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SC no topo do ranking de competitividade: o que a propriedade intelectual tem a ver com isso?

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Santa Catarina assumiu, pela primeira vez, a liderança geral do Ranking de Competitividade dos Estados 2026, elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP). Depois de 14 anos de liderança de São Paulo, o resultado catarinense confirma algo que o ecossistema local já percebia: o Estado conseguiu combinar capital humano, ambiente de negócios, infraestrutura institucional e capacidade de inovação de forma particularmente eficiente.

Mas o que a propriedade intelectual tem a ver com essa conquista? Mais do que parece. O ranking possui um pilar inteiramente dedicado à Inovação e, dentro dele, um dos indicadores é justamente “Patentes”. Em 2026, Santa Catarina ocupa a 2ª posição nacional nesse pilar, com 87,06 pontos. Isso significa que a capacidade de gerar e proteger soluções tecnológicas não está à margem da competitividade. Ela participa diretamente da forma como o desempenho dos estados é medido.

Como a propriedade intelectual contribuiu

A propriedade intelectual contribui para esse resultado porque transforma conhecimento em ativo econômico. Uma pesquisa pode gerar uma patente; um novo produto pode ter seu desenho industrial protegido; um software pode ter sua titularidade e seu registro organizados; uma marca pode concentrar reputação e permitir expansão segura. Quando esses ativos são identificados e protegidos, empresas ganham condições melhores para negociar, licenciar, atrair investimento, internacionalizar e impedir a apropriação indevida de seus diferenciais.

É essa passagem — da ideia para o ativo — que conecta propriedade intelectual e competitividade. Estados competitivos não são apenas aqueles que produzem conhecimento, mas aqueles que criam condições para que esse conhecimento circule, seja transferido, chegue ao mercado e gere valor. A proteção adequada reduz insegurança nas relações entre universidades, startups, empresas, investidores e parceiros comerciais. Também torna mais clara a titularidade da tecnologia e facilita processos de diligência e transferência de tecnologia.

Os resultados catarinenses perante o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) ajudam a visualizar essa contribuição. Em 2025, Santa Catarina alcançou a 4ª posição nacional nos depósitos de patentes de invenção, com 320 pedidos, além de apresentar destaque em marcas, desenhos industriais e programas de computador. Não se trata apenas de volume: a presença do Estado em diferentes modalidades demonstra que sua economia gera ativos intangíveis em setores variados e que a proteção começa a ser incorporada à estratégia de empresas e instituições.

Uma política pública que ganhou continuidade

A política pública também fez sua parte. Em fevereiro de 2024, a FAPESC lançou o primeiro edital catarinense especificamente voltado ao incentivo à propriedade intelectual, em parceria com o INPI. A iniciativa, então inédita no Estado, previu até R$ 1,05 milhão em subvenção econômica e apoio de até R$ 35 mil por proposta, abrangendo pedidos de patente, desenhos industriais e registros de programas de computador. Além do recurso financeiro, o programa previa capacitação e mentoria, reconhecendo que proteger uma criação exige conhecimento técnico, e não apenas o pagamento de taxas. Até 2026 a FAPESC vem dando continuidade ao programa, a sucessão de editais transformou uma iniciativa pontual em uma linha continuada de incentivo. 

Não seria correto atribuir a liderança catarinense a um único programa ou indicador. O ranking é multidimensional e o resultado decorre de um conjunto amplo de fatores. Ainda assim, também seria um erro tratar a propriedade intelectual como detalhe jurídico sem relação com o desempenho econômico. Ela contribui para que a inovação produzida em Santa Catarina permaneça nas empresas, seja convertida em ativos, atraia capital e gere negócios. É uma das engrenagens que ajudam o conhecimento local a produzir efeitos concretos sobre a competitividade.

O investimento necessário para permanecer no topo

Para as startups, essa relação é ainda mais direta. Tecnologia desenvolvida sem definição de titularidade, software criado por terceiros sem cessão adequada, invenção divulgada antes do depósito ou marca adotada sem busca prévia podem comprometer uma rodada de investimento, uma parceria comercial ou a internacionalização. O investimento em propriedade intelectual não começa no protocolo perante o INPI. Começa no diagnóstico do negócio e na decisão sobre o que proteger, quando proteger e em quais mercados.

Santa Catarina chegou ao topo. Para continuar lá, precisará manter o investimento em pesquisa, inovação e, necessariamente, em propriedade intelectual. Gerar novas soluções é essencial; garantir que elas se transformem em ativos protegidos, negociáveis e capazes de permanecer no Estado é o passo que sustenta o crescimento no longo prazo.

A liderança de 2026 deve ser comemorada, mas também deve elevar nossa ambição. Governo, universidades, empresas e investidores precisam tratar a propriedade intelectual como infraestrutura de desenvolvimento. E as startups catarinenses precisam fazer a sua parte: mapear seus ativos, organizar a titularidade e definir uma estratégia de proteção antes que a ausência dela se transforme em perda de valor. Permanecer no topo exigirá inovar continuamente — e proteger o que de melhor Santa Catarina cria!

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Fundadora da Leila Violin PI, mestre em engenharia e gestão do conhecimento e habilitada pelo INPI como agente da propriedade industrial.

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