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Pesquisa da ABRH-SC revela escassez, comportamento e liderança como tripé crítico de 2026

Foto: Andrea Piacquadio/Pexels

Um levantamento inédito realizado pela Associação Brasileira de Recursos Humanos Santa Catarina (ABRH-SC) aponta que a gestão de pessoas está sob pressão máxima.

O estudo detalha o conjunto de tensões estruturais que o RH catarinense precisará administrar para prosperar neste ano.

Conforme a pesquisa, desafios como contratação, retenção de talentos, além de comportamento humano (liderança, saúde mental e cultura) definirão quem atravessa 2026 com sustentabilidade.

Construído a partir da escuta direta de líderes e profissionais de RH de diferentes setores do estado, o estudo aponta que além da escassez de mão de obra, a dificuldade estará em sustentar vínculos e engajar.

Num universo de 56 entrevistados, o levantamento apontou que grande parte dos gestores de pessoas está preocupada com a retenção de talentos (33,9%), assim como desenvolver líderes engajados (30,3%) e dar conta da contratação de mão de obra (28,5%), uma vez que sobram vagas no estado, especialmente na área operacional.

“Mais do que investir em salários, as empresas precisarão investir em educação corporativa, desenvolvimento humano e cultura, assumindo um papel que, muitas vezes, extrapola os limites tradicionais da empresa. Será pensar e agir fora da caixa de verdade”, destaca o presidente da ABRH-SC, Diego Martins.

Os números foram apresentados durante o workshop Pessoas e Negócios, realizado na sede da Fiesc na manhã desta terça. O encontro discutiu o cenário econômico, o mercado de trabalho e, claro, os desafios para a gestão de pessoas.

Sobram vagas

A dificuldade de reter profissionais e preencher vagas aparece como o desafio recorrente no estudo porque há tanto escassez quantitativa, como qualitativa.

Em um cenário de pleno emprego em Santa Catarina, pequenas e médias empresas relatam dificuldades para competir com salários e benefícios oferecidos por grandes organizações.

“Fatores externos também pesam diretamente na atração de talentos. A falta de moradia acessível e o alto custo de vida em algumas regiões do estado surgem como barreiras para a fixação de profissionais. Um exemplo claro é a região de Itajaí e Balneário Camboriú que vive um boom de empreendimentos imobiliários de alto padrão. Profissionais que vieram para a região trabalhar acabam voltando para suas cidades porque não conseguem pagar os aluguéis. Isso sem falar no transporte público ineficiente em várias regiões, que também pesa bastante”, Vera Whitaker, sócia-fundadora da Anima Bronze.

Liderança em crise

O levantamento também evidencia uma lacuna entre o modelo de liderança esperado e o que ainda predomina nas empresas. Há consenso sobre a necessidade de líderes capazes de equilibrar resultado e relacionamento. Tanto que esse aparece como o segundo maior desafio para os entrevistados.

Preocupações com sucessão, desenvolvimento da alta liderança e baixa adesão a novos modelos de gestão aparecem com força. Mesmo com abundância de conteúdos e metodologias, a liderança segue sendo apontada como a principal ferramenta, e também o principal gargalo, da retenção de pessoas.

Saúde mental

Pela primeira vez, fatores psicossociais aparecem de forma estruturada como um dos grandes desafios para o futuro próximo. Ansiedade, frustração e depressão, muitas vezes amplificadas pelo uso intenso de tecnologia e redes sociais, passam a impactar diretamente o ambiente organizacional.

Os respondentes (14,2%) apontam a urgência de criar ambientes psicologicamente seguros, capazes de sustentar o equilíbrio emocional em um contexto de incertezas e pressão constante por desempenho.

Gerações em conflito

Outro ponto sensível revelado pelo estudo é o choque de expectativas entre empresas tradicionais e as novas gerações, especialmente a Geração Z. Relatos (8,9%) mencionam dificuldades relacionadas a compromisso, propósito e entrega, além do desafio de engajar jovens em estruturas organizacionais mais rígidas.

A gestão de equipes multigeracionais, somada às mudanças de mentalidade pós-pandemia, impõe às empresas a necessidade de repensar experiências de trabalho e modelos de vínculo que já não produzem o mesmo efeito de fidelização.

Eficiência sem perder humanidade

A inteligência artificial surge como uma promessa ambígua. Ao mesmo tempo em que oferece ganho de eficiência e automação de processos, também impõe desafios relacionados à reestruturação de equipes e à preservação da dimensão humana do RH.

“O verdadeiro ponto de inflexão não é técnico, é humano. O RH será chamado a garantir que a inteligência artificial amplifique o potencial humano e não o substitua ou silencie”, destaca a diretora de autoconsciência e bem-estar da ABRH-SC, Mariane Nicoloso.

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