemas. Afinal, educar para o futuro é oferecer oportunidades para que os estudantes sejam protagonistas dele.