Em julho, a região Sul registrou 1.583.317 empresas inadimplentes, segundo dados do Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian.
Ao todo, foram contabilizadas 14.820.662 dívidas negativadas, que somaram cerca de R$ 53,8 bilhões no período.
Entre os estados, o Paraná concentrou o maior número de empresas negativadas, com 607.497 CNPJs inadimplentes, seguido por Rio Grande do Sul (533.041) e Santa Catarina (442.779).
Em termos financeiros, o Rio Grande do Sul registrou a maior dívida média por empresa da região (R$ 37.000,62), enquanto Santa Catarina apresentou o maior ticket médio (R$ 3.795,68).

Cenário nacional
No Brasil, a inadimplência das empresas atingiu um novo pico e chegou a 9,2 milhões de CNPJs em julho. No período, o total de dívidas negativadas atingiu 67,2 milhões, somando R$ 238,6 bilhões.
Em média, cada empresa inadimplente acumulou 7,3 contas negativadas, com dívida média de R$ 25.983,88 por CNPJ e ticket médio de R$ 3.551,59.

Para a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, a permanência da inadimplência em níveis elevados ocorre em um momento em que as condições financeiras continuam restritivas:
“Apesar dos cortes recentes da Selic, ainda não observamos uma mudança estrutural nas condições financeiras. O mercado continua precificando juros elevados por um período prolongado, e é essa expectativa que influencia diretamente o custo de financiamento e a capacidade das empresas de rolar suas dívidas. Ao mesmo tempo, a atividade econômica entra em uma trajetória mais clara de desaceleração. Portanto, temos uma combinação de custo financeiro ainda alto com menor dinamismo da receita, que mantém o ambiente bastante desafiador para a regularização dos passivos”.
Setores inadimplentes e perfil das dívidas
Do total de empresas que estavam negativadas em julho, 55,8% eram do setor de serviços. Na sequência apareceram aquelas do comércio (32,1%), indústria (8,0%) e do segmento primário (1,0%).
Em relação à origem das dívidas inadimplidas, o maior peso ficou com serviços (31,7%), seguido por bancos/cartões (19,7%), cooperativas (8,5%), utilities (6,9%) e telefonia (6,2%).
“O fato de mais de três quartos das dívidas inadimplidas estarem fora das instituições financeiras mostra que a dificuldade financeira das empresas não está restrita ao crédito bancário. Ela também alcança compromissos relacionados à própria operação, como por exemplo: pagamento de contas básicas e fornecedores. Quando a empresa enfrenta um fluxo de caixa mais apertado, a dificuldade de pagamento pode ser distribuída por diferentes obrigações, o que torna a reorganização financeira mais complexa”, explica.
Regionalmente, o Sudeste concentrou o maior volume de empresas inadimplentes no mês, com destaque para São Paulo (3.147.102), seguido por Minas Gerais (915.410) e Rio de Janeiro (870.189).

Micro e pequenas empresas seguiram concentrando a inadimplência
As micro e pequenas empresas seguiram como maioria expressiva da inadimplência empresarial no país em julho, com 8,7 milhões de CNPJs negativados.
O grupo concentrou 60,5 milhões de dívidas, que somaram R$ 206 bilhões. Em média, cada micro e pequena empresa acumulou 6,9 contas negativadas, com dívida média de R$ 23.574,33 e ticket médio de R$ 3.403,77.
“As micro e pequenas empresas enfrentam uma combinação particularmente desafiadora: inadimplência elevada e crédito cada vez mais restrito. Mesmo em períodos de normalidade, empresas desse porte já encontram mais barreiras para acessar financiamento. No cenário atual, a piora dos indicadores de atraso reforça a cautela dos credores, que também lidam com limitações de informação para avaliar o risco desses negócios. Essa menor visibilidade aumenta a incerteza e contribui para um ambiente de concessão mais seletivo, tornando ainda mais difícil o acesso aos recursos necessários para capital de giro e sustentação da operação”, conclui